Crónica (e ainda o 25 de Abril)

Hoje é dia de crónica e, portanto, aí vai o link:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/13-abr-2019/interior/nem-tanto-a-terra-10785058.html


 


Aproveito para dizer que as comemorações do 25 de Abril não se cingem obviamente a Lisboa, e que na Biblioteca Municipal de Setúbal a historiadora Irene Pimentel, vencedora do Prémio Pessoa, vai apresentar no dia 30, às 14h30, o seu livro Os Cinco Pilares da PIDE, que ensina o que a escola não ensina, para que não se repitam os males.

Comentários

  1. Um dia a minha professora chamou um aluno que nunca era castigado para ele aplicar as últimas cinco reguadas a um colega porque ela já não o podia fazer, tinha o braço muito cansado.

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  2. Bom dia com alegria

    Um dia alguém me definiu "educação" como "o saber estar".

    Como no programa do RAP, isto agora pulula de "gente que não sabe estar"

    Novos, velhos, ou a meio caminho, acho o mal transversal.

    Também aqui falta cumprir Abril. Também aqui "falta cumprir-se Portugal."

    Boas leituras e bom fds
    CP

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  3. Uma pequena correção: as mulheres da província não davam à luz todos os anos; normalmente, de dois em dois anos, pois amamentavam os bebés durante bastante tempo, o que as impedia de engravidar logo a seguir.

    Quanto ao rapaz que agrediu o professor, penso que a questão é muito mais complicada do que uma mera inversão de papéis. Mas não há dúvida de que se perdeu muito do respeito que se tinha pelos professores. O problema não é, porém, a falta de castigos físicos; o problema (ou a maior parte do problema) é a maneira como, em casa dos alunos, os professores são encarados. Aliás, a sociedade em geral desdenha dos professores. A agressão extrema (como a que referiu) tem, contudo, a sua origem noutro tipo de problemas mais graves.

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  4. Bom dia a todos,
    Apenas para complementar a informação produzida pela Maria do Rosário. A historiadora Irene Flunser Pimentel, também estará em Santarém, no Correio do Ribatejo (jornal que já conta com 128 anos de existência), no próximo dia 4 de maio, pelas 16H00, para apresentar "Os cinco pilares da PIDE".
    A entrada é gratuita.
    Cordiais saudações e bom fim-de-semana a todos os Extraordinários.
    Fernando Santos.

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  5. É bom recordar esse tempo - o tempora! O mores! - porque a memória corrige futuros.
    No meu caso, na questão das reguadas, a coisa correu bem para mim, uma vez que era bom aluno, se bem que o comportamento não tinha concomitância com esse predicado.
    Levei umas reguadas bem puxadas, uma única vez. Aquilo doeu a valer, não só pela pancada na mão espalmada e sem hipóteses de mudar para outra, segundo as regras, como por não ter o castigo sido por mim merecido. Aconteceu que a professora, para deixar o serviço de carrasco para outro aluno (como já foi aqui comentado), me desse a régua para castigar um condiscípulo que tinha praticado qualquer infracção gramatical. E eu, por ver que o meu colega era um franzino com quem me dava bem, tentei suavizar o castigo, batendo com a leveza que achei proporcionada. Vai daí, a professora decidiu castigar o carrasco que cometera o "crime" da benevolência.
    Suponho, pelo que ouço, ser hoje - o tempora! O mores! - o costume alterado, apenas faltando o aluno mal comportado bater a palmatória nas mãos do professor; se não o aluno, o pai ou a mãe dele.
    Matuto nos dois lados da barricada, antes e depois do dia em que houve reviravolta social, política e de costumes. Como em tudo, há sempre a tentação do exagero: se à mesa iam migas e rabos de carapau, hoje quer-se na toalha lagosta e bons bifes. É uma questão endémica lusa, não há meio termo, ou tudo ou nada e a verdadeira moral cívica e democrática anda, por vezes, pela hora da morte.
    Com mais ou menos democracia, uma sociedade ideal é coisa difícil de se obter. Talvez se consiga, futuro além, quando as vacas cacarejarem.

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  6. «As mulheres aumentavam a própria miséria tendo todos os anos mais um filho».

    Frase simplesmente lamentável.

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    Respostas
    1. Octávio
      Desculpe intrometer-me no assunto, pelo que da intromissão poderá reclamar, contrapondo.
      Miséria não é uma fatalidade, é um modo de vida com necessidades, infortúnio, pobreza. Resulta de um estatuto, da situação social e profissional. Logo, presumo eu, aumentando o número de filhos, as mulheres do campo, que já se viam na necessidade de alimentar as bocas precedentes, mais necessidade tinham em acorrer às subsequentes. Pelo dito, entendo que não é lamentável a frase, sim a situação delas e da sociedade que não prevenia e não previne essas necessidades.
      Por outro lado - e para aliviar o contraponto - digo-lhe que aprecio a sua luta contra o NAO, de que também faço parte nas fileiras da oposição ao dito. Esse é lamentável, porque rompe com uma língua que se pretende mater, subjugado a interesses que nem o Diabo vislumbra. E lembro-lhe que, neste mesmo blog e há um ano (14 de Fevereiro de 2018), assinando eu como Fernando Joca Martinho, juntei-me a si na barricada, precisamente no dia do meu aniversário, e escrevi isto, ressalvando uma das iniciais da MRP, que tratei por MJP:

      "Plenamente de acordo consigo.
      Por vezes questiono-me com esta dúbia rejeição/aceitação por parte das editoras: os seus responsáveis escrevem sem o acordo; ao publicarem, tratam das amputações "acordadas".
      Aprecio que a MJ Pedreira escreva sem o acordo, sinal de coragem e de que não é uma Maria que vai com as outras. Suponho que tenha de aceitar que a editora siga o pretensamente correcto NAO (que eu classifico NAH-Novo Acordo Hortográfico).
      Livra-se de boa, Octávio! Com o acordo, ficaria Otávio, porque não sei se até com os nomes aquela gentinha se meteu!...
      Enfim, embirro com aquela abrasileirada trapalhada. Talvez seja da minha tendência de ser ortograficamente insurrecto".

      Continue, Octávio, com a frontalidade que lhe reconheço; não se indigne com frases que retratam um tempo que o adágio esclarece: "pobre só levanta a cabeça para ver se vai chover".

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    2. Todavia uma frase lamentavelmente verdadeira...

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    3. Caro Fernando Costa, não tem de pedir desculpa pela «intromissão», em relação à qual eu não tenho qualquer «reclamação» a fazer...

      ... E obrigado por também dizer «não!» ao NAO. ;-)

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  7. António Luiz Pacheco26 de abril de 2019 às 08:05

    Mais uma excelente e oportuna crónica…
    Não posso ombrear com o JCCatarino, mas, entre 1978 e 1983 dei aulas em zonas fortemente ruralizadas onde havia alunos vindos de rincões, andando a pé km para apanhar a "carreira" e chegando à escola bem antes desta abrir, como depois regressavam tarde… trabalhos de casa? Impossível… ou faltavam uma semana inteira porque tinham andado com os pais "na azeitona". Pais duros, mas respeitadores … que me chegaram a dizer que lhes desse uma carga, se não andassem direitos.
    Como sou barrão, nunca tive problemas, nem mesmo nas escolas da cidade, apesar do ambiente rural destas.
    Houve em Montemor um único caso de pai agressivo… lixou-se, o director de turma era o Agostinho Borges (foi depois cabo do grupo de Montemor) que era mais mau e mais bruto do que ele… amansou, logo que soube quem era o director de turma!

    Mas sim, a autoridade do professor, sem dúvida que a mais nobre e respeitável das missões e profissão, caiu com a revolução, e nunca mais se ergueu, por força dos maus ministros da educação e do ambiente em geral, o que é lamentável pois sem educação na escola, não se tem um país desenvolvido e depois assiste-se na política ao resultado disso mesmo, toda a "choldra" que é a política não passa de falta de educação, travestida de modernidade, de evolução e sofisticação. Confunde-se respeito e autoridade com medo e autoritarismo, parece que se mantém uma espécie de cruzada contra os professores.

    Quanto à PIDE… os esbirros do regime apenas mudaram e sempre os haverá, sejam os polícias, sejam os procuradores, sejam os solicitadores de execução, os fiscais de finanças, os funcionários dos bancos, os fiscais camarários, os deputados com agendas pessoais, os membros destas e daquelas associações ou os activistas, todos os que oprimem em nome da sua liberdade pessoal e dos seus interesses.

    São profissões, dirão… pois são e alguém tem de as desempenhar, mas não é obrigatório ser carrasco como não é obrigatório ser PIDE nem fiscal… são mesmo as tendências de cada um, que estão representadas nos governos e AR ao mais alto nível, infelizmente!

    O José Teixeira da Silva, do Lugar da Telhada, faz cá muita falta… olá se faz! Ou o ferreiro da Várzea… porque Brandões, Fernão Ferros e Boca-Negras haverá sempre em todos os regimes, agindo a coberto e no interesse deste.

    A PIDE não acabou, desenganem-se, andam a ensaiá-la e está aí, disfarçada mas pronta a saltar para o terreno e à esquerda como à direita.


    Saudações libertárias cá da Cidade Morena!

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    1. Pacheco
      Sobre este seu comentário só tenho a dizer uma coisa: levanto-me da cadeira e aplaudo de pé.

      Saudações do planalto

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