Crónica antes da hora

À hora a que os Extraordinários lêem este meu post, estarei, se tudo correu bem, em Badajoz, lendo e conversando sobre poesia com alunos do Secundário e, mais tarde, numa sala maior, com o público em geral. A iniciativa já contemplou outros poetas portugueses (como Ana Luísa Amaral ou Nuno Júdice, mas também o escritor de canções Sérgio Godinho) e, claro, muitos poetas espanhóis. Chama-se «Aula de Poesia Díez Canedo» e celebra, evidentemente, Díez Canedo, poeta pós-modernista nascido em Badajoz, que viria a morrer na Cidade do México em 1944. Ora, deixo-vos então a crónica um dia mais cedo, porque amanhã não há post, agora só na segunda.


 


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/23-mar-2019/interior/patria-a-mais-10707874.html

Comentários

  1. Vou ligeiramente comentar o artigo do DN, porque me parece ser pertinente e sempre actual, com ou sem Filipes. Aviso a navegação de que não sou encalhe em Portugal e que não faço parte dos 28% que querem ser espanhóis; porém, a ter que escolher uma outra nação na Europa, seria Espanha. Atenção: mas como segunda nação; Portugal seria sempre a primeira.
    Sobre isto, vou resumir uma anedota que pode ilustrar a "rivalidade".
    Um americano, um português e um espanhol, foram apanhados na China numa contravenção qualquer, cujo castigo consistia, no mínimo, em dez chicotadas.
    Assistia aos castigados um pedido, tendo o americano utilizado o mesmo para que lhe dessem as chicotadas com uma almofada amarrada nas costas. A almofada acabou por saltar e ele levou as chibatadas, uma a uma.
    O espanhol, vendo aquilo, em vez de uma pediu duas almofadas. Estas também saltaram e ele não ficou bem tratado, embora menos que o americano.
    Quando chegou a vez do português, o carrasco julgou que ele ia pedir três ou quatro almofadas. No entanto, o pedido do português foi este:
    "Amarrem-me o espanhol nas costas e dêem-me 100 chicotadas".

    Desejo à MRP um bom fim-de-semana cultural de poesia, dita em português.

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    1. Excelente!

      (isto só comprova que a horrível/anedótica/maldosa/imbecil/desdenhosa palavra tuga foi inventada por um qualquer espanhol ressentido - e o mais curioso e lamentável é
      que há portugueses que gostam que lhe chamem tuga-).

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    2. Excelente (a anedota,do FC, claro).

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  2. Não fora o nacionalismo ter degenerado em doença no século XIX para terminar numa chaga monstruosa com 100 milhões de mortos e também eu gostaria de me situar numa nacionalidade entre outras numa Ibéria única. Assim, com um castelhanismo (ah, castelos, castelos) tão insuportável, sempre contra Madrid, seja a favor da Catalunha, do País Basco, seja lá do que for.

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  3. Várias considerações:
    1 - A Espanha, no fundo, não tem legitimidade para se chamar Espanha, pois o nome dado pelos romanos, Hispânia, incluia toda a Península Ibérica.
    2 - Dei aulas de português a um alemão que se preparava para se reformar e já tinha comprado casa no Algarve. Contou-me ele, um dia, que tinha um amigo espanhol e, quando lhe disse que andava a aprender português, o espanhol perguntou-lhe: "Porquê? Mais valia aprender espanhol". "Mas eu comprei a casa em Portugal"."E depois?"
    3 - Os louros da descoberta de Fernão de Magalhães pertencem a Espanha, sim! A Castela, mais propriamente.
    4 - Tive uma bisavó espanhola, por isso, também descendo em parte de "nuestros hermanos".
    5 - Gostei muito da expressão "nos anos 1980". Detesto, quando leio "do século passado". É uma embirração minha, pronto. Na maior parte das vezes, é totalmente desnecessário. Se eu digo, por exemplo, que conheci determinada pessoa, ou fiz isto ou aquilo, nos anos 80 ou 90, é preciso dizer o século? E, precisando, gosto muito mais "anos 1980", ou "anos 1960". É mais económico, mais leve, e toda a gente fica esclarecida.
    6 - Fico muito triste, quando leio algo como: "o problema era andarem sempre de cabeça baixa". Acrescento: o problema é que, ainda hoje, há quem aprecie. Infelizmente, muita gente. Por isso, as portuguesas hesitam em levantar a cabeça. Mulher de cabeça levantada, no nosso país, é logo olhada com desconfiança. E não só por homens!

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    1. Bom, bom, Cristina, essa de andar de cabeça levantada tem que se lhe diga. Eu sempre que levanto a cabeça deixo de ver o chão e espalho-me. E não é metafórico. Metafóricamente falando, levantar a cabeça no feminino dá trabalho e amargos de boca.Em certos meios da sociedade portuguesa - e talvez mundial - não é fácil ter presença. Incomoda.

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    2. Ter presença! É isso mesmo. (E, não, sinónimo de arrogância).
      Cabeça levantada, olhar os outros de igual para igual. Pode haver maior honestidade?
      Custa, sim, e uma pessoa espalha-se, por vezes. Porém, o mais importante, para mim, é ser fiel a mim própria.
      Andei mais de trinta anos de cabeça baixa. Chegou e sobrou.

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  4. Não vem a propósito, mas na terça-feira foi o dia internacional do livro infantil. A MRP e os Extraordinários contactam com esse tipo de literatura? Eu, apesar da minha idade, gosto de ler desses livros. É tão bom ler um bom livro infantil. Gosto sobretudo, de apreciar a criatividade, ou, então, a humanidade da obra. Teria sido um assunto giro para se falar (algum autor...)
    Que a viagem de ida da MRP tenha sido boa, e que a de regresso também seja. Boa conferência!

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    1. António Luiz Pacheco5 de abril de 2019 às 03:07

      Não sou leitor habitual, ou melhor já não… da literatura infantil que todavia acompanho, até porque há sempre sobrinhos (já netos!) para ler histórias.
      Sinceramente, acho que muita da literatura infantil nem por isso o é, parece que é antes literatura-infantil-para-quem-a-escreveu, se é que me faço entender. Ás vezes até parece que há uma preocupação em meter ideias pessoais do autor nas cabecitas.

      Cumprimentos cá da Cidade Morena.

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    2. Eu também não sou leitora habitual; gosto de autores que, se calhar, até se consideram mais para adolescentes: António Mota, Alice Vieira... apesar desta ultima se parecer preocupar um pouco com o politicamente correto. Também gosto do António Torrado. Já li qualquer crítica sobre um tal de Emílio Salgari e hei de ler, um dia destes. Mas, enfim, disse uma grande verdade: "às vezes até parece que há uma preocupação em meter ideias pessoais do autor nas cabecitas".

      Cumprimentos cá de uma Cidade não tão Morena!
      Cândida

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    3. António Luiz Pacheco7 de abril de 2019 às 11:37

      Olhe, Caríssima, o Emílio Salgari se bem que possa estar um bocadinho fora de contexto no espírito cavalheiresco dos heróis dos seus romances, que temos de colocar numa época romântica, é um dos Grandes Autores de romances de aventuras para jovens!
      Isto na minha sempre pouco humilde opinião… que vale o que vale.
      Se é apreciadora do género, vai gostar! O mais célebre dos heróis de Salgari, deve ter sido o eterno Sandokan, que deve ter ouvido falar ou mesmo visto em filme ou série.

      Gosto muitíssimo também da série "O capitão Tormenta", que afinal era uma mulher, já naquela época! Passa-se esta série de romances no tempo da famosa batalha de Lepanto, durante o conflito que opôs o império turco à república de Veneza e demais cristandade mediterrânica.

      Aconselho-lhe vivamente! Emílio Salgari.

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  5. António Luiz Pacheco4 de abril de 2019 às 07:56

    No fundo o que existe é ignorância, muita… de um e de outro lado da fronteira.
    Sempre tive relacionamento com Espanha, familiar, de negócios ou pela caça e pesca, tendo aliás alguns amigos espanhóis, e também familiares.
    Na verdade Pacheco significa "que veio de Espanha", e da Galiza vieram os meus antepassados, para a reconquista cristã.
    Nunca fui anti-espanhol, se bem que seja fiel à minha terra: sou barrão! Depois português e ibérico… europeu sinto-me muito pouco pois mais próximo dos africanos.
    No fundo sou, iberista!
    Não sou por isso traidor e nem renuncio a ser português, mas como não me sinto europeu, entendo melhor ser ibérico! Estou mais próximo de qualquer espanhol das diferentes autonomias do que dos franceses, belgas, ingleses, italianos, alemães, etc. .

    Oficialmente fui educado e formado a ser anti-espanhol, era assim na época em que nasci e fui à escola. Só que em minha casa não se era anti-espanhol e nem tal se cultivava… havia primos em Tuy e em Cáceres! O iberismo era assumido na família, e sempre ouvi dizer a meu pai que uma federação ibérica seria algo de importante para os dois países, o que mais força ganhou depois da adesão à UE.
    Se antes se era obtusamente anti-Espanha, depois passou-se a ser ingenuamente "europeu", e digo ingenuamente porque só quem não tenha tido um cargo de responsabilidade numa multinacional pode acreditar que a Europa nos considere melhor do que muitos consideram os africanos!

    Saudações africanas cá da Cidade Morena, e votos de um extraordinário fim-de-semana!

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