Caçada

Hoje homenageio o nosso caçador de serviço, António Luiz Pacheco, com este post dedicado a um livro que, segundo leio no Público, e de acordo com as declarações do director-geral das Belas Artes espanholas, é uma obra fundamental para o estudo da arte de... caçar! Pois, intitula-se Livro da Montaria e foi redigido no século XV, em pleno reinado de D. João I de Portugal, estando há muitos anos guardado na Galiza, no Arquivo Provincial de Lugo. Acontece, porém, que um qualquer aficionado da caça (ou seria alguém apenas mal formado?) não resistiu e roubou (caçou) em 1995 uma folha deste volume emblemático da literatura medieval portuguesa, fragmento manuscrito que, ao desaparecer, deixou a obra incompleta. Mas a Polícia de Espanha conseguiu recuperar a dita folha no ano de 2014 (custou, mas foi), e o Ministério da Cultura do país vizinho responsabilizou-se pelo seu restauro e digitalização, tendo-a devolvido agora ao livro e à Galiza, onde pode ser de novo consultada, quiçá pelo nosso caçador Extraordinário. Tudo está bem quando acaba bem.

Comentários

  1. (colocando as "caçadeiras" de lado, é uma boa forma de homenagear o nosso grande animador da caixa de comentários das "Horas" - que para a maior parte de nós são minutos rápidos - que nos faz companhia, nos confins da sua Cidade Morena, e que por vezes é mal entendido, por não prescindir de ter opinião...)

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  2. Já tinha um motivo para um dia ir a Lugo, ver as muralhas romanas da cidade. Agora já tenho dois, se me for permitido ver o livro.
    Nesse tempo foram, então, produzidas em Portugal duas grandes obras, pois o rei D. Duarte, filho de D. João I, escreveu a Arte de Bem Cavalgar.

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  3. Deve tratar-se do original, escrito em pergaminho, o qual se encontrava na livraria do Colégio da Companhia de Jesus em Monforte de Lemos, na província de Lugo. Há uma cópia em Portugal, datada do séc. XVIII e uma outra do séc. XVII.
    A questão que coloco,é esta: como foi parar fora de fronteiras um livro redigido por ordem de D. João I de Portugal?
    Se é certo que um familiar do Pacheco, alcaide de Ferreira d' Aves, combateu sob as hostes de D. João I e até ajudou a fazer as pazes com outros dois alcaides para se conseguir uma estrondosa vitória sobre os castelhanos na Batalha de S. Marcos, seria justo pensar que o António Luiz, caçador na terra e nas profundezas do mar, achará por bem reivindicar esta obra para Lisboa, já que na cidade Morena não há lugar para ela.

    Ao nosso caçador, um grande abraço desta terra onde combateu o seu ancestral.

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    1. António Luiz Pacheco11 de abril de 2019 às 07:18

      Ahahah! Calma aí meu caro, o pendão dos Pacheco, com as suas caldeiras beirãs, chegou ainda a horas de participar decisivamente na vitória da hoste portuguesa sobre a castelhana!
      Atrasados, mas presentes! Eheheheh!

      Com efeito, mantivemo-nos lá por cima, e se o meu amigo descer até às encostas do rio Douro, vai poder visitar a Casa Cimeira, erigida por um tetravô meu, que hoje é pousada!
      O meu ramo, desceu ao Ribatejo já no século XIX.

      Um grande abraço para essa terra ancestral de Gente Boa!

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  4. Parece-me feliz e oportuna esta homenagem da MRP!
    É que o António Luiz Pacheco é já uma companhia imprescindível e um dos grandes animadores deste belíssimo blogue que, tal como salienta o bloguista Luís Eme (vale a pena visitar o seu "Largo da Memória"), por vezes, é mal entendido por não prescindir de ter opinião.

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  5. Sim, creio que houvera (tempos outros) a excelência em caçadas. A dispersão em vigorosos cheiros de mato e capitães de mato entre mateiro(s) e embuete(s). A crença de marfim e presas, mais simbólicas que necessárias. Haverá sedução em livros que se pertencem, páginas da história?

    Cláudia da Silva Tomazi

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    1. António Luiz Pacheco11 de abril de 2019 às 07:25

      Cláudia: há magníficos livros de caça, muitos!
      Há caçadores-escritores, ou escritores-caçadores não sei, que nos deixam obras para sempre e muitíssimo boas, até literariamente, não apenas na vertente cinegética.

      Creio que o primeiro grande caçador autor foi o francês Gaston Phoebus conde de Foix, entre 1387 / 1389. Claro que já romanos haviam escrito sobre o assunto, mas este deve ter sido o primeiro grande livro dedicado à caça!

      Saudações cá deste lado do Atlântico.

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    2. Agradeço vos a contribuição, caríssimo. Em se lhe tratar opiniões, magnífico (a mim) o Cape Horn. Livros são lâmpadas à iluminaram vielas do pensamento; essas raras avenidas de vossa sabedoria. Bem, hoje é teu dia. Só mais a breve, ditoso Pacheco e bem o sabes como franceses, faziam as lebres do Lore, fedorentos. Outros tempos, outras cenas; já nem animais os vemos na inquietude de planícies, rios ou corredeiras. Resta-nos as obras e creio vossas guardadas, estão.
      Cá deste lado do Atlântico.

      CST

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  6. António Luiz Pacheco11 de abril de 2019 às 07:54

    Agradeço sentidamente a homenagem, e sinto-me muitíssimo distinguido pela inesperada atenção da Nossa Extraordinária Anfitriã.
    Eu mera traça dos livros que por aqui esvoaça atraída pela Luz deste espaço Extraordinário, rejubilo igualmente e agradeço, os comentários de apreço dos meus amigos Extraordinários!
    É bom sentir que somos compreendidos e ainda melhor se apreciados!

    Portanto hoje deram-me um dia feliz, que aliás já o estava a ser pois consegui empregar como funcionária de limpeza uma moça minha amiga, que conheço vai para muitos anos e cujos filhos andam vestidos com as roupitas dos netos da minha mulher, moça esta (de curioso nome Feliciana) que estava desempregada desde Dezembro porque os engenheiros da empresa portuguesa que lhe dava trabalho - também arranjado por mim - foram embora para Portugal. Solteira e com 2 filhos pequenitos, a vida aqui é particularmente dura, não há subsídio de desemprego e não tem família próxima, pois em pequenita foi mandada para uma casa, ser educada e aprender a servir. Aqui ainda é assim… ainda era há 25 anos e ainda é hoje, mesmo depois da revolução e da dita independência.
    Também cá ando para ajudar os outros, sempre que posso, e, tento ajudar os que me estão próximos pois sei que não poderei salvar o Mundo. Também faço mal, certamente, mas nem por isso de propósito.

    Quanto ao Livro da Montaria: O Clube Português de Monteiros, uma prestigiada e prestigiosa OSC (organização do sector da caça) de cuja direcção fiz parte, editou nos anos 80 ou 90, para venda aos seus associados e interessados, o referido livro.

    Respeitando o texto original, sendo embora de leitura menos fácil a quem como eu não tenha essa prática, é um livro muitíssimo completo e rico, que espelha a paixão do seu real autor e os conhecimentos que tinha. Constitui sem dúvida um marco histórico, se nos lembrarmos que foi escrito em 1400 e poucos.

    Grato a todos que me leiam, que tenham um dia tão bom como o meu, são os votos cá desde a Cidade Morena!


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    1. A homenagem foi merecida e o agradecimento não lhe ficou atrás. Gostei especialmente desse bom naco de prosa "mera traça dos livros que por aqui esvoaça atraída pela Luz deste espaço Extraordinário", que é uma metáfora bem aplicada e bem imaginada.
      Há ainda a admirar o gesto humanitário do Pacheco em relação à desempregada, o que denuncia uma boa alma para ajudar o próximo. É mais um atributo para o pendão dos Pacheco, de quem D. João I (que mandou fazer o Livro da Montaria), agradecendo a manobra militar e a conciliação, disse: "Bem sabia eu que me faria isso o bom João Fernandes Pacheco".

      Um abraço deste planalto da batalha de má memória para os castelhanos e onde nem as traças se querem.

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