Crónica e abusos
Hoje é dia de partilhar a crónica:
https://www.dn.pt/edicao-do-dia/16-mar-2019/interior/o-verdadeiro-metodo-de-estudar--10676106.html
Li no Expresso um artigo muitíssimo interessante de Clara Ferreira Alves (grande fã de Michael Jackson) sobre Leaving Neverland, o documentário em que dois homens ainda jovens falam pela primeira vez publicamente dos abusos sofridos às mãos de Michael Jackson quando eram crianças. Recomendo a sua leitura e, se se derem ao trabalho, perceberão porquê: não se confunde a admiração sentida por um artista com os actos terríveis da sua vida privada. O que não posso recomendar é a entrevista ao The Times em que a amiga do artista Barbra Streisand minimizou os danos sofridos pelos dois homens ao dizer que os actos pedófilos de Jackson não os mataram, que eles até se casaram e tiveram filhos, e que o músico devia ter necessidades sexuais especiais por causa do que lhe aconteceu na infância (parece que ele próprio foi vítima de abusos). Depois pediu desculpa, mas... foi tarde demais. As necessidades especiais de Michael Jackson eram certamente de tratamento psiquiátrico pelos traumas de infância, e a pedofilia não pode funcionar como terapia em caso algum. Barbra também está a precisar de tratar da cabecinha. E de ler o artigo do Expresso.
Bom dia com alegria
ResponderEliminarA Clara Ferreira Alves escreve maravilhosamente bem. É uma das razões porque ainda compro o Expresso.
Quanto ao sincretismo com que encaramos certas personalidades, posso confessar que tenho um familiar próximo, engenheiro civil, que ainda hoje, depois de malas de dinheiro vivo e apartamentos de luxo em Paris, acredita piamente na inocência do ex-primeiro ministro José Sócrates.
Firme e hirto nas suas convicções, mas incapaz de estabelecer um diálogo intelectualmente honesto com quem tenha opinião diversa, acredita que todos esses fariseus (os que olham de soslaio para Sócrates) vivem numa "realidade alternativa".
Adeus futuro, benvindos à era da pós-verdade.
https://twitter.com/martinshovel/status/804968341471457280?lang=en
Bom fds
CP
Inteiramente de acordo consigo.
EliminarO génio não justifica nada.
Não vou deixar de ouvir M.Jackson… porque consigo sempre separar a obra do autor, e, uma vez mais o digo aqui, estaria mais pobre se deixasse de ler, ouvir ou ver, obras de autores com perturbações, comportamentos, opiniões e actos, que não só não apoio mas até condeno.
É assim a vida e é assim o Mundo em que vivemos.
Tenho grande apreço por Clara Ferreira Alves, que considero "uma mulher e pêras", tendo-me habituado a ler as suas crónicas caprichosas e caprichadas ao longo de muitos anos.
Bom, vou ler a sua crónica, e já agora lhe digo que também as vou considerando de alto nível!
Um fim-de-semana Extraordinário, são os meus votos desde a Cidade Morena.
P.S. Vi há dois ou três dias, por acaso e porque vejo pouca TV, o que poderia ter sido um excelente filme sobre a vida do nosso já aqui falado J.D. Salinger . Isto a propósito de pessoas com algum tipo de perturbação, que ele manifestamente sofria, ainda que tenha sido trauma de guerra. E, se digo "podia ter sido" , é porque me parece que faltou algum condimento ao filme, por exemplo nem é aflorada sequer a amizade que estabeleceu com H. Hemingway , durante a guerra. Também não se deu relevância bastante ao que fez durante a guerra, na sua actuação em campos de concentração e na actuação como tradutor de documentos na espionagem, no interrogatório aos nazis, etc. Tudo isso o marcando muitíssimo, e certamente agravando alguma perturbação que já possuiria. Salinger é uma figura interessantíssima, e acho que o filme não lhe fez inteira justiça… apesar de ter gostado de ver!
Nas "sociedades económicas" não são as atividades políticas que determinam mas é destas que se ocupam as TVs, sejam as inaugurações e as conferências de imprensa dos ministros, sejam as malas de dinheiro de ex-governantes. Do realmente importante nada informam, a não ser que os males há muito tenham sido feitos, sejam os créditos concedidos pelos bancos com o dinheiro que os depositantes lá põem, sejam os assassinatos de uns sócios a outros por causa de vantagens empresariais. Podemos então saber mas então já nada se pode fazer, nem sequer usar o voto punitivo.
ResponderEliminarSim, é mesmo preciso saber distinguir a pessoa da obra que cria. No fim-de-semana, vi um tele-filme sobre a vida de Brecht e o seu carácter deixava bastante a desejar. Além de ser um grande manipulador de mulheres e de nunca ter ligado aos filhos que teve de várias (não lhe dava jeito assumir a função de pai), também nunca criticou a ditadura comunista da RDA, mesmo depois de um ator seu amigo lhe descrever as torturas a que tinha sido sujeito pela STASI.
ResponderEliminarEnfim, as obras são magníficas, sem dúvida.
Não sei porquê nunca gostei da personagem nem da sua música. Premonição? Gosto sim do Ray Charles, do Nat King Cole, das Supremes, e tantos outros . Então aquela mania de querer ser branco revela a paranóia de que sofria .Paz à sua alma, não batam mais no branquelas que não conseguiu ser.
ResponderEliminar"dois homens ainda jovens falam pela primeira vez publicamente dos abusos sofridos às mãos de Michael Jackson quando eram crianças." Foi há muitos, portanto bastante difíceis de provar ou mesmo impossíveis. Mas, nestas coisas, parece que não é preciso provas, basta acusar para ser verdade. É assim?
ResponderEliminarViu o documentário? Se não, veja e tire as suas próprias conclusões. É difícil, ou mesmo impossível, não acreditar nos dois homens depois de ouvir testemunhos tão detalhados.
EliminarViram aquela cândida carinha de verdadeiro espanto do Victor Constâncio quando confrontado sobre a gatunagem da CGD? Não me digam que aquela balofa carinha de bebê (com os oculinhos que usa desde a mais tenra idade) é culpada de alguma coisa? Aquilo é um verdadeiro santinho e alguém acreditará que aquele anjo é capaz de se portar mal ou mexer numa palha que não seja dele? Bem sei que quem vê caras não vê corações mas, meus caros amigos, aquela cara é a cara do futuro papa Constâncio (o 2°.português), ou duvidam?
ResponderEliminarEsse manhoso do Constâncio é esperto e tem-se servido da política para conseguir os seus intentos.
EliminarPara isso escolheu bem o partido que se ajustava à sua ambição, o PS onde cabem lá todos desde o Veiga Simão ao Palma Inácio.
Mas no fundo tenho pena dele o homem há 40 anos que cheira a naftalina, não há traça que resista a este abexim.