Sete rosas mais tarde

É assim mesmo (Sete rosas  mais tarde, roubado ao poema «Cristal», de Paul Celan) o nome de um ciclo dedicado à solidão que terá lugar no Centro Cultural de Belém durante este mês de Fevereiro e a primeira quinzena de Março. Partindo de textos literários e/ou dramáticos de Dostoévski (Confissões de Um Coração Ardente), Hermann Broch (A Criada Zerlina), Jorge Amado (Os Capitães da Areia) ou até a obra poética do já referido Celan (que será objecto de uma conferência de João Barrento, professor de literatura alemã e grande tradutor), a solidão promete tornar-se epidémica no bom sentido (já o é no mau, infelizmente, com meio mundo metido em casa a olhar para um ecrã e a falar com os «amigos» das redes sociais) e estender-se ao teatro (grandes encenações e interpretações no horizonte), à dança e à música (haverá ópera, música sinfónica e música de câmara – para todos os gostos). Tudo para nos sentirmos menos sozinhos, de certeza, e além disso para vermos como tantas formas de arte trataram o tema desta experiência radical e universal que é a solidão. (Gostei do título de uma performance chamada «Sozinhar» no dia 16 de Março.)

Comentários

  1. Bom, o que m'a mim parece, é que Cem anos de Solidão, Robinson Crusoé, e, variadíssimos livros chamados "Navegador solitário", desde João Aguiar ao clássico Joshua Slocum ou ao mais recente Eric Tabarly … seriam literatura mais adequada ao tema!

    A solidão-solitária é diferente da solidão-em-sociedade, esta a que hoje se vê e a que refere, sobre as pessoas que vivem viradas para si mesmo. Podem até comunicar e estar acompanhadas, mas estão solitárias e não o percebem.

    Quem tenha livros para ler, jamais estará solitário, por muito que haja googles e essas outras formas de isolamento acompanhado.

    Saudações eventualmente solitárias cá da Cidade Morena!

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    1. Realmente solidão é estar no meio de uma multidão numa rua de Nova Iorque e não sozinho num monte alentejano!!!!

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  2. https://www.facebook.com/souchurch/videos/1829894813974325/?__xts__[0]=68.ARBqCkGt-SFW7clAWaEluKk5DOSkm99yTM6KuSphA80FgfqYKBL-KeYk1OxVtKz6dc0mS_wwAkoFh4By-JBM7ucITVStjBF89tLdiEH6E5sLhd77A2-CoU5tVCwJ3KgtIkEO14TTAFXqTFuCK4pKb2yHPRzP4UrwlovlmYPP8l4YTWNO2zkcZ07Aimz4YHBHctiR7mvYO_qtp3Nw3W1_hN9UFuzob8zS9wOZrzHw5G3ANnUbxOKrkDiLXnjsj-e-fSf1BVZs_d6BW0cVtIPyfn3JZfOZBJBVHUvjnsBqtkl8md2ZyREXQaYlzN9JvxZ1Nwt9qS1LRqkyjH30EkTqGh_hyjPh_gDyE1UU0mN5mFsCgf99uLlDXKHNeru2E5LavQ&__tn__=H-R

    Vejam …

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  3. ALGUMAS ROSAS AINDA MAIS TARDE EU DIRIA MESMO:

    ~99uLlDXKHNeru2E5LavQ&DOSkm99yTM6KuSphA80Fgf
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    Hw5G3ANnUbxOKrkDiLXnjsj-e

    … E AINDA!:

    Çlç.ºH6E5sLhd77A2-CoU5tVCw678

    Pois lá diz Maria do Rosário:
    « (…) Tudo para nos sentirmos menos sozinhos, de certeza, e além disso para vermos como tantas formas de arte trataram o tema desta experiência radical e universal que é a solidão. »

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    1. Uma rosa mais tarde: -- Anónimo quer dizer Joaquim Jordão

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    2. Mas o anterior anónimo não sou eu.

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    3. (...isto é que é a "experiência radical e universal que é a solidão",,,)

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    4. (... Pois... Lá está a tal coisa que diz Mª do Rosário: -- "a solidão promete tornar-se epidémica no bom sentido".)

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  4. O poeta James Russell Lowell disse que a "solidão é tão necessária para a imaginação como a sociedade é saudável para o carácter".
    Poucos há que suportam estar sozinhos; a prova disso é a partilha de "gostos" e amizades virtuais no "face" que não é "book" e as caixas de comentários nos blogues. Muitos destes estão sós... acompanhados.
    Há, por este calcorrear de ideias, aquilo a que eu chamo, à falta de melhor, os falsos solitários, o que me faz lembrar aquele ditado popular - dos que não comem mel, livre-me Deus o meu cortiço.

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    1. Pelo que me diz respeito, concordo inteiramente com J.R. Lowell.
      Sobretudo no que a criar (seja arte, ciência, filosofia…) diz respeito. O isolamento, o retiro, é-me fundamental para reflectir. Se bem que seja dos que reajam bem sob pressão, é um dos pontos relevantes no meu CV e uma característica que fui desenvolvendo, ocorrendo-me ideias tantas vezes em meio de reuniões e até inspiradas pelos outros intervenientes, mas sinto que tenho de me isolar para reflectir e amadurecer as mesmas.

      Com quantos de nós é assim? Com muitos, se bem que haja diferenças e conheço quem seja precisamente estimulado quando está em grupo, como aqueles que ficam pura e simplesmente bloqueados.

      Um abraço apícola, cá de uma terra de mel - muito e bom!

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  5. Dizia o poeta Robert Browning :"Quem ouve música, lê poesia (ou contempla Caravaggio, direi eu) sente a sua solidão / de repente povoada".

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  6. Sair de casa, percorrer a rua solitária, entrar no Parque das Perdizes, - ao lado do dos Poetas, Oeiras, - regressar pelo mesmo caminho, voltar a percorrer a rua, entrar em casa. Casa solitária, rua solitária, parque solitário! À parte isto, as ervas espontâneas cedo floridas, alguns pardais, alguns melros, novos rebentos nas árvores, assim, temporões, rasteirinhas pequenas margaridas mal-me-quer-bem-me-quer, ...e mais nada! Solidão!

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