Retratos ambíguos

Li no Público da semana passada (na véspera da viagem, julgo eu), que os desenhos que as crianças fazem de si próprias variam consoante a pessoa que as observa enquanto desenham (e as respectivas autoridade e familiaridade em relação à própria criança). Assim, se um menino estiver a desenhar o seu próprio rosto ao lado de um polícia que não conhece, é mais susceptível que o desenhe triste; mas, se uma menina estiver a representar-se ao pé da mãe ou de alguém de quem goste e que goste dela, provavelmente o resultado será o oposto, uma carinha risonha. O estudo incluiu 175 crianças de 8 e 9 anos no Reino Unido e foi levado a cabo pela psicóloga Esther Burkitt, que queria provar que a expressividade das crianças varia com a sua audiência (o que podia ser mais ou menos óbvio a nível de reacções ao conhecido/desconhecido, mas já não tanto no que toca ao desenho propriamente dito) . Bem, quando eu era professora, lembro-me de que tínhamos de trabalhar o retrato físico e psicológico na aula de Português e pedir aos alunos que fizessem o seu auto-retrato por escrito. Será que este exercício estará igualmente ligado à «expressividade» e que, tendo uma professora querida e simpática, a miudagem se descreve de uma forma mais positiva e, no caso contrário, deixa sobressair o menos bom? Um psicólogo que o estude – eu cá não sei a resposta.

Comentários

  1. Nós enquanto crianças e adolescentes somos muito influenciados pelo mundo que nos rodeia. A vontade própria vai crescendo também connosco.

    Por essa razão percebo os resultados do estudo, e penso que aconteceria o mesmo no exemplo da Rosário (a alegria e a tristeza são decisivos, assim como a simpatia e a antipatia, no nosso comportamento, e ainda mais no das crianças).

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  2. O seu blog nunca desilude. Os textos até podem ser pequenos, mas partilham sempre algo interessante e convidativo à reflexão. Obrigada :)

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  3. Bom dia

    Como alguém dizia, uma sinapse é do domínio da neurobiologia. Duas ou mais já é psicologia.

    Acredito que se pode estender a idades mais avançadas o fenômeno descrito, e nas formas mais bizarras.

    Para mais esclarecimentos, contactar sig_freud@inconsciente.org

    Boas leituras
    Cpedro

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  4. É um exercício que faço muitas vezes com os meus sobrinhos (8 e 5), pedir-lhes que desenhem a família. A interpretação daqueles desenhos sugere informação absolutamente reveladora do que vêm à sua volta, dos grau dos afectos, da centralidade que dão a este ou aquele elementos da família. É enternecedora esta observação.

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  5. Nunca teria imaginado tal, e, confesso que me escapa a utilidade dessa conclusão - salvo por razões óbvias do interesse de diagnóstico médico psicológico.

    Mas, depois de ler os comentários, concluo que pode servir para o educador ou mesmo os pais, terem uma forma de aferir como a criança se insere na escola ou na família.

    Sudações cá de Cidade Morena, onde está calor húmido!

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  6. Eu gostaria de saber o que pensa a senhora dos desenhos infantis que são autoretratos feitos a sós. Crianças que gostam de desenhar fazem-no muita vez a sós ou em lugares públicos. Mas os psicólogos utilizam essas técnicas do desenho, tal como outras. Não sou entendida no assunto. Mas lembro-me de uma colega contar que foi massacrada com os psicólogos escolares - ela e os pais - porque lhe pediram que desenhasse a família e, sem jeito para desenho e farta dos bonecos, pintou (foi mais riscar) tudo com lápis preto.

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