O que ando a ler

Pode parecer estranho (e é), mas ando a ler As Aventuras de Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle, não tanto por ser uma amante do género ou uma apaixonada do autor, mas porque me interessa muito uma coisa chamada «lógica dedutiva», ou seja, a quantidade de coisas que se podem deduzir só de olhar para alguém (função, origem, nacionalidade, temperamento, personalidade, saúde) ou de observar alguma coisa. O senhor Holmes é um ás nisso e, por vezes, o cliente nem precisa de lhe dizer quem é e ao que vai, porque ele em três tempos adivinha tudo. Há muitas adaptações das aventuras do detective, seja em televisão, seja em filme, e todas representam Holmes com um chapéu de fazenda aos quadrados e um cachimbo curvo, mas a verdade é que nos livros não existe tal descrição, e li algures que foi numa peça de teatro que o encenador introduziu esse dado que ficou para sempre. Uma coisa que desconhecia até há pouco tempo é que Conan Doyle era um médico com muito tempo livre (tal como Watson, que é o narrador das aventuras e um admirador incondicional do detective) e escreveu livros sobre tudo e mais alguma coisa, incluindo espiritismo. Boas leituras.

Comentários

  1. Bom dia. Estou a ler Café de Mario Andrade.

    Cláudia da Silva Tomazi

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  2. Bom dia. Ando viciado em biografias. Leio a de Anton Tchekhov, um dos meus escritores preferidos (os melhores contos e o melhor teatro que conheço) e a do poeta W.H. Auden, que passou um tempo em Portugal (Sintra) com Christopher Isherwood (onde escreveram uma peça de teatro nos anos 30). Boas leituras

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    1. Subscrevo tudo o que diz acerca de Tchekov. Também um dos meus favoritos.

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  3. Eu tenho andado bastante longe do Sherlock Holmes. Li 'Murphy', estou a ler 'Watt', seguir-se-á 'Molloy' de Samuel Beckett. Ah, e os 'Dias felizes'! Pura maravilha. Sinto-me como peixe na água!

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  4. Acabei de ler "Sunset Park", de Paul Auster. Gostei.

    Antes li "Andam Faunos pelos Bosques", de Aquilino Ribeiro, que recomendo, pela riqueza e singularidade daquele português (grande banho de palavras que já não se usam "há séculos"...).

    Estou no começo de um ensaio sobre a Lisboa fascista, de Neill Lochery, "Lisboa, a Cidade Vista de Fora, 1933 - 1974".

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  5. O pior são os outros: os que não adivinham nada e erram todas as deduções (a maioria, por sinal) :-)
    Boa semana!

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  6. Lembrou-me o frade que Humberto Eco criou n'O Nome da Rosa. Deduzia num ambiente cultural medieval. Ao seu discípulo deu Eco o nome de Adso. Tudo inspirado em Sherlock Holmes.

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  7. Também não sou grande fã do género de Doyle, mas agora que sei que foi médico, compreendo melhor o seu fascínio pela lógica dedutiva, tão relevante na (boa) prática clínica. Infelizmente hoje em dia a medicina parece depender mais de catrefadas de exames e menos de um certo grau de suspeita intuitiva.

    Por estes lados lê-se, com grande prazer, a beleza e a tristeza de kawabata.

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  8. Há muitos anos li todos os livros do Sherlock Holmes e gostei.
    Depois passei a ver os filmes e as séries, e não está nos meus planos voltar a ler esses livros.
    Neste momento, e por motivos de força maior, não estou a ler nada; não consigo concentrar-me, o pensamento foge das páginas...
    Debico apenas um poema aqui e ali...

    Maria

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  9. E, já agora, para além das vestimentas e o cachimbo, a célebre expressão "elementar, dr. Watson" também nunca aparece num livro do Conan Doyle. Estou atualmente a ler aquilo que para mim são "Os Maias" do País Basco do período da ETA ativa: o longo romance "Pátria" de Aramburu. Um mundo humano e cultural novo que me é revelado por um grande escritor. Porque será que nós por cá não lemos as grandes obras dos grandes autores espanhóis ? Também estou a ler (são capítulos independentes de 1 a 2 páginas que se leem num ápice) o conjunto de ensaios curtos com o título "Mulheres" de Eduardo Galeano sobre notáveis que foram marcando a história da humanidade, boa parte delas que desconhecia, um bom número da América Latina. Cada resenha, uma pequena pérola. Galeano começa o seu livro simbolicamente com um retrato de Sherazade, que até não é uma mulher real com as outras por ele escolhidas, mas é a mulher que cria literatura para adiar a morte, ou seja, faz o que faz todo e qualquer escritor, e todo o humano que ocupa o seu tempo inventando.

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    1. Cara Maria do Rosário, muito obrigado pelo seu comentário. Até é possível que tenha lido o seu post e que essa sua recomendação tenha fortalecido a minha vontade de ler o romance do Aramburu, vontade essa que já vinha de saber que o livro tinha sido (e continua a ser) um best-seller em Espanha e, também, pelo facto de ter sido votado pelos críticos do "El País" (Babélia) como a melhor obra original publicada em 2017. Vou a mais de meio da sua leitura e o prazer mantém-se, mesmo que a intensidade dramática do início não seja, como é natural, sustentável ao longo de toda a narrativa. É uma obra de grande fôlego, com uma estrutura de personagens que é complexa e muito bem arquitetada, lembrando a de "Os Maias". A obra-prima do Eça é obviamente melhor pela sua superior qualidade estilística e pela ironia que o nosso autor põe, de quando em vez, no texto; o "Pátria" é um livro duro em que há poucas amenidades ou doçuras. Recordo apenas uma, que me deliciou: a do homem que se deitava antes da mulher, que ficava a ver tv, e no inverno o fazia no lado da mulher que quando se metia na cama lhe tocava e ele, sem acordar, rodava para o seu lado oferecendo-lhe quentes lençóis. Não vejo melhor exemplo de um amadurecido

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    2. PÁTRIA-grande obra!
      Nem todos os best sellers são mais fama que proveito.

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  10. "Os Peixes Também Sabem Cantar" de Halldór Laxness - o real como utopia.

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  11. Acabei de ler Magalhães - O Homem e o seu Feito de Stefan Zweig, muita informação que desconhecia em ano de comemoração; comecei Sobe a Maré Negra de Margaret Drabble meditação sobre o envelhecimento e a morte e também Tess dos D'Urbervilles de Thomas Hardy . Já vi em tempos o filme do Polanski com a Nastasia Kinski, estou curioso para ler o original. Gostei do Mayor de Casterbridge do mesmo autor.

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  12. "Manobras de Guerrilha" de Bruno Vieira Amaral - Crónicas (dispensava o Chalana, só para encher...)

    Creio ter lido todos os seus livros anteriores. Este é o que menos me entusiasmou (vou na página 205, são 280, e já não há muitas expectativas para as restantes — a ver vamos —).

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  13. Maria (das 12:09),
    Que coincidência. Também acabei de ler um Kawabata (Mil Grous) e esse universo tão peculiar atirou-me para outro que já comecei (A Casa das Belas Adormecidas).

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    1. A Maria das 14.15h por acaso também gosta do Kawabata, só que apenas leu o "Terra de Neve".
      Mas espera ler mais...

      Maria

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  14. Pois eu li em tempos Conan Doyle e com muito prazer, ansiando pelo livro seguinte. Lê-lo para lhe apanhar o jeito dedutivo é que suponho não faria, sou péssima a deduzir e não creio que ali aprendesse o método.
    Ando a Ler "Silêncio" de Teolinda Gersão, e o último livro de Lobo Antunes.

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    1. Concordo consigo, cara Bea, no que diz respeito ao "aprender o método". Trata-se de ficção muito bem construída, ou seja, os indícios para que o famoso detetive possa fazer as suas deduções são criados e ali postos pelo autor, a fim de que tudo encaixe, e não me parece que tenham alguma utilidade no mundo real. "Elementar, caro Watson" ;-)

      Se a Maria do Rosário quiser aprender alguma coisa quanto ao deduzir sobre o carácter humano, por exemplo, será melhor ler livros de psicologia, que os há muito bons e que explicam, como, através da pose, de gestos, do jeito de olhar, de vestir, etc, muito dizem sobre a pessoa. Também dá jeito praticar com fotografias, ou seja, ver a fotografia de alguém e tentar deduzir quanto ao seu carácter. Quanto a outro tipo de deduções: olhos bem abertos e, como tudo, praticar, praticar, praticar.

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    2. Oh, muito obrigada por tudo tão bem explicadinho. Mas que grande lição para quem a queira tomar. Para mim seria aborrecido andar a somar factores e a observar para catalogar. O género humano é complexo, sim. Mas gosto da novidade inexplorada que oferece. Não sei o carácter de ninguém pelos gestos, nem pela roupa, mas ambas as características são factores distintivos. E, como diz o povo, os olhos não mentem. Mas fazer os outros previsíveis é também preparar respostas para a previsibilidade, o que é menos interessante.

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    3. Não se aflija, Bea! Por mais que saibamos combinar e deduzir, haverá sempre imprevisibilidade. Até para o Sherlock Holmes ;-)

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  15. Ando a ler "A praia de Manhattan " de Jennifer Egan.
    Muito bom!

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    1. Acabei esse este mês, e também gostei bastante.
      Suzana

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  16. Conan Doyle, foi um prolífico escritor! Celebrizado pela criação do famoso detective, porém escreveu muitos outros romances de aventuras sobretudo, como o Mundo Perdido, A Companhia Branca, O Regresso das Fadas… até a Grande Guerra dos Boers, tudo em vários géneros!
    Actualmente e sempre ligado ao policial, é na actualidade pouco referido, como aliás Rider Haggard ou Edgar Rice Burroughs, e mais alguns mestres da aventura fantástica!

    Como também gosto e muito de biografias, li, da nossa Extraordinária Cristina Carvalho, A Saga de Salma Lagerlof. A não perder, aconselho vivamente, é inspirador e um livro muito bonito, escrito com a alma! Há e instala-se entre nós e "elas" (autora e biografada) uma estranha cumplicidade, embarcamos também na viagem pelo tempo e memórias de uma mulher notável, de quem ficaremos amigos. Notável.

    Ainda dentro do género biográfico: Pedaços de alma - Amândio Martins, uma memória encantadora da vida e lembranças de um duriense que se fez ao Mundo! Daqueles portugueses ignorados mas capazes de fazer coisas que deviam saber-se.
    Não só vale a pena ler, como vale a pena falar do projecto Arquivo dos Diários, quem editou o livro, o qual consiste num grupo que se dedica justamente a reunir estas memórias avulsas e anónimas de gente incomum mas desconhecida!
    Aconselho os Extraordinários a procurarem estes Arquivo dos Diários, seja como fonte de consulta para trabalhos ou escritos, seja mesmo para ler e se inteirarem destas memórias.
    www.arquivodosdiários.pt Fica o link, vão lá…

    Leviatã, em busca dos gigantes do mar - Philip Hoare, foi outra leitura fabulosa que fiz, mas que não interessará a todos…

    O Velho Expresso da Patagónia, Paul Theroux. É sempre uma viagem ler este Extraordinário autor, uma viagem aos lugares e neste caso também à literatura. Genial! Aconselho a quem goste de literatura de viagens e de literatura pois ele vai levar-nos também a ela…

    Glórias e desaires da história militar de Portugal - Abílio Pires Lousada. Uma excelente abordagem e interessante visão deste conhecido investigador e professor da história, que explica e relata muita coisa que uns e outros gostam de glorificar ou denegrir, só porque sim… devia ser de leitura obrigatória!

    Li ainda, Contos do Portugal Profundo… não comento obviamente, mas aconselho a todos.

    Ando a ler um belíssimo western, pena que vou já quase no fim… Os irmãos Sisters de Patrick De Witt… premiado e com razão, pois é um livro excelente!

    Saudações cá da Cidade Morena, de um dia feriado e de pesca!

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    1. Desculpem a péssima escrita… resultado do mau comportamento da internet e de ter andado a colar e a copiar de um lado para o outro para conseguir enviar o meu comentário! Com a pressa acabei por não fazer revisão, e, deu nisto…

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