Crónica e Pessoa
Aqui vos deixo o link da crónica em dívida:
https://www.dn.pt/edicao-do-dia/02-fev-2019/interior/kundera-e-o-pequeno-ecra-10509639.html
Aproveito para dizer que amanhã às 15h00 a casa Fernando Pessoa organiza uma visita de uma hora dedicada a pais e filhos, tios e sobrinhos, avós e netos... As crianças irão descobrir a vida do poeta, os adultos os cantinhos à casa. Os mais pequenos pagam 2 euros (na verdade, o preço é esse até aos 12 anos) e os crescidos 4 euros. E o que é mais bonito é que esta actividade de visita à casa, sob marcação, está também disponível para surdos, em língua gestual. As inscrições fazem-se neste link: servicoeducativo@casafernandopessoa.pt
Bom dia!
ResponderEliminarEstou só à espera de um toque para ir na Baía Farta (aqui é assim que se diz!), mas descansem que já renovei a ração de migalhas à passarada (anda ali uma rolita que caiu do ninho na figueira e mal vôa, espero que melhore nesta função antes que o gato dê por ela!), e, dei dois pães ao guarda Brazil, para haver igualdade homem-bichos!
Bom:
Parte 1
Vão levar crianças a descobrir um escritor censurado por uso de linguagem obscena? Um colonialista e ainda por cima monárquico? Um tipo que de dedicava ao ocultismo e se questionava se não seria mais feliz casando com a filha da lavadeira, portanto um explorador fascista, que praticava a distinção social?
Intolerável, devia haver uma petição pública contra essas visitas de jovens influenciáveis a tão funestas situações.
Parte2
Quanto ao teor da crónica, acutilante e muito bem, como tem sido costume, eu diria que a televisão não era a do fascismo e sim do país!
Era uma televisão feita para as pessoas, em que havia uma real e manifesta preocupação com a cultura, onde os programas eram de modo geral bons e interessantes, mas claro está, dentro do que então havia para oferecer que até era bom e variado. Hoje seria diferente, é diferente, a palavra de ordem é intoxicar e alienar, bem mais do que no Salazarismo que televisivamente foi manifestamente superior, enfim, pelo menos nisso, que no resto não deixa a mim grande saudade.
Saudações televisivas cá da Cidade Morena e um extraordinário fim de semana para todos!
Bom dia com alegria
ResponderEliminarConheci no princípio da década um gestor alemão que evidenciava a seguinte característica: falava propositadamente baixo nas reuniões. Mesmo os tíisicos tinham dificuldade de o perceber à primeira. Resultava então que, quando o senhor falava, todos se calavam para não perder o fio à meada.
No panorama audiovisual é utilizada a táctita inversa. Todos berram, para ver quem berra mais alto. E como todos podem berrar...
Julgo ficar patente, diversidade não é necessariamente sinónimo de qualidade.
Ou como diria Gonçalo M. Tavares, mais, por vezes, é menos.
"I know not what tomorrow will bring..."
Bom fds
CPedro
Boas e novas... sei lá. Faz (qualquer) cristão repensar valores em "cresceis e multiplicaivos" e, se a onda onda, pega seria um turbilhão de acheques nos pagos do Brasil. A Europa simboliza desde sempre, civilizada e necessária enquanto modelo artístico, eletista e funcional; se por um lado as escolas se lhe oferecem a redenção em valores culturais e humanos, por outro se lhe torna viável a lisonja enquanto referência turística. Bem, nem há trocadilho que mencione o quê, haveria de ser: um brasileiro, pagar entrada o infante e nem o fora espetáculo, cinema ou circo. A lida cultural de instituição na América a grosso modo, grassa; obviamente longe de comparações ou atribuições. Especificamente o brasileiro no quê tange cidades e acontecimentos culturais não se lhe fica em brancas nuvens a coletividade estudantil, mas em relação a taxa de ingresso infantil, considerar-se-ía abuso.
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
Ponto 1- Não há televisão do fascismo ou da democracia - há televisão; não há livros do fascismo ou progressistas - há livros. Pensando bem, talvez sob a alçada da censura, os autores dos programas e os produtores, assim como os escritores e editores, impunham a si mesmos uma análise mais criteriosa, por forma a passarem sem se molhar entre os pingos de chuva da censura. Para além da criatividade, havia a imaginação da fuga, do ser sem o parecer, da insustentável leveza do escrever "agrilhoado". Ups! Estou a dizer que o fascismo proporciona melhores programas e livros? T'arrenego!
ResponderEliminarPonto 2- Fernando Pessoa é Fernando Pessoa e os seus heterónimos; é ele mesmo, com os seus palavrões, as suas divagações metafóricas, a sua frontalidade diabólica, a poesia entre patriótica e revolucionária, acintosa e carinhosa, alegre e chorada, vitoriosa e abatida, nesta amálgama que só um Pessoa (e talvez um Fernando daquele género, conseguem "fabricar").
Gosto de Fernando Pessoa, de toda (mas toda) a sua poesia e prosa; talvez não goste tanto da sua casa, das suas arcas, da sua escrivaninha ou do penico que lhe servia para despejar a urina matinal. E mais gosto de Pessoa quando um dia, por altura de uma filmagem para o programa "Vamos Jogar no Totobola", o realizador Manuel Guimarães me disse à porta da minha residência que eu seria um actor pereferencial para encarnar a figura do poeta numa obra que ele viesse a realizar, naturalmente com aquele tipo de bigode sacramental. Ups! Lá está a minha vaidade a querer fazer-me passar pela figura de Pessoa, quando a única particularidade que me une ao génio é apenas o nome Fernando!
O nome? E o bigode???
EliminarAplaudo o que disse, em toda a linha!
Um abraço, estimo tenha passado um Extraordinário dia de ontem!
Nunca cheguei a colocar o bigode, uma vez que não se proporcionou o caso. Manuel Guimarães (há outro com este apelido, cineasta, falecido em 1975) realizou muitos documentários para a RTP, patrocinados pela Santa Casa da Misericórdia, a pretexto de sugerir chaves para o totobola, sendo esses programas sobre várias regiões do País. A proposta, que surgiu em modo de brincadeira, foi feita quando me dirigi com ele e a equipa para um programa gravado no enigmático monumento "Centum Cellas", no Colmeal da Torre (Belmonte). Foi aí, em dia de Sol, pelos anos 90.
EliminarAproveito para emendar, no comentário, "pereferencial " por "preferencial".
No dia de ontem, fui brindado (entre outras homenagens atinentes) com um adequado "cantar parabéns a você nesta data..." pelas "minhas" alunas e aluno da universidade sénior.
Um abraço deste planalto defendido por castelo medieval.
Esse "Vamos jogar no totobola", se bem me recordo, era um excelente programa com documentários muito bons sobre o nosso país!
EliminarHouve programas da RTP que de facto marcaram épocas, e não falo apenas da TV Rural ou do Zip Zip… d' A Visita da Cornélia, pela qualidade. Já não vejo TV práticamente, apenas os canais temáticos, mas pergunto-me se neste milénio haverá algum programa de culto que fique para a posteridade?
Abraço sénior e planáltico!
Então o realizador escolhia-o só por ser um dos muitos homónimos...é coisa que nunca vi ou sequer me teria ocorrido. Porque gostar de Pessoa inteiro e ele, sendo tantos e só um, acontece à maioria dos portugueses.
EliminarO Paxeco, nesse programa "vamos jogar no totobola" começava por falar-se num determinado assunto, normalmente cultural. Seguia-se depois o repórter que, na rua, solicitava às pessoas comentários sobre o tema desse dia e os prognósticos para os jogos constantes dos boletins do totobola dessa semana.
EliminarNum determinado programa, o tema foi o poeta/escritor/pintor Almada Negreiros e quando perguntaram ao entrevistado o que pensava de Almada Negreiros, a resposta foi: Almada 2 Negreiros 1.
Sobre a TV de hoje é de toda a justiça dizer que há excelentes reportagens, normalmente a seguir ao telejornal, sobre assuntos que estão na ordem do dia e que interessam à grande maioria das pessoas, nomeadamente na RTP1, SIC e TVI.
EliminarMas não muitos mais e por isso teremos que ir, por exemplo, para a NAC GEO para não ter de conviver com os gritos dos públicos (quais adeptos de futebol que não sabem falar, só berrar), puxados por alguns grandes imbecis (com todas as letras) desta praça (Cautelas, Mourões, Raminhos e agora com toda a família — um vómito completo—, já para não falar na casa das putas que já pouco deve render e onde nos é mostrada uma tristeza de gente jovem actual).
Obrigada pela sugestão, Rosário. Apesar de não poder ir - e até gostava, é casa que desconheço - há-de haver quem a aproveite.
ResponderEliminarE tenham um bom fim de semana
Maria do Rosário, por favor, altere «linguagem gestual» para Língua Gestual.
ResponderEliminarNão sou surda, mas conheço muitas pessoas que o são. Sei que se sentem magoadas quando alguém designa a sua Língua como linguagem.
(Nota: Não publique o comentário. Grata).
Eli Miguel (assim conhecida pelos muitos alunos surdos que tive a dita de conhecer)
Tenho de a cumprimentar pelo seu trabalho!
EliminarPerdoe violar o seu desejo de não exposição, mas há trabalhos que são deveras meritórios.
Não sou surdo, mas oiço muitíssimo mal e creio que consigo perceber o que significa essa deficiência com algum realismo.
Hoje é-me impossível conversar com alguém num café, ou local onde haja ruído de fundo, o que me causa embaraços para não estar sempre a repetir "como?" ou "não ouvi o que disse" … pior ainda na minha profissão em que tenho de falar e entrevistar pessoas quase diariamente, imagine o que é falar com um cliente numa pescaria com uma linha de pescado a funcionar, é uma tortura! E frequentar bares, restaurantes, etc. é-me já tão difícil porque depois não consigo manter uma conversa, que deixei de frequentar sítios assim… o que já me vale é que consigo "ouvir" olhando nos lábios, acabei por aprender instintiva e defensivamente.
Já agora, uma pergunta pertinente: qual a diferença entre "língua" (idioma) e "linguagem"?
Saudações auditivas cá da Cidade Morena!
Amigo Pacheco, vou meter a colherada num assunto onde não fui chamado.É só manifestar a minha opinião, mais nada.
EliminarDe facto, segundo os cânones desta forma de expressão (fala e ouvido), é língua gestual, porque é esta que permite a comunicação segundo as característica de cada país. No sul de Angola, um pouco longe da Cidade Morena, há um povo que se expressa (ou se expressava) por estalidos da língua no céu da boca. E assim comunicava.
Linguagem emprega-se como forma de entender determinada comunicação - a linguagem falada, a linguagem escrita, a linguagem da arte pictórica, etc.
Porém... (Eu sou mesmo retorcido!)
Não devia ser uma coisa ou outra, porque a Língua (expressão de comunicação de um povo) provém do instrumento bocal que auxilia a produzir os sons, os fonemas...
Ora, na língua gestual, a língua não conta para nada quando se trata da audição do receptor surdo-mudo e mudo (os surdos não a ouvem, embora falem porque, não sendo mudos, usam a língua, os mudos não falam, mas ouvem); os surdos-mudos e os mudos, não articulam palavras com a língua, quando muito sons inarticulados. Daí a necessidade do gesto, que é o elemento-chave para quem não ouve nem fala e para quem fala mas não ouve.
Seria mais correcto, segundo o meu humilde entendimento, "expressão gestual", pois é assim que há comunicação entre o emissor e o receptor.
Aproveito para saudar a Eli Miguel, no exercício de uma grande e nobre missão, que permite comunicar entre pessoas que, de outro modo, ficariam privadas do elementar contacto humano.
Mais uma vez, caída a noite nesta cidadela medieval, as minhas saudações.
Obrigado pela sua clara explicação!
EliminarE, sim, esse povo que refere são os mucancalas, cassequeles, ou khoy-san, os bosquímanos que compuseram os famosos "flechas". Falam com estalidos (quem não se lembra de "Os deuses devem estar loucos"?) . Mas não só, outros povos os usam, como os hereros, embora menos. Não se lembram do pata-pata da Miriam Makeba? Ela quando canta também emite um estalido…
No meu "Largueza", há um mucancala, o Gao. É um povo interessantíssimo!
Grande e estimado abraço cá da Cidade Morena!
A Maria do Rosário não se vai importar por esta troca de mensagens, mas isto também é cultura (e ela deve estar a esta hora a dormir).
EliminarCorrecto o que disse, Pacheco. São os bosquímanos, que parece terem saído das "Viagens de Gulliver", de tão pequenos que são. Gente do Luengue, nas terras do fim do mundo, Cuango-Cubamgo, onde há gnus com barbas de patriarca, palancas pretas com galhos que parecem forquilhas, inconstantes rinocerontes e crocodilos de boca aberta a arejarem o mau hálito.
Não é propriamente uma língua gestual, a dessa gente - é uma língua, feita de sons que se assemelham a estalidos.
Suponho que, em combate, formavam os "flechas", como bem disse, às ordens da DGS e do inspector Cardoso.
Bom fim-de-semana para todos.
António Luiz Pacheco, mui grata pelas suas palavras e, sobretudo, por escrever sobre a sua experiência quotidiana.
EliminarFalta de experiência minha em «comentar», ignorava que o meu escrito ia diretamente para «o ar». Não era essa a minha intenção.
No São google, encontrará vasta - e boa - literatura sobre a questão colocada. Deixo-lhe, todavia, dois links que poderão constituir base para futuros aprofundamentos seus.
*
https://www.publico.pt/2017/11/14/p3/noticia/o-que-todos-deviamos-saber-sobre-lingua-gestual-em-dez-pontos-1828846#gs.1xtF4EfV
* http://www.apsurdos.org.pt/index.php%3Foption%3Dcom_content%26view%3Darticle%26id%3D41%26Itemid%3D56
À beira mar, os meus cordiais cordiais cumprimentos.
eli
Óscar Cardoso, coronel de infantaria que prestou serviço na DGS em Angola e formou os Flechas… depois da independência, serviu muitos anos na África do Sul até ser abrangido por uma amnistia e regressar a Portugal, vive em Mafra… já o visitei em sua casa, e escreveu dois excelentes livros sobre armas de caça. Conheço-o bem, somos até amigos, serviu com meu avô na Índia, inspirou uma figura do meu Largueza, é um grande amigo dos san.
EliminarTudo isto é cultura, tudo isto é história, tudo isto somo nós portugueses…
Grande abraço!
À Maria do Rosário Pedreira, o meu agradecimento.
ResponderEliminareli