Bibliotecários Lx

Jorge Luís Borges via o paraíso como uma espécie de biblioteca – e eu diria que, para quem adora ler, nada é mais natural (e que, abstraindo dos ácaros do pó e dos peixinhos de prata – verdadeiras pragas –, todos os Extraordinários gostariam provavelmente de viver num mundo parecido com esse, cheio de livros à mão). Como será, contudo, com os que passam realmente os seus dias numa biblioteca – os bibliotecários? Uma mestranda da FCSH da Universidade Nova (na área do documentalismo) fez uma tese sobre as leituras dos bibliotecários das Bibliotecas Municipais de Lisboa – e, para mim, as surpresas foram bastante grandes. Em primeiro lugar, dos 16 entrevistados (um por biblioteca), só uma minoria falou da leitura por prazer; pelos vistos, lêem sobretudo coisas que têm que ver com a sua profissão, para se manterem informados e actualizados, mas nem todos «desfrutam» como nós de um bom romance ou ensaio, por exemplo. Em segundo lugar (talvez consequência da circunstância que acima referi), a maioria não requisita livros na biblioteca, compra-os; o que é paradoxal, mesmo que saibamos que as bibliotecas não adquirem tudo o que seria necessário e estão muito sequinhas de publicações de nicho e mais recentes (a crise não ajudou e houve anos em que não houve praticamente aquisições). Por fim, todos afirmaram ter grande disponibilidade para ler e fazê-lo diariamente (quando eu pensava que, por estarem sempre ao pé dos livros, se calhar chegavam a casa e queriam ver séries). No fundo, estamos sempre a aprender.

Comentários

  1. Pois, até os livros cansam.

    Mas é natural que quem vá para bibliotecário goste de livros (muito mais que de leitores...).

    :)

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  2. À partida parece haver discrepância entre quase só lerem artigos relativos à profissão e terem grande disponibilidade para ler. Será que é disponibilidade profissional? É que já sabíamos que poucos lêem por prazer...
    Quanto à aquisição de livros em vez da requisição, é natural; quem gosta de livros gosta de tê-los e serem seus, de sublinhar e anotar, de andar com eles de um lado para o outro sem estar a preocupar-se em não sujar, amarrotar, dobrar. Também requisito alguns livros na biblioteca, mas prefiro comprá-los.
    E não gostaria que, a haver paraíso, ele fosse uma biblioteca, mas que também tivesse biblioteca.

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  3. Bom dia. Historicamente (em termos de Brasil) bem comum cumprir a função de bibliotecário, o sexo feminino. Não sei o porque, talvez a terefa de se lhe arranjarem livros e com a organização, limpeza. Facto, as mulheres sempre estiveram disponíveis em Bibliotecas, e particularmente nem lembro-me de ver algum masculino à entregar livro.Em termo histórico, dado alarmante.

    Cláudia da Silva Tomazi

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  4. Bom dia

    Desconheço a representatividade da amostra.

    Sei por experiência própria que na Orlando Ribeiro há pelo menos uma grande leitora.

    O dilema requisitar vs comprar também o conheço.

    A posse é sempre efémera mas o coração não sabe disso.

    Haja razão para salvar a carteira.

    Boas leituras
    Cpedro

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  5. um bom livro é sempre uma excelente companhia.

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  6. Gostaria de ver esses resultados numa amostra muito maior. O pormenor de lerem livros comprados é deveras interessante.

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  7. Era interessante ver esses dados tratados de modo a que pudessem espelhar algo.

    O bibliotecário lê… o pasteleiro come os seus bolos? O taxista conduz porque lhe dá prazer? O mergulhador mergulha por gosto?

    Não sei… sobretudo numa sociedade onde as pessoas se "desenrascam"! Arranjam um emprego e eventualmente seguem uma profissão, porque foi onde se empregaram. E nem sempre é por gosto ou inclinação.
    Há os que superam isso, há os que até passam a gostar, mas se calhar nem todos, julgo eu.

    Saudações cá da Cidade Morena!

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    1. Tem toda a razão! A maior parte das pessoas está numa profissão só porque não conseguiu arranjar outra coisa, após a conclusão dos seus estudos (secundários ou, mesmo, superiores).
      Contudo, conheço um caso que me é muito próximo de uma pessoa que, graças à sua inteligência e persistência, conseguiu conciliar na mesma profissão duas áreas que, aparentemente, nada têm a ver uma com a outra. Mas, afinal, até têm! E essa pessoa é muito feliz e realizada. É um caso único e ainda bem que assim é!

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  8. Eu tenho a melhor profissão de todas (desculpem-me a imodéstia), sou Bibliotecária. Vivo rodeada de livros, que adoro de paixão. Sempre adorei, mesmo bem antes desta profissão se ter revelado na minha vida. E leituras? Pois adoro… À noite tenho muitas séries... E sabem quais são? São os capítulos dos livros que literalmente devoro. Por puro deleite. Para mim, o prazer obtido com a leitura é único. A leitura faz-nos literalmente voar. Para outros mundos, para outros planos e outras dimensões. E o gosto que tenho em falar de livros? Com todos aqueles que fazem o favor de frequentar o espaço onde diariamente presto serviço? E depois de ler, o prazer que tenho em escrever sobre os mesmos, em lhe dar umas estrelinhas em falar sobre os mesmos? E sabem qual é a pena que eu tenho? O de termos excelentes Bibliotecas por esse país fora e tanta gente a ignorá-las. A não lhes sentir a falta… Boas Leituras a todos!

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    1. Eu não frequento mais bibliotecas por uma questão de horário, em primeiro lugar. Quando acabo o trabalho, a biblioteca está quase a fechar...
      Além disso, prefiro ler em casa. Não gosto de ler em espaços públicos nem com gente ao pé de mim. É estranho mas não me consigo concentrar.....

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  9. Não assinei, desculpem, o meu nome é Celeste Silveira.

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    1. Extraordinária Celeste:

      Cumprimento e felicito-a vivamente em me congratulando porque faz o que gosta, portanto é feliz, e, mais porque isso implica livros!
      Creio poder-se dizer que é motivo de inveja, saudável, pois claro…

      Saudações saudáveis cá da Cidade Morena.

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    2. Sim. Posso-me considerar feliz! Estou rodeada de livros por todos os lados. Tal como Borges, eu adoro pensar num paraíso onde os livros nunca acabem. E já agora, onde os amigos nunca nos faltem. E podendo ser, três ou quatro felinos bem enroscadinhos lá no maple usado para à leitura. Cumprimentos para essa terra algo longínqua, morena e (segundo todos me dizem), encantadora...

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  10. Conheço uma pessoa que, lendo bastante, só lê livros de que é proprietária, os que compra e os que lhe oferecem. Mas não se importa de os emprestar.

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  11. Como podemos ter acesso à tese? Sou estudante de Biblioteconomia e gostaria muito de ler.

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  12. Em primeiro lugar, não consigo perceber como é que se pode afirmar que só uma minoria falou da leitura como prazer e actividade de ocupação de tempos livres quando 69% dos inquiridos a referiu - e 100% disse que gostava de ler.
    Uma vez que no estudo se pode ler que também 69% diz que requisita livros das bibliotecas, a minha leitura é que sim, a maioria dos bibliotecários inquiridos requisita livros das bibliotecas -- e 75% dos inquiridos diz que compra livros. Comprar e requisitar da biblioteca não são categorias mutuamente exclusivas.
    Mais de 50% é, por definição, sempre a maioria. (Podemos, claro, questionar as opções metodológicas do estudo, nomeadamente a validade de usar percentagens quando o universo é de apenas 16 ... mas isso já é outra questão.)

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