Amor, amor

Estamos praticamente no Dia dos Namorados – uma celebração que, quando eu era jovem e namorava, não existia, mas que, como muitas outras coisas que podem dar receitas jeitosas aos comerciantes e fabricantes portugueses (e hoje parece que tudo parte da questão do dinheiro), se importou do mundo anglo-saxónico e se instalou com a mesma força das festas nacionais. Não tem de ser mau só por não ser nosso, atenção. E  é, aliás, objecto de um encontro que acontece hoje ao fim da tarde na Livraria Bertrand do Chiado e que promete ser, no mínimo, divertido. A Quetzal junta dois dos seus autores para a sessão «Vamos falar de... Amor»: Helena Vasconcelos, autora de Não Há Tantos Homens Ricos como Mulheres Bonitas que os Mereçam (sobre o qual escrevi aqui no blogue quando saiu), e José Riço Direitinho, autor de O Escuro Que Te Ilumina, que ainda não li (embora o tenha lá em casa), mas apenas porque raramente me consigo escapar das prioridades, pois tenho imensa curiosidade sobre esta nova faceta do escritor, que começou a sua carreira literária com romances ambientados sobretudo no meio rural. A sessão decorrerá às 18:30h e os intervenientes são ambos críticos literários (será que escreveram sobre os livros um do outro?) mas, ao mesmo tempo, pessoas muito diferentes, o que vai de certeza enriquecer a conversa. Cupido moderará, suponho.


 

Comentários

  1. Quero ir!!! (o raio é a agenda do dia só acabar às 19.30...).

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  2. Os romances ambientados sobretudo no meio rural, de JRD, deviam vender pouco. E ele deve ter pensado... o que posso eu fazer para andar com a minha carteira mais recheada? Resposta óbvia: dedicar-me à pornochanchada! Vende mais que tremoços.

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  3. Não conheço pessoalmente nenhum dos autores, e confesso que obra, só a de J. Riço Direitinho.

    Todavia, dia de S. Valentim aparte, gostaria de participar numa conversa com ele em particular, e deixo aqui o que encontrei no gúguel e nos pode acicatar o interesse:
    " José Riço Direitinho (Lisboa, julho de 1965) é um escritor português, graduado em Agronomia, nas cadeiras de Economia agrária e Sociologia rural. Com seu estilo nostálgico e visceral, conquistou seu lugar no círculo literário português.
    ….
    Direitinho pertence à nova geração de escritores portugueses, distanciada da ditadura que assolou o país por décadas até 1974, e seu estilo é considerado nostálgico, retratando, a partir de uma narrativa realista, a decadência da sociedade rural de seu país. Sua obra é considerada uma das mais importantes da nova geração de escritores europeus. Seus livros já foram traduzidos para vários idiomas, imprimindo mais força e viço à sua literatura."

    Só para se ter uma idéia da indústria em volta desta efeméride comercial, uma das empresas de uma multinacional em que trabalhei, estabelecida na Holanda e Reino Unido, dedicada à produção de plantas, tinha toda uma linha em que trabalhava o ano inteiro apenas para esta semana de Fevereiro, chamada justamente "Valentine". Desde linhas de vasos e jarras, vazios ou com terra e sementes preparadas para germinar e florescer nesta época calculados ao dia, até as próprias plantas fosse em ramo, envasadas, etc. com todo o tipo de embalamento possível de imaginar. Era só por si uma área completa de negócio, dentro da própria empresa.

    Como é que dizia o outro? - "É a economia, estúpido!" .

    Saudações valentinianas cá da Cidade Morena!






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    1. O perfil que traça de JRD está desactualizado... Como sublinhou Maria do Rosário Pedreira, JRD tem uma nova faceta, que nada tem a ver com nostalgia e ruralidade, antes pelo contrário, utiliza diversas 'ferramentas' consonantes com as 'pornography skills' de que se apregoa especialista. Convido-o, se não for atrevimento, a ler umas páginas do seu novo livro (numa livraria, de preferência...), ou a ler o artigo que há algum tempo escreveu para a revista "Ler": um autêntico esgoto a céu aberto. Continuo no entanto a acompanhá-lo como crítico literário.
      Saudações cá da cidade ensolarada!

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    2. Sim, parece que enveredou por um novo género… que confesso não ter lido ainda.
      Mas, seria sempre interessante conversar com ele, até e por causa dessa deriva…
      Confesso que não entendo muito bem o que sejam as tais ferramentas e nem o que seja ser especialista. O artigo que me aconselha vou tentar ler usando o gúguel ou assim, pois fiquei curioso.
      Grato pela sua atenção, um abraço!

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  4. Olha… esta coisa anonimou-me? Mas que raio…

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    1. Caro Pacheco

      Mesmo como "anónimo", está lá a oportunidade dos seus comentários, a franqueza e a qualidade literária. Por isso, nem se preocupe.
      A propósito de S. Valentim - e sem esperar qualquer manifestação de afecto - sou aniversariante nesse dia, uma vez que foi a 14 de Fevereiro de um ano do século XX que nasci na Maternidade Alfredo da Costa.

      Um abraço do planalto da Nave, ora ligeiramente menos frio e mais ensolarado

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    2. Obrigado pela sua apreciação!

      Um abraço desde o platô costeiro Sul-angolano, ora ensolarado ora encoberto, mas quente.

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  5. Bom dia

    Quanto ao dia do_____________ (completar com dia à escolha, Natal, Namorados, Pintainhos), permitam-me citar uma passagem do livro que ando a ler:

    "Quanto tempo falta para o futuro

    A maioria das tecnologias têm em comum: não precisarmos entender como funcionam desde que funcionem.
    Isto inclui a linguagem e o dinheiro.
    O dinheiro e a linguagem têm em comum: a natureza simbólica. Não são nada por si , mas movem tudo. Nada funciona sem eles.
    O dinheiro tornou-se a última fé que nos une. A nossa crença unificadora. Deus divide o mundo, não há paridade entre homens e mulheres, mas expande-se o fosso entre os ricos e os pobres - porque toda a gente acredita no dinheiro. A religião separa, a linguagem separa, os nacionalismos vingam, mas toda a gente acredita no dinheiro. Em qualquer lado do mundo, o dinheiro"

    Ecologia - Joana Bértholo


    Quanto ao JRD devo dizer que leio as suas críticas literárias e folheei a sua mais recente obra. Oferece-me dizer o seguinte:

    Conheço muito boa gente que não lê, mas que tem em casa, orgulhosamente, "As cinquenta sombras de Grey".

    O sexo sempre vendeu e continuará a vender. O Marquês de Sade continua a ser editado, para bem de algumas parafilias.

    Recentemente, li o meu primeiro livro de Michel Houellebecq e as referências sexuais explícitas são aos pontapés.

    Donde, isto vai da sensibilidade e dos gostos de cada um.

    Pessoalmente, e no que respeita ao sadomasoquismo, prefiro a forma quase subliminar como Valério Romão o introduz no seu mais recente livro "Cair para dentro"

    Quanto a HV, não conheço.

    Cordialmente
    CPedro

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    1. Gostei muito desta sua comentação, se me permite!

      Não sou, nem fui, apreciador de literatura erótica ou pornográfica!
      Li neste género o que tinha de ler, a seu tempo e ao longo do tempo. Além dos clássicos citados, do Henry Miller e do incontornável José Vilhena, li e recordo-me objectivamente de: "diário de uma criada de quarto" , "memórias eróticas de um burguês", "os sonhos morrem" - e vão-me perdoar nem sequer ir procurar o nome dos autores. Refiro também dois romances muitíssimos curiosos, sobre a noite lisboeta e algarvia, publicados em finais dos anos noventa, de um autor que também não me recordo e cujos títulos idem. Isto apenas para não dar a impressão de ser um puritano ou coisa parecida. Nada disso! Muito longe… há obras muito boas onde aparecem umas pinceladas de brejeirice, erotismo ou mesmo pornografia, que se encaixam e fazem parte, liberdade ao autor se opta por ser assim num grau de crueza que não me choca mesmo nada, se, enquadrado. E aí o génio dos autores!

      Pronto, lá vou ter de ler o tal livro do José Riço Direitinho… não por voyeurismo literário ou outra intenção que não seja mesmo a curiosidade!

      Um abraço cordial e literário, estimado CPedro!

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    2. Até gostei do "Breviário das más inclinações" do J.R.Direitinho que nos conta a história de José de Risso, uma espécie de santo popular, nascido com um sinal vermelho no meio das costas, donde sangra de cada vez que faz um milagre. A história passa-se entre 1923 e 1956 na localidade ficcionada de Vilarinho dos Loivos, norte de Portugal.
      Este livro está repleto de ensinamentos, de flores de cheiros, de paisagens, de tradições, de lobos e mostra um profundo conhecimento dos rituais das gentes do campo (de então). É uma pena que JRD tenha fugido para outros ambientes.

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    3. Confirmo! Belíssimo livro!!!!!

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  6. Tenho boas recordações do 14 de Fevereiro. Também ligadas à escrita. Foi época de muito trabalho e grande equipa. Nunca é demais lembrar o amor e fazê-lo aflorar, há quem se esqueça que o possui.
    Desconheço os dois autores, não li sobre eles senão o que aqui foi dito. E desejo-lhes uma boa conversa e um público interessado.

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  7. Isto ficou-me a matutar, e tive de ir googlar… o tal livro de que falei chamava-se Um homem da noite, o seguinte era Profissionais da noite! O autor João Pina, edita o primeiro em 1989, e depois vários outros onde põe a descoberto a noite lisboeta e a algarvia.
    Além de ser homem do "milieu" teve outras facetas curiosas como agente artístico.
    Vale pela história de vida e das vidas, se bem que literariamente não me pareça relevante.

    Fica o apontamento para algum Extraordinário interessado. É curioso saber que se tornou autor de referência dentro do género.
    https://algarvemaisnoticias.pt/index.php/component/k2/item/2244-historias-veridicas-das-noites-de-lisboa-contadas-por-quem-as-viveu1

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