A bibioteca de um estilista
Karl Lagerfeld, o estilista de alta-costura que foi responsável por marcas tão conhecidas como a Fendi ou a Chanel, morreu há mais ou menos uma semana e foi chorado por muitos, incluindo a princesa Carolina do Mónaco, que era sua amiga. Rui Zink, na sua prestação nas Correntes d’Escritas uns dias depois do acontecimento, disse, com o humor de sempre, que a partir de agora já não vai saber como se vestir; mas curiosamente não é a sua roupa (a desenhada por Lagerfeld, entenda-se) que aqui me traz hoje, mas a sua biblioteca. Antes de tudo, é gigantesca, já que compreende centenas de catálogos de colecções; e, formada sobretudo por álbuns (de pintura, arquitectura e design), foi uma exigência do costureiro alemão a colocação dos volumes nas estantes horizontalmente, para a fácil e rápida identificação dos títulos. Com o pé-direito altíssimo, a sala onde foi instalada é quase totalmente preenchida por livros, exceptuando uns sofás confortáveis em que os leitores podem sentar-se a ler e umas escadas para chegar ao topo das estantes. Noutras salas de casa do estilista, também há livros, colocados sempre na horizontal com a lombada para fora. Não sei o que será agora desta colecção de livros de Lagerfeld – e espero que não venham a ser vendidos a peso, como tantas vezes sucede quando as gerações seguintes não ligam aos livros nem têm onde os pôr. E, enquanto não desfazem a biblioteca, deixo-vos algumas imagens para se extasiarem.


Sem dúvida que sentido estético ele tinha, como se comprova também pela biblioteca arrumada e colocada em "froide ordonnance" como dizia o também esteta francês, arquitecto e pescador submarino Eric Guerrier que gostava de dispor assim os peixes para a fotografia.
ResponderEliminarApesar de fria, é impressionante e revela bom-gosto.
A sua composição, suponho que tenha a ver com os seus interesses mais directos, mas deverá haver uma outra biblioteca, mais pessoal. Creio que esta dos catálogos e álbuns será mais interessante em termos de espólio e terá valor, suponho que acabe nalgum museu relacionado com moda ou artes modernas, ou outras… sim porque eu penso que o vestuário e a "moda" fazem parte das artes, e nomes como o dele ficam para a história destas actividades humanas.
Saudações artísticas cá da Cidade Morena.
Isto num homem que também foi dono de uma livraria, a 7L.
ResponderEliminarTenho muito respeito por quem deixa legados...
É uma biblioteca muito visual. Pode ser que o senhor a tenha legado a qualquer organismo público ou assim.
ResponderEliminarBom dia com alegria
ResponderEliminar“So many books, so little time.” - Frank Zappa
Boas leituras
CPedro
Vestiu uma sala de livros. Incrível.
ResponderEliminarNão gosto! Não é prático e é inestético. Aquilo parece-me uma loja de confecções e pronto-a-vestir, no padrão do seu ofício. Gostos e cores não se discutem, tudo bem... Para mim, o livro tem de permanecer na horizontal, tal como o seu criador, para poder ser lido ou consultado a qualquer momento, pois foi para isso que foi impresso.
ResponderEliminarLivro é alimento e deve estar disponível. Tal como dizia a Mofina, "na festa sem comer não há hi gaita temperada".
Troquei horizontal por vertical. É claro que quis dizer: "o livro tem de permanecer na vertical, tal como o seu autor". Na horizontal só para dormir e outros pormenores...
Eliminarmas os livos estão como disse, na horizontal...
Eliminarpeço desculpa aos livros, foi sem querer.
EliminarBea
EliminarEu enganei-me, porque confundi horizontal com vertical, sinal que muitas vezes durmo em pé.
O que pretendi dizer é que não aprecio os livros na horizontal, porque os quero arrumadinhos na vertical, de pé, tal como disse na emenda após a verificação do meu lapso.
A causa fui eu mesma porque não li a correcção que já lá estava. Só a li depois:). Mania de ir descendo e retorquindo.
EliminarBom dia. Alta Costura se lhe deixa por legado (este) exemplo gigante; livros à fazerem sombra. Arte, justamente em medida certa. Anã mesa de centro nem há copos de estanho, fjguras de barro ou tatuagem. Cultura de opinião e transição, singram tendências e KL, o alemão (notavelmente) se lhe trouxe idéia e poise, fita métrica às letras.
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
Coisa horrorosa... tal como aqueles trapos ridículos e patéticos com que escondia o cadáver!
ResponderEliminareu gostava sobretudo dessa sua atitude de diferença. E era uma pessoa muito elegante.
EliminarNão é a diferença que me choca, mas sim o mau gosto. Lamento discordar.
EliminarUm excelente fim de tarde, é o que lhe desejo.
Lamenta discordar??! Mas a diferença é quase sempre, ou pelo menos muita vez, discordância. E a discordância sabe ser muito salutar sobretudo se apresenta motivos.
EliminarE quanto aos 170 milhões de euros que deixou à sua gata Choupette não lhes ocorrem nenhum comentário?
ResponderEliminarTalvez me ocorra, mas depois de ler o seu...
EliminarCompletamente extraordinária!
ResponderEliminarNão se consegue ser muito bom sem livros!
Uma excelente ideia a nível prático! Tenho muitos assim, mas para preencher os espaços que ficam por cima dos outros. E de facto são os que encontro mais depressa.
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