100 contos curtos

Em Portugal, pelo menos até há uns anos, dizia-se que os livros de contos não tinham grande sucesso e os livreiros também torciam o nariz quando publicávamos colecções de contos, a menos que fossem de um autor já celebrizado por romances. Parece estranho, porque para quem, por exemplo, anda de autocarro entre a casa e o emprego, ou tem de esperar na sala do dentista por uma consulta, ou quer ler só umas páginas antes de adormecer, o conto tem o tamanho ideal e podia, por isso, servir os leitores portugueses como serve os norte-americanos, por exemplo, grandes apreciadores das short-stories. Espero que os os hábitos mudem, ou já tenham mudado, pois há contistas que não se podem perder, sendo Borges, por exemplo, um mestre no género, e Cortázar, seu conterrâneo, outro. Os latino-americanos são, de resto, autores de pequenas histórias incríveis e, para os Extraordinários que não vão na conversa da estatística e gostam de ler contos, deixo aqui uma lista de cem que apanhei por aí numa revista de cem contos curtos da literatura universal. Há mesmo muito por onde escolher!


 


https://www.yaconic.com/lee-100-cuentos-cortos/


 

Comentários

  1. Ninguém se lembrou do iconoclasta, mal comportado e politicamente incorrectíssimo Nelson Rodrigues. Uma delícia.

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    1. Mas pelo menos puseram lá o Rubem Fonseca, que é tudo isso e muito mais...

      Maria

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  2. Ora essa, então e os Contos do Portugal Profundo?
    São de autores conhecidos - pelo menos entre eles mesmos… eheheheh!

    Mas sim, os contos são uma interessante e agradável opção, a quem por exemplo viaje, como muito bem diz.
    Contistas… bom, nós portugueses por tradição somos contadores de histórias (ou de anedotas) e diria que até muito bons, seria uma questão de pôr por escrito esse costume bem nosso!

    Eu, que não sou contista nem escritor ou coisa que o valha (mas gostava de ser…), escrevi ao longo de vários anos em revistas aquilo que podem classificar-se como "histórias", portanto dariam contos, relatando as minhas aventuras, impressões, desaires e sucessos, mentiras (sabe-se lá) por baixo do mar e por cima da terra. Ora, muitos de nós têm coisas para contar, sejam as nossas pequenas ou grandes aventuras, casos a que assistimos, com que contactamos ou chegam ao nosso conhecimento, até ficcionados… seria bem interessante que houvesse esse hábito de ir escrevendo - mais não fosse para a família, amigos e conhecidos. Ainda por cima, hoje as "redes sociais" potenciam isso, e pode ser ainda que assim conduzam ao nosso saudável e almejado hábito de ler, nem que seja nos "telefones espertos" e quejandos!

    E, nem de propósito sobre este tema, volto a falar aqui de um projecto literário que me parece Extraordinário: Arquivos dos Diários, uma iniciativa que pretende recolher as notas ou diários pessoais, tantas vezes deixados em família, e os publicam ou guardam para consulta de quem queira escrever constituindo assim um interessantíssimo banco de dados sobre as nossas gentes e suas vidas, memórias, etc. Já publicaram alguma e o que li, gostei muitíssimo.
    Aconselho uma visita aqui dos Extraordinários a www.arquivodosdiarios.pt

    Saudações, não contadas, cá da Cidade Morena!

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  3. È um dos meus estilos favoritos, e no meu local de trabalho, não é muito habitual, mas tendo o público que esperar por vezes, pus livros de contos e crónicas. Sabe uma coisa? ninguém pega

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  4. Eu gosto de ler contos, sempre gostei, agora ainda mais, precisamente pela indisponibilidade para grandes empreitadas (ainda bem que li os chamados "grandes calhamaços" na juventude).
    Esta lista é apenas uma entre tantas outras: muitos autores repetidos, nenhum português, apenas uma mulher... como não pôr aí, por exemplo, a Alice Munro, que até ganhou o Nobel pela excelência dos seus contos?
    Mas há muitas mais...
    Pelo menos, estão lá dois dos meus favoritos: Borges e Cortázar.

    Maria

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  5. Havia uma pequenina criança cor de rosa, nome em flor! De modo em toda, alguma saudade à saudava. Que no exílio este espartilho em velhos ares ou de mares, os contos à praticavam. Abraço Marguerite

    Cláudia da Silva Tomazi

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  6. Segundo a lenda (ou a realidade), parece que Ernest Hemingway , por quem os sinos ainda dobram, foi certo dia desafiado para escrever um conto com 6 palavras. E ele, que tinha acabado de dizer adeus ás armas, escreveu:
    "For sale: Baby Shoes, never worn". (Vende-se: Sapatos de bebê, nunca usados).
    Gosto muito de contos e não gosto de ler os contos de amor ou cor de rosa. No entanto, para que alguém me julgue hipócrita, tenho de dizer que escrevi, durante 10 anos, contos dessa cor para a revista "Maria". Meia hora ao computador, uma lista de nomes para escolher como personagens, lá saía a matéria. São perto de três centenas deles,os quais, por paradoxo, me deram muito prazer em escrever.

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    1. O "ás" de "às armas" tem a baioneta apontada ao contrário. Façam favor de julgar que o meu teclado é deficiente.

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    2. Ahahahah! Gostei muito desta sua "confissão"… que o valoriza , aviso já!
      O Hemingway escreveu ele próprio muitas histórias, aliás editadas em livro, histórias de todas as cores, entre as quais se encontra o rosa, porque não?

      Um abraço cá da Cidade Morena e suas acácias rubras que estão em grande esplendor!

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    3. O Hemingway era um romântico, embora não parecesse. Basta ler "O Adeus às Armas" para se sentir isso; é um romance intenso, coisa que o leva a compreender os espanhóis e a agir como os latinos. Que o digam as amantes e esposas Agnes Von Kurowsky, Elizabeth Hadley, Pauline Pfeiffer, Jane Mason, Martha Gellhorn e Mary Welsh . A tal ponto foi seduzido pelas mulheres (daí o seu lado rosa) que o Scott Fitzgerald lhe aconselhou: "Vais ter de escolher uma mulher à medida que publicas cada livro".

      Um abraço do planalto acastelado, a acolher o frio quando o sol se deita e onde, como titulou Hemingay "The Sun Also Rises".

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    4. Claro que Hemingway era um romântico… toda a sua obra espelha isso, e, não apenas no sentido do romance amoroso! Era um caçador e pescador apaixonado, um aficionado… porque sabia ver e conhecia o lado romântico dessas actividades.
      Não é o único… os caçadores são dos últimos românticos e a prova disso é a quantidade deles que escrevem!

      Grande abraço para esse planalto onde tenho muitos amigos românticos!

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  7. Que bela oferta ! Vou usá-la já hoje. Obrigado, Maria do Rosário.

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