Uma noite diferente

Aqui há uns anos, a escritora Inês Pedrosa, então directora da Casa Fernando Pessoa, promoveu uma actividade original em que vários escritores passavam a noite no quarto onde outrora dormiu Fernando Pessoa, em Campo d'Ourique. Não creio que tenha sido fácil ficar sozinho naquela grande casa, mesmo que à porta houvesse um segurança – e para mim seria também tremendo não ter um duche pela manhã... Em todo o caso, sempre deu certamente a quem lá dormiu para coscuvilhar os livros da biblioteca do nosso poeta e ler algumas páginas para ocupar a insónia. Embora não seja saudável ter estantes de livros no quarto de cama por causa do pó, a verdade é que as estantes ficam bem em todo o lado lado – e há um pequeno hotel em Paris, La Librairie, que disponibiliza duas suites fantásticas de tal modo forradas a livros que até na casa de banho podem ser encontrados volumes para leitura. Passar a noite nesta espécie de livraria pode ser bom para quem fale francês, até porque, ao contrário do que acontece no The Literary Man Hotel de Óbidos, que tem um conceito parecido, no La Librairie os livros não foram comprados a peso e em saldo só para encher as estantes, nem há quarenta exemplares de cada título; ali, têm qualidade literária e a marca dos seus antigos proprietários – tratando-se realmente de uma biblioteca com valor que foi levada para ali. Não sabemos quanto custa a diária neste estabelecimento, mas deixo-vos umas fotografias para aguçar o apetite para o que seria, de facto, uma noite diferente.


 


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Comentários

  1. Bom dia. Há pessoas realmente curiosas de causar estranhamento quando reviram páginas e páginas, atrás dos resquícios e anotações de famosos, feito Pessoa. Mas, na latrina?!

    Cláudia da Silva Tomazi

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    1. António Luiz Pacheco22 de janeiro de 2019 às 02:08

      Qualquer sítio serve para ler… ahahah! Para mim, tem é de ser, sentado! Não gosto de ler em pé, portanto no duche está fora de questão! Ahahah!

      Saudações cá deste lado do Atlântico, ainda no hemisfério Norte, pelo menos até amanhã à noite!

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    2. Com que estão, Extraordinário Pacheco, de malas aviadas do Bairro Ribatejano para a Cidade Morena? Desejo que faça uma boa viagem, com uma boa leitura (se não "ferrar o galho" no avião) e felicidades nessas paragens africanas.
      Estou em crer - se não me engano nestas adivinhações - que irá levar na bagagem uma boa dose de livros.
      Apareça sempre por este sítio, nessa permanente fidelidade, pois aprecio sempre os seus comentários.

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    3. António Luiz Pacheco22 de janeiro de 2019 às 06:20

      Obrigado!
      Levo sim senhor… a barriga cheia do que tenho andado a ler, e, vou levar alguns! Se bem que por lá tenha dificuldade em ler o que não tenha a ver com o trabalho, que implica muita consulta. Mas, levo sempre livros "paisanos", eheheh!

      Grande abraço!

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    4. Oh Paxeco desejo-te boa viagem. Aproveito para realçar que os teus comentários são sempre, são sempre, como é que hei-de dizer, talvez a palavra mais adequada seja, sempre respeituosos, quase sempre lúcidos e dos mais lidos; é sempre com muito, muito gosto que os leio.
      Um abraço
      Nota: estou a ler um grande, grande escritor português- Vergílio Ferreira (já leste essa gigantesca obra que é a Conta-Corrente -9 volumes-)? Simplesmente avassaladora!

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    5. António Luiz Pacheco22 de janeiro de 2019 às 09:05

      Li alguma coisa, e aprecio o esquecido Virgílio Ferreira, mas essa obra não li!
      Boas leituras e que nos continuemos a encontrar e a trocar palavras, por aqui!
      Grande abraço!

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  2. António Luiz Pacheco22 de janeiro de 2019 às 02:12

    São ideias um bocado estranhas, para mim pelo menos, para quem o hotel tem sido sempre apenas um mero local de passagem, para pernoita.
    Agora, para quem passe férias, um fim de semana ou assim, num hotel, pode ser uma proposta interessante e até um chamariz… imagino um hotel desses, rurais, na montanha, ou num local isolado onde se vá descansar ou mesmo para escrever, mas nem por isso numa cidade turística onde se vai, penso eu, fazer de tudo menos ficar no hotel a ler…

    Saudações cépticas cá do Bairro Ribatejano.

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  3. O problema reside nos ácaros do pó, muito comuns nos domicílios (por mais limpos e arejados que sejam), que estabelecem o seu habitat preferencialmente em bibliotecas, possivelmente para leitura de obras que os proprietários das mesmas nem sequer abrem.
    Li algures a seguinte "medicação": para tirar os ácaros e o cheiro dos livros antigos, basta colocá-los num saco plástico (cada livro no seu saco) no congelador durante algumas horas. É aquilo a que eu chamo de "leituras frescas" ou "ácaros congelados".
    Tenho livros no meu escritório, na sala, num quarto de visitas (não no meu), na garagem e na parte de baixo da moradia, junto a uma garrafeira (esta de leitura mais líquida, da qual estou impedido de "ler/beber"), mas nenhuns encaixotados, uma vez que tenho para mim que os livros fechados são apenas madeira. Não os tenho nas casas de banho, porque acho anormal essa arrumação, possivelmente devido a algum sentido estético ou tendência mística, nunca higiénico.
    Ainda alguém me há-de explicar qual a ideia de colocar uma estante no compartimento WC. É fantasia, um pouco descuidada. De resto, em outros lugares que não estejam sujeitos a humidade intensa, é só uma questão de desinfecção periódica, que eu vou falhando.
    Relativamente a um hotel, colocando a breve permanência no dito, questiono a ideia. Não me estou a supor fazer uma leitura de uma obra num quarto de hotel. E muito menos na casa de banho.

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  4. Um espaço equipado com uma armação de madeira integralmente preenchida por livros afigura-se-me muito adequado a funções como conviver, ler, ver televisão, trabalhar, refletir, fazer amor, dormir, comer. Já para preparar refeições, realizar trabalhos oficiais, eliminar excreções parece-me desadequado. Ainda assim, viva os livros, sempre!

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    1. António Luiz Pacheco22 de janeiro de 2019 às 03:47

      Uma nota, concordante consigo, mas… é que tenho um nicho na parede da cozinha onde guardo os candeeiros a petróleo, e, livros de cozinha! Creio que neste particular se justifica…

      Abraço!

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  5. Quem gosta de ler nunca anda "descalço"!!!!!
    Hotéis com livros, cafés com livros, WC com livros - para quem? não se destinam certamente a quem gosta de ler (porque esses, se gostam mesmo de ler, nunca andam "descalços")...

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  6. Bom dia

    A ideia é bastante sugestiva para leitores mais ou menos compulsivos.

    Mas, para mim, é gulodice a mais. Prefiro Paris aos livros.

    Já se estivesse em Évora a cumprir uma pena de 5 anos, não me importava de ter uma cela assim forrada!

    E, falando em ladrões, o stock de livros da suite deve levar uns rombozitos, não? Tipo o outro senhor da manta no avião...

    À bientôt
    CPierre

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  7. Na minha casa tenho livros em todos os compartimentos menos no WC: salão, quartos, cozinha e corredores atapetados de livros; não foi o Henry Miller que escreveu um opúsculo "Ler na Retrete"? Ali indica os livros mais adequados para tal sítio. Penso que tal escrito ainda andará lá pela Beira Alta. Isso dos Hotéis não é novidade nenhuma.

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  8. Agora é tudo mais prosaico. Aluga-se apartamento por airbndb.com e estão lá as prateleiras com os livros de quem vive habitualmente na casa.

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  9. Pois é, há gente muito original. Mas hotéis com quartos cheios de livros desinteressam-me. Se eu nem um consigo ler numa noite...além disso gosto de ser eu a escolher o que leio e se durmo fora já levo o livro de casa. E mais, uso o quarto sobretudo para dormir e depois ainda me distraía a ler títulos ou folhear livros.
    Espero bem que a Inês (Pedrosa) tenha posto uma cama para os escritores e mais um colchão como deve ser e lençóis e tal e tal.
    Tenho alguns livros que não são demais. Não andam por todo o lado, mas existem em alguns lugares e nem sempre sei onde pára cada um. Ainda não estorvam e vê-los faz-me bem a tudo.

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