Sonho e caos

Portugal, Verão Quente de 1975. A fervilhante Revolução dos Cravos deu subitamente lugar a um imenso caos social e político; o País, em plena convulsão, está à beira da guerra civil. O poder disputa-se nos quartéis, nas ruas, nos campos, nas fábricas… O velho império de Quinhentos agoniza, com a independência das colónias e o êxodo de centenas de milhares de pessoas que regressam à velha metrópole. Entre estas, vêm também africanos num exílio forçado, imposto pela guerra e pela instabilidade, sobretudo de Angola. Esta é a história de um punhado desses homens em busca da sua identidade e de um lugar, num Portugal fragmentado que desconhecem. Operários de estradas labutam de sol a sol; estão fora e dentro do mundo, vivendo sob o manto de uma poeira que os torna fantasmas e sombras num teatro de mudança, cujo palco é um país que também parece andar à procura de si próprio. Às vezes choram, acreditam, lutam, apaixonam-se, perguntam que será feito dos que ficaram. Discreta e irónica, a presente narrativa, Homens de Pó, interroga o leitor sobre os limites da utopia e da realidade, e a importância da palavra e do sonho na construção das nossas vidas. E tem muito que ver com o que se anda a passar. É o último romance de António Tavares.


 


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Comentários

  1. Sem dúvida um bom argumento para um bom livro. Que não destoa da actualidade. Mas também é verdade que fui ver a exposição da Gulbenkian sobre Eça de Queirós, o "Tudo que tenho no saco, Eça e os Maias", e pensei o mesmo, a crítica social que por ali aparece não perdeu actualidade. Coisas de sermos mais imutáveis do que supomos. Ou das grandes obras não serem redutíveis à época.

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    1. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2019 às 04:09

      Gostei de ler a sua opinião sobre a exposição do Eça!
      Havendo embora opiniões discordantes (muito poucas) parece-me que não há grande duvida sobre a intemporalidade dos escritos, e portanto da opinião, do clássimo excelentíssimo Eça de Queirós!

      Cumprimentos calorosos (é para fazer inveja!) cá da Cidade Morena.

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    2. Obrigada:). É uma exposição muito agradável e bem delineada.

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  2. É um tema que não tem sido explorado na ficção, e que pode dar romances com muita acção e drama, pelo muito que se viveu em pouco mais de ano e meio.

    A mistura de olhares e de sentimentos, muitas vezes completamente antagónicos, pode dar grandes personagens.

    Haja tempo e talento.

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    1. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2019 às 04:12

      Completamente de acordo!
      Digam o que disserem da nossa história, eu atrevo-me a dizer que é das mais ricas (se não mesmo a mais rica) no que toca casos e acontecimentos que dariam para livros e filmes… o que não fariam os Norte-americanos se tivessem uma história como a nossa!

      Abraço (sim, caloroso, ehehehe!) cá da Cidade Morena.

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  3. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2019 às 04:22

    O tema é interessantíssimo e pelo que nos apresenta, é romance que vou comprar e ler, absolutamente!

    Já agora e a talhe de foice, tenho andado a ler justamente obras escritas por diversos peritos insuspeitamente estrangeiros, jornalistas de investigação, da história militar ou em conflitos, sobre o tema da guerra colonial e da descolonização. Hoje, a 40 anos de distância, quando as paixões estão mais calmas e até viradas para outros interesses, apontam para que teremos de fazer em breve um reset e perceber o que a propaganda política nos enganou quanto a isso, repetidamente, porque a história contada foi mal contada. Actualmente, os investigadores - e repito que já não estão nem comprometidos nem têm outro interesse que a história pura - revelam factos e documentos muito , mas mesmo muito diferentes (e contrários) ao que é corrente e ao que se divulgou como sendo a "verdade".

    Para mim nem é grande novidade, mas as leituras destes últimos dois ou três anos, e alguma vivência e memórias, assim me o apontam.

    Creio que é chegada a hora, com a cabeça mais fria, de se começar a olhar para este tema com acuidade e a colher dele a inspiração para os excelentes romances (e filmes!) que se adivinham, assim haja verve, assim haja capacidade.

    Saudações africanas, cá da Cidade Morena!

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  4. Obrigado pela recomendação. Vou querer ler. Gosto de ler sobre o período 1974-1976 (quando nasci) e acho que ainda está pouco explorado a nível literário e de investigação. O "Retorno" da Dulce é excelente nesse aspecto.

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