Manuel António Pina

Na sequência das comemorações dos dos 75 anos de Manuel António Pina (1943-2012), hoje começam em Lisboa as jornadas «Desimaginar o Mundo», dedicadas ao poeta, que se estendem até ao dia 9 de Fevereiro. O programa é promovido pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, a Faculdade de Belas-Artes e a Galeria Mira Forum e inclui, pelas 18h30, o lançamento de dois dois livros a que importa estar atento: Manuel António Pina: Desimaginar o Mundo: Descriá-lo e Manuel António Pina: Dos olhos e das Matérias. A apresentação contará com a intervenção do Professor José Carlos Pereira, que depois participará numa mesa-redonda com Ilídio Salteiro, João Paulo Queiroz, Rita Basílio e Sónia Rafael. Uma hora depois, abrirão duas exposições relativas ao poeta do Porto, uma de fotografia e outra de pintura. Na Invicta, a programação teve como convidados nomes ilustres da nossa Academia, desde logo Arnaldo Saraiva e Maria João Reynaud, mas também o amigo de muitos anos Álvaro Magalhães (poeta e autor de livros juvenis de grande êxito) e a poetisa Inês Fonseca Santos, entre outros. Houve ainda no final de 2018 uma extensão das jornadas a São Paulo para falar do outro lado do mar deste poeta magnífico que adorava gatos e tinha muitos (alguns, como dizia, em meia-pensão, outros em pensão completa). Lembremos, pois, o mestre e a pessoa fantástica que era com o seu poema intitulado Os Livros:


 


É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo "eu"entre nós e nós?

Comentários

  1. Lia sobretudo as suas crónicas e alguma poesia. Deixou-nos cedo de mais.

    ResponderEliminar
  2. António Luiz Pacheco17 de janeiro de 2019 às 02:20

    Confesso o meu desconhecimento tanto da obra quanto do autor, cujo nome nada me diz.
    Todavia, vou informar-me.
    Assim sendo, já aprendi qualquer coisa hoje, portanto é um dia ganho… é por estas e por outras que é útil e interessante vir aqui diariamente!

    Votos de um bom dia para todos, aqui desde o Bairro Ribatejano!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De Manuel António Pina, li "Crónica, Saudade da Literatura", livro de crónicas (muito interessantes-gosto de crónicas-) publicadas pelo JN (entre 198..e 199...) e gostei. Pareceu-me um homem com uma extrema sensibilidade e muito culto.

      Eliminar
  3. Manuel António Pina (1943-2012) é um homem da Beira e um poeta (dos poucos) que me apetece reler. Há outros, alguns até pouco lembrados, como é o contemporâneo Professor, Poeta e Ensaista Joaquim Manuel Magalhães, que vale a pena reler; há outros muitos, que nem vale a pena ler, porque é raro o português que diga não ter feito versos, o que levou um amigo a dizer-me, um dia: "quantos mais poetas, mais patetas".
    Gostaria de ver homenagens, em vida, a Joaquim Manuel Magalhães. Para além de tudo, foi num programa dele, do Professor Magalhães que ganhei um prémio literário (de prosa,mais propriamente no género conto), programa dito "Os Homens os Livros e as Coisas", na RTP. A última obra que conheço dele é de 2010, "Um Toldo Vermelho" , da Relógio d'Água, e presumo que tenha publicado recentemente uma reunião da sua poesia.
    Manuel António Pina (n. 1943) e Joaquim Manuel Magalhães (n. 1945) são da mesma geração, embora a linha poética de ambos não seja tematicamente coincidente.

    ResponderEliminar
  4. Pina escreveu um romance curto absolutamente magistral: "Os Papéis de K.". Para mim, a sua obra-prima. Ao nível do melhor Borges. Nunca compreendi porque não foi um êxito. Um dia emergirá como uma das grandes novelas do final do século XX. Sobre o Pina, o Álvaro Magalhães criou um livro que o retrata e que é o texto, ele próprio, de uma extraordinária beleza sobre a amizade e as idiossincrasias que fazem de cada um de nós um ser humano único e irrepetível. Chama-se "O Senhor Pina". Lendo-o se percebe porque este homem foi amado por tantos amigos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. "O Senhor Pina" é uma pérola, Artur.

      Maria

      Eliminar
    2. É mesmo ! Mas as pérolas permanecem tantas vezes ocultas...

      Eliminar
  5. O Pina era dos melhores, senão o melhor, "diarista" do jornalismo, com as suas crónicas diárias brilhantes no "JN".

    O poeta Manuel António Pina ainda é mais brilhante...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Luís, e quando conhecer o novelista de uma única obra vai ver que ele entra para a mesma prateleira do Juan Rulfo.

      Eliminar
    2. Não estará a fasquia demasiado alta?

      Eliminar
    3. Caro Jorge, Rulfo e Pina são escritores de um único, curto e singularíssimo romance. Ambas as obras são um prodígio de invenção e de qualidade estilística.

      Eliminar
    4. "Vim a Comala porque me disseram que vivia aqui o meu pai, um tal Pedro Páramo."
      Tenho que procurar essa novela do Pina.
      Um Beirão que, tal como o Eugénio, foi viver e morrer no Porto.

      Maria

      Eliminar
  6. Parece ter sido pessoa multifacetada. Conheço alguns poemas e gosto bastante do estilo. Já conhecia este sobre os livros que acho espantoso por simples. Fico contente que lhe prestem homenagem. E espero que lhas tenham prestado enquanto viveu. Merece.

    ResponderEliminar
  7. António Luiz Pacheco17 de janeiro de 2019 às 07:34

    Tenho de agradecer a muita informação aqui apresentada!
    Terei de colmatar esta minha lacuna, lendo o "Senhor Pina" .
    Lembro-me do programa televisivo referido pelo Fernando Costa, mas confesso que também não conheço o autor que ele nos aqui nos traz!

    Saudações para todos cá do Bairro Ribatejano.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Pacheco
      O catedrático Joaquim Manuel Magalhães, para além de poeta, é ensaísta. Algumas das suas obras encontram-se esgotadas - pelo que julgo - embora as possua (nem todas).
      Presumo que ele também foi professor de Literatura da nossa anfitriã, Maria do Rosário,na Faculdade. Para além dos excelentes dotes que ela tem, e nós o reconhecemos, com um professor assim, não é de admirar.
      O programa que ele lançou na TV, abriu um concurso, a nível nacional, sobre prosa e poesia; concorri com a prosa, nos meus verdinhos anos. Apenas rectifico o facto de não ter sido transferido em directo.

      Saudações do planalto da Nave, onde o frio almoça.

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório