Crónica e domínio público

Hoje é dia de partilhar a crónica; e desta feita ponho aqui a do dia 23:


 


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/23-dez-2018/interior/ementa-de-natal-10343409.html


 


Comunico ainda, segundo a «notícia» dada pela jornalista Isabel Lucas no Facebook, que este ano entram no domínio público, entre outras, as obras dos seguintes escritores: Marcel Proust, Edith Wharton, Joseph Conrad, Willa Cather, D. H. Lawrence, Agatha Christie, P. G. Wodehouse, Rudyard Kipling, Robert Frost, Katherine Mansfield, Wallace Stevens. Isso quer dizer que, não tendo de pagar direitos, muitas editoras por todo o mundo se afadigarão a publicá-los ou republicá-los. Uns terão novas traduções, estou certa, outros verão pela primeira vez a luz em certos países. Gostaria muito de ter tempo e unhas para traduzir Robert Frost, poeta norte-americano que adoro. Mas o que importa é ler estes senhores e senhoras que continuam a ser conhecidos e citados tantos anos depois de terem morrido. Isso é o que os torna clássicos.


 

Comentários

  1. Ali está; fino trato (ou de melhor) refinamento às letras.

    Claudia da Silva Tomazi

    ResponderEliminar
  2. Também não estou na onda da comida. Como já uma vez aqui escrevi, o fenómeno apareceu em Portugal no momento mais aceso da crise. Era chocante o contraste entre as imagens de comida na televisão e a realidade da penúria (e até da fome) de largos extratos da população portuguesa. Ambas as coisas entraram em simultâneo no meu espírito o que levou a que desviasse os olhos das imagens que surgiam sobre comida. Ainda me situo aí, nessa margem.
    Além disso também não vislumbro no planeta recursos que possam alimentar muita gente com tal requinte no futuro.
    Futuro: gafanhotos, escaravelhos, é isso?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco4 de janeiro de 2019 às 08:16

      Não se preocupe… são as modas, e, ditar tendências, fazer futurologia é coisa tão antiga quanto saírem erradas as previsões feitas! Quem as faz é que parece ignorar isso…
      Aliás ainda bem, e digo ainda bem porque tal como não devemos pretender analisar o passado usando a mentalidade ou conhecimentos actuais, também não podemos projectar o futuro usando da mesma forma de pensar. Sabemos, ou devíamos saber, que a forma de pensar de há 30 anos era tão distante e diferente da de hoje quanto daqui a 10 será diversa a forma de ver de então.
      Comer é algo que se manterá, como os alimentos, que nem desaparecem nem serão outros, as modas e as tendências serão outras sim, mas sem que o essencial se altere… Sou do tempo de as minhocas serem o futuro… e onde estão elas hoje? Pois, na terra, é claro, onde devem estar, no seu afã fertilizador!
      Gafanhotos… bom, e o que comem eles? O mesmo que as vacas pois claro, e são até bem mais destrutivos, pelo que não acredito nisso. Escaravelhos… idem, aliás em África já se comem, e eu já comi … mahungo , as larvas do escaravelho do muitiáti (mopane tree) , que se faz largo consumo delas no Sul de Angola.

      Que isso não lhe perturbe a digestão e nem o pensamento!
      Um abraço cá do Bairro Ribatejano.


      Eliminar
    2. Fome em Portugal? FOME, FOME houve nos anos 20, 30 40, 50 do século passado, aí houve, agora há um telemóvel por habitante!

      Eliminar
  3. Cá fico, impaciente, à espera do 'seu' Robert Frost. Coragem!

    ResponderEliminar
  4. O meu marido descobriu recentemente P. G. Wodehouse (a partir de um livro requisitado na Biblioteca) e ficou tão encantado, que lhe comprei três livros deste escritor. Dei-lhe dois de prenda de Natal e o terceiro ficará para a Páscoa
    P. G. Wodehouse escreveu bastantes romances. A sua escrita caracteriza-se por uma ironia britânica muito fina (só os títulos já são uma maravilha) e também eu estou ansiosa por ler. Não sei se já foi alguma vez traduzido em Portugal. As versões que comprei são alemãs - edições que aliás já têm alguns anos, uma delas, mais de dez. A livreira que me atendeu duvidou que essa ainda estivesse disponível na editora, mas clicou no computador... et voilà, ainda estava! Os livros foram encomendados e, passados três dias, fui levantá-los à livraria. Seria possível em Portugal? Ao ver uma lista de livros com edições de idades entre 5 a 12 anos, o mais natural seria o livreiro/vendedor (ou a maior parte deles) mandar-me dar uma volta...

    Quanto à comida: se os habitantes dos países ricos (sim, estamos incluídos) não fossem tão consumistas e não deitassem tanto ao lixo, não haveria necessidade de fazer dietas à base de insetos, no futuro. Se continuarmos assim, quem tiver dinheiro não precisará de insetos, mas daremos cabo do planeta.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Foram publicados numa chancela da editora Cotovia. A preços muito simpáticos, mas prefiro lê-los em inglês. As traduções portuguesas não lhes fazem jus, ainda que não sejam más.
      https://www.wook.pt/livro/o-codigo-dos-wooster-p-g-wodehouse/199237
      https://www.wook.pt/livro/epoca-de-acasalamento-p-g-wodehouse/194644

      Eliminar
    2. Obrigada pela informação. Eu também devia ler as versões originais, há muito tempo que não leio em inglês e, sem prática, já se sabe, perdemos o "traquejo". Mas agora tenho estas versões em alemão, fruto de reedições nos últimos anos, pela editora Suhrkamp, que tem prestígio neste país, o que me põe num dilema. As reedições aconteceram precisamente num projeto de melhoria das traduções. Indiscutível é, no entanto, que os clássicos devem ser lidos no original, sempre que possível. E tratando-se de ironia britânica, a decisão devia ser ainda mais fácil...

      Eliminar
  5. António Luiz Pacheco4 de janeiro de 2019 às 08:33

    Boa notícia, espero, essa da "abertura" à publicação de alguns nomes que parecem ser importantes… mas isso servirá deveras para os tornar populares? Aliás popularizar mais a Agatha Christie será possível? Por exemplo. Pelo que me parece uma boa notícia para os Editores mas sem repercussão para nós leitores.

    Quanto à comida, a sua análise é interessante no que ao modismo culinário diz respeito, e à divulgação instantânea do que se está a comer, como se cada refeição fosse a última.
    Não concordo com a idéia - também na moda - do fim da comida como a conhecemos hoje. Haverá alterações, claro, sempre houve e haverá, e não tenho dúvidas de que as pílulas alimentares serão uma realidade, mais cedo ou mais tarde, por comodidade ou porque será muitíssimo mais barato, prático, simples e leve um soldado levar no bolso uma placa com comprimidos de comida concentrada do que uma ração de combate tradicional. Sim, dou este exemplo porque a indústria da guerra, militar, manda muitíssimo (sempre mandou) também no campo da alimentação, o que normalmente é desconhecido do público em geral que não está ligado às agroalimentares. No entanto, pensar que a comida desapareça faz-me lembrar a teoria de que o Mundo acabaria no ano 2000 e outras do género… depois já era em 2012 etc.

    O Mundo é velho como o Mundo, e também a espécie humana que sempre foi capaz de suplantar os desafios e por cá continua, e, continuará acredito eu. Quantos profetas da desgraça, teorias do final da humanidade, etc. houve na história? Tantos que daria para uma lista telefónica, e aqui continuamos nós a profetizar catástrofes e fome.

    A preguiça, o comodismo, a facilidade, esses sim poderão comprometer as coisas, mas haverá sempre que goste de comer e de cozinhar, sempre houve…

    Saudações alimentícias cá do Bairro Ribatejano, onde houve pouco azeite, mas já se sabia que era ano de contra-safra e o olival por aqui ainda é o tradicional.

    ResponderEliminar
  6. Boa noite

    Estimo que o domínio público esteja para o PVP do livro, assim como a redução do IVA noutras áreas. Ou seja, nunca é repercutido no preço, para prejuízo do leitor.

    Quanto á gastronomia à base de insectos, nada a temer. Há já vários anos que os portugueses se habituaram a engolir grandes sapos...

    CPedro

    ResponderEliminar

Enviar um comentário