Uma carta de amor
Talvez os Extraordinários não saibam, mas o mercado editorial no Brasil está num estado absolutamente calamitoso. As coisas já não andavam de feição há imenso tempo, mas as duas principais cadeias de livrarias (Saraiva e Cultura) entraram em falência técnica; e isso quer dizer que não só muitas das cidades brasileiras ficarão sem uma única livraria (o que é tenebroso), mas também que os editores ficarão com créditos que não sabem se alguma vez vão conseguir receber (e, se conseguirem fazer acordos, de certeza que perderão cerca de 40% das quantias que lhes devem). Assim, também os pequenos editores, que em geral são os mais corajosos e publicam o que se vende menos (poesia, teatro...), entrarão em crise e, muito provavelmente, não se aguentarão. Mas também as editoras maiores, algumas pertencentes a multinacionais, com um respeitável número de funcionários, terão de despedir pessoas em várias áreas e, já se sabe, os assistentes editoriais, por diminuição da produção, são os que primeiro voam... Eu, que já estou nisto há trinta anos, já vi a mesma situação em Portugal, sobretudo com a falência de grandes distribuidoras nos anos 1990. Mas o Brasil é um país enorme, com a agravante de ter agora um governo que lida mal com a cultura e os intelectuais. É por isso que Luís Schwarcz, o editor da Companhia das Letras, escreve uma carta de amor aos livros que vale a pena ler. Deixo-vos o link e espero que, mesmo não sendo brasileiros, façam o que ele sugere, pede, diz. Por todos nós. E pelos livros.
Já sabia da situação porque sigo um blogue brasileiro no FB Gigantes da Literatura Mundial, mas também é verdade que a maioria dos milhões de brasileiros só lêem 4 livros por ano, segundo estatísticas oficiais; é claro que muitos não têm dinheiro para comprá-los, há prioridades. Por outro lado julgo que A Travessa vai abrir uma livraria no Príncipe Real, valha-nos isso, para andar a par do que se publica no Brasil cujo panorama editorial é muito diferente do nosso, até nas traduções de livros editados cá e lá. Enfim duas realidades, a mesma língua mas com nuances...
ResponderEliminarExistem bibliotecas.
EliminarAmo ler e por consequência frequento livrarias. As pessoas têm de serem representadas em livros; nós estamos lá em cada letra, palavra e frase. ‘Somos e seremos (muitas) histórias’. Em termos de cultura o Brasil, declinou à falta de vigilância governamental o plano de leitura e recreação da mesma. Desde criança amei a biblioteca da minha escola e cresci “não à podendo frequentar” (contudo) tenho a simbólica fotografia. Em quê momento se lhe deixou passar a imagem de milhares, milhões de brasileiros por tendo o vigor deste valor?! São respostas, quiçá milhares ou milhões de páginas, hoje escritas sem o mínimo fragor ou da fragil insurgência das urbanas, das rurais e de tantas cidades brasileiras nas mídias sociais, deste chamado “campo falho” onde a organização no trânsito sociólogico se faz desconexa entre gerações. O misto de solidariedade literária às escolas funciona, exemplo o fio da meada. Com relação às livrarias, lamentável.
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
EliminarTriste notícia nos vem de Além-mar … mas e em Portugal há motivos para sorrir?
ResponderEliminarNa minha pátria adoptiva (Angola) o panorama é ainda pior!
Será culpa dos governos?
Nós em Portugal, por acaso teremos tido algum governo que lidasse particularmente bem com a cultura? Claro que politicamente houve tentativas de fingir que sim, nomeando para a pasta nomes sonantes, gente da cultura e das artes, ou até nomeações politicamente correctas e fracturantes como agora é moda… se não for fracturante não é cultura!
Mas, depois ele são as cativações ao OGE, ou mesmo não se atribuem verbas… salvo àquelas fundações que é melhor não falar.
Portanto a nossa cultura vive de quê? Dos governos? Da política… não me parece!
No Brazil, não sei, mas ao que parece é um mercado apetecível a ponto de se fazer um acordo ortográfico que parece ter tido como objectivo vender livros e autores portugueses, lá… é o que se diz. Então afinal, foi um tiro de pólvora seca?
No reino da telenovela, não me espanta que se leia pouco… mas que o Brazil produziu extraordinários livros e escritores, isso é uma certeza. Já não são lidos, ao que parece.
Problema global, então? Hum… e saberão na verdade, e, mesmo as editoras, o que é que as pessoas querem ler? Andarão a promover os autores e os livros certos? Fazem inquéritos de opinião? Perguntam às pessoas?
Olhem: cheguei hoje pelas 5.20 da manhã, foi uma corrida para ir tomar banho mudar de roupa e estar no Consulado de Angola pelas 9 horas, despachei-me de lá fui ao escritório levar documentos e vim almoçar a Santarém, fomos ao inevitável shopping… mas com o propósito de ir à Bertrand, é como ir a Fátima, se me entendem… não só não comprei como não marquei nenhum livro para comprar, dos que estavam expostos, pois nenhum me interessou! Deve ter sido a primeira vez na minha vida, mas amanhã volto lá com mais tempo só para confirmar.
Felizmente tenho uma boa reserva pessoal para me entreter!
É que a continuar assim, vamos todos pelo mesmo caminho: Editora, livrarias e leitores!
Saudações arrepiadas cá do Bairro Ribatejano!
Eu, que já estou nisto há trinta anos, já vi a mesma situação em Portugal, sobretudo com a falência de grandes distribuidoras nos anos 1990.
ResponderEliminarCom esta frase considera que em Portugal tudo vai bem na área dos livros ??
Verdade ou mentira ?
Porque não nos vem falar dos grupos "Porto Editora/Bertrand" mais "Grupo Leya".
Seria bom analisar os malefícios que estes tem criado aos pequenos Livreiros.
Verdade ou mentira ?
Não me diga que todos fecharam as portas por causa dos senhorios