Marguerite e François

Às vezes descobrem-se coisas bem interessantes no Facebook – e foi completamente por acaso que dei com um vídeo belíssimo de meados dos anos 1960, no qual a grande escritora francesa Marguerite Duras entrevista o pequeno François, de 7 ou 8 anos, e este lhe dá respostas fascinantes. Era uma época em que a televisão ganhava terreno aos livros e já se preocupavam os intelectuais com o que poderia acontecer à cultura com o protagonismo alcançado em tão pouco tempo pela «caixa mágica». Mas, quando Duras pergunta a François, que é extremamente sério e expressivo, se ele prefere ler uma história ou ouvi-la na televisão,o rapazinho é categórico: lê-la. E porquê? Justamente porque, ao ler, ele é parte activa, faz parte integrante do projecto, e não sujeito passivo, como acontece quando é meramente um espectador e ouve alguém contar-lhe uma história. Este pequeno François deve ter hoje a minha idade – e deve estar, como eu, a perguntar-se por que raio tanta gente hoje prefere exactamente o contrário, ficar parado, quieto, à espera que os outros lhe dêem tudo feito… Um vídeo extremamente actual: basta substituir a televisão pelas novas tecnologias, e é tudo verdade. Deixo-vos o link:


 


 


http://www.ina.fr/video/CPF07003784

Comentários

  1. Da Marguerite Duras recordo o belíssimo filme INDIA SONG com música de Carlos D'Alessio, aliás a música que acompanhou o seu funeral em Paris.

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  2. Bom dia, a todos Vós!

    A imagem em movimento não substitui a palavra escrita, por isso um bom filme, seja um drama, um romance, com cowboys, policial, ficção científica, fantástico, ou um documentário sobre a natureza ou temas vários, proporcionarão sempre, prazer, deslumbramento e descoberta.
    O que me surpreende é que programas denominados de entertenimento tenham audiências fenomenais. É completamente absurdo.
    Com o aparecimento das novas tecnologias a imersão acentuou-se.
    A leitura continuará a ser para muito poucos, é pena, claro.
    Mas, o que se há de fazer?

    Cordiais saudações, hoje bem molhadas, cá da Pérola do Atlântico!

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  3. Dialogar. Merci François

    Cláudia da Silva Tomazi

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  4. «Por que raio tanta gente hoje prefere exactamente o contrário, ficar parado, quieto, à espera que os outros lhe dêem tudo feito…»
    Excelente pergunta? Que pense quem vive agarrado à caixa mágica se ao desligá-la, não se desliga ela própria.

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    1. Obviamente uma "Excelente pergunta!"
      A caixa mágica nem permite isto: desfazer o engano.

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  5. Os confrontos são necessários quando existem equívocos.
    Acontece que há situações de uma clareza estonteante.
    Como quando se escreve:
    "oh, mas se não fizeres isto, nunca mais poderás publicar nada;
    E não poderás ter mais nenhum filho;
    E nunca serás ninguém...."
    A via da ameaça e da intimidação, adoptada desde o início (com escritos que o comprovam) é lapidar e não suscita qualquer dúvida ou hesitação.
    Não são necessárias conversas.
    Apenas a constatação de que há quem seja grande e há quem seja ínfimo e, por isso, precise de cavalgar os outros para sobreviver. Mas não há problema. Perde-se aqui e já há outras Mónicas à nossa espera.

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  6. Para mim há na leitura, algo de muito importante: a liberdade que o leitor tem para idealizar a cena do que está a ler, como se fosse ele o realizador do filme.
    O filme não nos permite isso. É o que está ali no ecrã ou tela, é o que é. Ponto. E mais nada.

    Porém, ler dá mais trabalho. Além de se ler, tem de construir-se a imagem … e é nisso que eu distingo as grandes obras e os grandes autores, na capacidade que têm de descrever e de nos ajudar a construir essa imagem. No filme isso é imediato…

    Gosto de ver filmes, gosto de ver documentários… claro, e quem não gosta? Porém sou decididamente muito mais leitor do que espectador.

    O que o garoto diz, é isso mesmo e na minha óptica tem muita razão.

    Só que o Mundo hoje é sobretudo composto de espectadores, que se habituaram a que lhes dêem a imagem, muitas vezes até as ideias e os pensamentos, conduzindo e manipulando-os mas de forma a que se sintam esclarecidos, informados.
    Ainda há dias aqui tivemos provas disso… pelo que não admira que a leitura tenda a desaparecer e mais porque, como sempre, é considerada coisa perigosa! O leitor é parte activa, não é um espectador, mero assistente e crítico, aliás como não faz tem todo o tempo e acutilância para a crítica, mas sem capacidade de acção e muitas vezes sem ideias próprias nem qualidades para chegar a elas a não ser bebendo-as. Encaixa-se perfeitamente no modelo de pessoa do futuro.

    Saudações cá do Bairro Ribatejano!

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  7. Não se pode comparara o que não é comparável.

    O livro não tem linhas do horizonte...

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  8. Cara Maria do Rosário, o grande problema é que, nas novas tecnologias, também somos parte ativa. A Maria do Rosário escreveu o post, nós comentamos, trocamos impressões... Nas redes sociais é parecido. Os jovens usam-nas para estarem em contacto uns com os outros. Os assuntos podem ser superficiais, dão erros que se fartam, mas são parte ativa, fazem parte do processo, não se limitam a ouvir contar uma história. E mesmo que se use a internet apenas para jogos, é-se parte ativa. A leitura está ameaçada, sem dúvida, mas não penso que basta substituir a televisão pelas novas tecnologias.

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    1. Não apenas os jovens … toda a gente, acha que, comentando na internet é parte activa.
      Que está a fazer algo por alguma coisa. Mas não percebe que é virtual!
      Na verdade não está, quando muito está a dar peso opinativo a quem iniciou o movimento que vai usar os "likes" como reforço da sua argumentação, que a vai entender como sendo certa, mesmo que esteja errada, e, já sabemos que uma mentira mil vezes repetida, torna-se verdade.

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    2. Mas não há dúvida de que é um processo diferente do que ver televisão.
      Atente: eu não disse que as novas tecnologias substituem o livro! Pelo contrário: quis dizer que são um problema bem mais bicudo do que a televisão (na medida em que desviam da leitura), pois permitem uma intervenção. Virtual, ou não, permitem-na. É bem diferente do que assistir a um filme, ou a um programa televisivo.

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    3. Acha mesmo que, ao comentar neste espaço, se está «a dar peso opinativo a quem iniciou o movimento que vai usar os "likes" como reforço da sua argumentação, que a vai entender como sendo certa, mesmo que esteja errada, e, já sabemos que uma mentira mil vezes repetida, torna-se verdade»?
      (Seja lá o que as suas palavras querem dizer...)

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    4. Acho sim! Ou não o diria.
      O que eu quis dizer, é que as pessoas através das tecnologias como a internet, à qual acedem em qualquer lugar e a todo o momento, passam a julgar que de facto fazem alguma coisa ao colocarem "likes" como forma de expressarem o seu apoio. Julgam-se intervenientes e que passaram a ter uma relevância, por exemplo política ou no apoio a causas, que na verdade não têm, porque não mudam os seus comportamentos e não é por esta suposta militância que vão de facto influenciar ou alterar o que quer que seja. No entanto esses "likes" servem depois aos que postaram aquilo, para se assumirem como líderes, acharem que têm também seguidores e uma importância que normalmente não têm, porque também não percebem que pôr um " like" é imediato, muitas vezes irreflectido e que não pode contar com essas pessoas, que se acomodam, são muitas vezes egoístas e profundamente comodistas.
      No fundo, o que se criou com este Mundo virtual, foi a forma de ainda mais enterrar as pessoas nesse egoísmo comodista - o que é bem sabido e usado pelos que pretendem liderar ou chegar a algum fim.

      Cumprimentos cá do Bairro Ribatejano.

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    5. Nota: a "este espaço" eu não refiro o blog Horas Extraordinárias!
      Nem pouco mais ou menos. Refiro-me mais exactamente ao Facebook e similares.

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    6. Claro! Concordo e percebi perfeitamente,

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  9. Que era de tanto vazio... de facto, cada vez se lê menos e isso é visível nos adolescentes portugueses totalmente viciados no virtual.
    Festas felizes e boas escritas.!
    MM

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