O meu gosto

A pedido de várias pessoas, quase todas visitantes deste blogue, venho partilhar a lista dos dez livros que escolhi para o programa de sábado passado, O Gosto dos Outros, na categoria "Os 10 Livros mais Importantes da Literatura Portuguesa do Século XXI" (e da qual só um título coincidia com a lista do meu interlocutor, Rui Zink, que deve estar disponível na Net). Porém, tenho de dizer antes de mais que, quando aceitei o convite para esta sessão, percebi que se tratava de obras de autores estreados neste século (o que para mim seria muito mais fácil) e, quando vi que me tinha enganado, fiquei aflita... Assim, a minha lista não é de certeza dos 10 livros mais importantes, porque em dezoito anos haverá certamente muitos que não li mais importantes do que os que li; além disso, nos tempos livres, leio mais livros estrangeiros do que portugueses e menos ensaio do que ficção. Tentei, mesmo assim, listar livros para todas as idades e de vários géneros (esqueci-me do teatro, pois foi) e coisas de que ainda me lembrava bem, uma vez que, ao ir para velha, tenho tendência a esquecer rapidamente o que li uma semana antes, mas a lembrar-me bem do que li há muitos anos. Finalmente, para que não dissessem que estava a puxar a brasa à minha sardinha ou criar zangas com autores, decidi não incluir um único escritor que publiquei (à excepção de Pacheco Pereira, de quem de facto fui editora, mas no século passado, por isso não conta). Tomem lá, para o que der e vier:


 


O Meu Avô – Catarina Sobral


Um livro infantil edificante, e não estupidificante, como tantos.


 


Irmão Lobo – Carla Maia de Almeida e António Jorge Gonçalves


Um livro juvenil que os adultos adorarão ler


 


Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa – Antônio Houaiss (org.)


O melhor instrumento para amantes da língua portuguesa


 


O Futuro da Ficção – António-Pedro Vasconcelos


Um pequeno ensaio negro mas luminoso


 


Álvaro Cunhal: Uma Biografia Política – José Pacheco Pereira


Uma biografia essencial


 


A Morte sem Mestre – Herberto Helder


A despedida de um poeta


 


Uma Viagem à Índia – Gonçalo M. Tavares


O diálogo com os clássicos


 


O Retorno – Dulce Maria Cardoso (escolhido também pelo Rui Zink)


O livro que põe o dedo na ferida


 


As Primeiras Coisas – Bruno Vieira Amaral


O nascimento de um escritor


 


Adoecer – Hélia Correia


A consolidação de uma grande escritora


 


 


 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco7 de novembro de 2018 às 01:50

    Caramba! Se me permitem a expressão… eis algo que se me afigura missão impossível!
    Além de que não será pacífico, mesmo para quem tenha essa capacidade, pois as escolhas variam muitíssimo com quem as faça, dependendo de factores de vária ordem, como se entende!
    É mesmo atemorizador, esse desafio, e, gabo-lhe a coragem.

    Saudações assustadas cá da Cidade Morena.

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    1. Atemorizador porquê?!...Julgo mais importante compreender a razão por que se escolhem do que a obra em si. E conhecer o gosto dos outros é interessante. Não apenas porque podem apresentar-nos obras desconhecidas, como porque as razões de escolhê-las serão as mais diversas e não completamente objectivas.

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    2. António Luiz Pacheco7 de novembro de 2018 às 06:06

      Sei que é excessivo dizer atemorizador, mas é o que me provocaria pois não ia ser capaz de selecionar 10 livros… tanto porque falta conhecimento para isso (teria de estar a par de muitíssimo mais publicações e lê-las…) como porque pura e simplesmente não consigo isolar assim 10 livros! Porém, e o pior, era mesmo a polémica que certamente ia provocar, e uma polémica em que poderia ser facilmente aniquilado por falta de argumentos.

      Penso que seja comum temer-se aquilo que não somos capazes de fazer… e daí o meu temor.
      Mas, cada macaco no seu galho… como soe dizer-se, eu não sou a Drª Maria do Rosário, obviamente, pelo que admiro a forma como fez a escolha. Quem sabe, sabe…

      Saudações calorosas (literalmente falando) cá da Cidade Morena!

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  2. António Luiz Pacheco7 de novembro de 2018 às 02:12

    Esqueci-me de dizer que gostei da "lógica" usada para a escolha!

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  3. Obrigada por partilhar aqui a sua lista, Rosário, é boa ideia para quem não teve a sorte de estar a ouvi-la na Gulbenkian.
    Desses livros, li apenas três que são mais porque uma delas foi a de Pacheco Pereira - do melhor que já li em biografias - em quatro esplêndidos volumes; as outras foram Adoecer e Retorno.
    Fiquei algo curiosa com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Mas tenho de o folhear com calma.

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  4. Quanta diversidade... e nunca está no meu "top-ten". :)

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  5. Desta lista apenas li dois:
    O Retorno e Adoecer.
    Sinto-me incapaz de fazer tal lista agora, teria de dormir sobre o assunto...
    De qualquer modo, apenas poderia fazer uma lista dos 10 mais importantes para mim, nunca dos mais importantes da Literatura Portuguesa, não me sinto com capacidade para tal.
    Maria

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    1. ... mas sinto-me capaz de dizer que neste século li, pela primeira vez, alguns escritores portugueses que me deixaram marca:
      J. Rentes de Carvalho
      Dulce Maria Cardoso
      Teresa Veiga
      Paulo Varela Gomes
      Como li vários livros de cada um, posso afirmar com alguma segurança que fazem parte da boa literatura portuguesa deste século.
      Maria

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  6. Da lista li "O retorno" e "As primeiras coisas", gostei mais do primeiro, mas é uma mera questão de gosto pessoal.
    Sem pensar muito, há um título deste século que me vem imediatamente à cabeça, pois considero-o uma obra-prima da literatura portuguesa, e medi bem as palavras: "Para onde vão os guarda-chuvas" de Afonso Cruz. Uma delícia que não me canso de emprestar.

    Rui Miguel Almeida

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    1. Tenho-o cá em casa, Rui, mas ainda não o li - tenho tantos à espera...
      Já o fui buscar à estante, já está aqui mais perto de mim.
      Obrigada pela sugestão!
      🍁
      Maria

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    2. Desejo-lhe boas leituras, Maria. Quando acabar, dê-me a sua opinião, se se lembrar. Se andar no facebook procure por Rui Miguel Almeida, de Aveiro.

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    3. Não tenho facebook, Rui Miguel.
      Mas depois comento por aqui (a Rosário não se importa...)
      Maria

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