Listas

Para não perdermos o hábito das listas – que, pelos vistos, são sempre boas sugestões para este ou aquele leitor, descubro uma longa lista de mais de 100 livros bons numa revista brasileira, de resto encabeçada por uma fantástica frase de Umberto Eco: «O mundo está cheio de livros que ninguém lê.» Pois, é isso mesmo, e a Revista Prosa Verso e Arte resolve conjugar autores clássicos e contemporâneos que acha que um dia vão ser clássicos, desde O Nome da Rosa, do próprio Eco, O Estrangeiro, de Camus, 1984, de Orwell, O Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, O Principezinho, de Saint-Exupéry, ou Os Irmãos Karamazov, de Dostoievsky – isto para falar apenas dos títulos que ocupam os primeiros lugares (não sei se por serem os mais votados, se a ordem é arbitrária). Mas lá pelo meio há coisas se calhar mais inesperadas, como As Flores do Mal, de Baudelaire, e A Tarde de Um Fauno, de Mallarmé (que, quanto a mim, já são livros algo exigentes e pressupõem o gosto pelo género e hábitos de leitura mais firmados), ou mesmo Diante da Dor dos Outros, de Susan Sontag, autora que raramente vemos nestas listas. No entanto, se quiser perder uns minutos a ganhar ideias para as próximas leituras ou a ver quantos destes já «papou», aqui fica o link:


https://www.revistaprosaversoearte.com/160-livros-essenciais-da-literatura-mundial-quais-voce-ja-leu/

Comentários

  1. Já conhecia essa lista do Blogue Gigantes da Literatura Universal, Alguém disse que alguns não deviam constar dela, enfim são opiniões, sempre subjectivas. Desses, já li cerca de 40. De momento as prioridades são outras. O blogue brasileiro "Revista BULA- Literatura e jornalismo cultural" também é muito bom e de vez em quando faz as suas lista, com base na BBC e outras fontes e não só de literatura também de cinema. Não é o Eco que tem uma obra intitulada "A Vertigem das Listas" que eu tenho e por acaso é bem interessante!.

    ResponderEliminar
  2. Assim numa primeira vista à pressa, posso dizer que não li todos os livros dessa lista, mas li quase todos os autores, excepto talvez uns 20 ou 30 que serão mais conhecidos no Brasil, penso eu.
    E dei por falta de alguns escritores que muito aprecio, por exemplo, Somerset Maugham e Stefan Zweig.
    Mas há mais, só que agora vou ter de sair, voltarei à carga mais tarde...
    Gostei de ver a "Rosário e o Manel" ontem à tarde. Não sabia que as tiragens dos livros eram tão reduzidas!
    Maria

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ressalvo: o Maugham está lá!
      Maria

      Eliminar
    2. O Zweig com certeza, falta imperdoável.

      Eliminar
    3. E poucas mulheres, como sempre.
      Apenas 20 escritoras.
      23 livros, já que Lispecter, Austen e Woolf têm dois livros cada nessa lista.
      Resumindo: 23 livros num total de 160 é muito pouco.
      E cinco completamente desconhecidas para mim, mas convém não esquecer que é uma lista brasileira... muito diferente da nossa realidade lusa.
      Maria


      Eliminar
  3. Por acaso já "papei" uma considerável parte deles, ou, li outros dos mesmos autores.

    No outro dia referi que a simples idéia de ter que fazer uma lista destas me apavorava, mas era para resumir a 10! Ora, 100, já seria para mim um número mais acessível, mas ainda me assustava pois teria de deixar de fora livros de que gostei muito ou me marcaram.
    Notem que lendo práticamente de tudo, independentemente de quem seja o autor, li coisas de que nem por isso gostei ou de autores que me são completamente desagradáveis e apesar disso me marcaram.

    Esta, não deixa de ser uma lista interessante e curiosa, se bem que e como seria de esperar possa ser discutível… depende evidentemente dos critérios.
    Exemplificando e falando do nosso Saramago, porquê a escolha dos dois ensaios e deixar de fora o Levantados do chão ou Memorial do convento, que me parecem mais emblemáticos ?
    Idem para a escolha de um dos melhores livros de Jorge Amado, mas que não me parece ser o mais divulgado nem celebrado… estarei enganado?
    E, como não podia deixar de ser, também me parece que ficam de fora algumas grandes obras de autores que não figuram na lista… mas, repito, são os critérios de cada um.

    Fica a pergunta: quem é que decide que uma obra passa a ser "um clássico"? E a partir de quando? Na verdade habituei-me a que certos e determinados autores e obras eram "clássicos", mas sem nunca me questionar disso… apenas assumindo o que era apresentado, mas da leitura deste post parece que há um momento ou uma entidade… se alguém se quiser dar ao trabalho de me esclarecer, agradecido fico.

    Saudações expectantes cá da Cidade Morena!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ó Paxeco olha que não sei se "Os capitães da areia" não será o mais divulgado e celebrado livro do Jorge Amado, pelo menos o mais célebre deverá ser.

      Quanto à lista (quem gosta de livros gosta destas listas) obviamente que é questionável, como são todas as do género, já li alguns dos livros nomeados e gostei de ver lá, pelo menos 10 que fazem sempre parte de qualquer lista que, deste tipo, eu elabore, são eles, pela minha ordem de preferência:

      1-OS MISERÁVEIS
      2-O AMOR EM TEMPOS DE CÓLERA
      3-O PROCESSO
      4-100 ANOS DE SOLIDÃO
      5-POR FAVOR NÃO MATE A COTOVIA (Br. O sol é para todos)
      6-GERMINAL
      7-A METAMORFOSE
      8-O SOM E A FÚRIA
      9-O ESTRANGEIRO
      10-BONECA DE LUXO

      Todos estes livros são admiráveis e por isso os aconselho (embora isto de aconselhar livros, como já aqui referi anteriormente, tem que se lhe diga -o que é bom para mim pode não ser para ti e vice versa-).

      Não incluo nenhum livro do Saramago, eu que sou um indefectível (para não dizer fanático) pois também eu, tal como o nosso Paxeco, questiono o porquê da escolha destes dois livros e deixar de fora o extraordinário "Levantados do chão" o supremo "Memorial do convento" ou mesmo o fabuloso "O ano da morte de Ricardo Reis"?

      Eliminar
    2. Ó Severino, talvez O Ensaio sobre a Cegueira seja porque fizeram um filme desse livro, e o realizador foi o brasileiro Fernando Meirelles.
      E o Convento de Mafra não lhes deve dizer grande coisa (a não ser que foi feito com o ouro que vinha do Brasil).
      Mas isto é só um palpite...
      Maria

      Eliminar
    3. Ó Severino, sou capaz de apostar que Gabriela cravo e canela é capaz de ser o livro mais conhecido do Jorge Amado… e Tereza Baptista cansada de guerra não menos… penso eu! Capitães de areia é magnífico sem dúvida, mas acho que o ícone é mesmo a Gabriela…

      Ainda bem que concordas comigo na escolha do Saramago, em que julgo és um expert, mas a explicação de ter sido feito o tal filme por realizador brasileiro parece-me acertada!

      Se tivéssemos um Hollywood na Reboleira ou na Pera Fita (sei lá…) aposto que teríamos já visto um grande filme adaptado do Levantado do chão…

      Abraço cá da Cidade Morena!

      Eliminar
    4. Eu gostei particularmente de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Jubiabá

      Eliminar
  4. Parece-me sobrecarregada de obras de Língua Portuguesa, faltando-lhe, em compensação, obras como "Memórias de Adriano", M. Yourcenar, "A Ponte sobre o Drina", I. Andric, "A Porta", M. Szbabo, "Viagem ao Fim da Noite", Celine, "Os Deuses Têm Sede", A. France, "Danúbio", C. Magris, "O Valente Soldado Chveik, J. Hasek e sei lá que mais.

    ResponderEliminar
  5. Só encontrei um livro inesperado nesta lista: "A Parte que Falta" de Shel Silverstein. Conclusão: estou velho mesmo !

    ResponderEliminar
  6. Não li metade dos livros desta lista. Podia lançar-me a ler com toda a força a ver se chegava pelo menos a meio antes que a morte se lembre de mim. Mas se já passou tanta vida e pouco consegui, talvez o melhor seja ir lendo com os meus vagares, ao sabor dos apetites e sem ligar a números ou listas. Embora, é claro, dê sempre uma espiada.
    Umberto Eco bem o sabia, o mundo está cheio de livros que ninguém lê. As editoras que abram a boca e confirmem.

    ResponderEliminar
  7. «As Flores do Mal» é uma escolha «inesperada»?! Surpreendente afirmação por parte de uma editora... que é também poeta. A obra-prima de Charles Baudelaire (já agora, um dos «20 livros da minha vida») só é «exigente» para quem não se esforça o suficiente.

    ResponderEliminar
  8. Obrigado por esta lista, sabe sempre bem espreitar.

    De Vargas Llosa, o escritor que elegeria como meu favorito, se isso me fizesse sentido, jamais escolheria "A cidade e os cães". Nem sequer nos 5 melhores dele entraria. Opiniões...

    Rui Miguel Almeida

    ResponderEliminar
  9. 160+4, pode ser?
    - Zweig
    - Isaac Azimov
    - George R. R. Martin
    - Rentes de Carvalho

    ResponderEliminar

Enviar um comentário