Leituras

Esqueci-me na sexta e, portanto, hoje é dia de cada um dizer o que anda a ler (eu, por razões profissionais – uma conferência sobre poesia e fado que farei em Guadalajara mais para o final do mês –, ando a ler livros sobre fado, nos últimos dias capítulos de Pensar Amália, de Rui Vieira Nery), mas, como já despachei a coisa, aproveito para publicitar um livro que é obra de gente Extraordinária: Contos do Portugal Profundo e Uma História Brasileira. Deixem-me explicar: a Cristina Torrão (julgo que foi ela) andou a desafiar aqui os visitantes deste humilde blogue, presumo que sobretudo os que já escreveram e publicaram livros, para contribuírem com um conto e se montar uma colectânea assinada pelos Extraordinários. Mais tarde, o Pedro Sande perguntou-me se eu não poderia juntar-me ao grupo e respondi afirmativamente (a anfitriã podia lá faltar…), oferecendo uma coisa escrita há vários anos que não chegou ao papel. Ainda não vi o «bicho» senão em fotografia nas redes sociais* (e não prometo lê-lo nos tempos mais próximos porque estou com trabalho até ao tutano), mas posso desde já adiantar que os participantes, além dos dois nomes já referidos, foram, por ordem alfabética, António Breda Carvalho, António Luiz Pacheco, Cláudia da Silva Tomazi, João J. A. Madeira, José Cipriano Catarino e Luís Alves Milheiro. Cito a organizadora (com novo acordo ortográfico e tudo): «Esta coletânea variada, com lugar para a ironia, a diversão, a tristeza, o desencanto e até a filosofia, está à venda na Amazon:


 


https://www.amazon.co.uk/dp/1727085205


 


https://www.amazon.es/gp/offer-listing/1727085205/ref=tmm_pap_new_olp_sr?ie=UTF8&condition=new&qid=&sr=


 


É só encomendar e receber o livro em casa!» Por que esperam?


 


* Afinal, tenho-o desde sábado, oferecido pelo Pedro Sande, mas quando escrevi este post ainda não lhe tinha posto a mão.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco5 de novembro de 2018 às 01:52

    Extraordinário! Ahahahah!
    Ainda não li os Contos do Portugal Profundo, mas fá-lo-ei em breve! Até já tenho presentes para natalar alguns amigos e parentes… eheheh!

    Quanto às leituras:
    Devo dizer que aproveitei bem a estada em Portugal no mês passado, para comprar e ler alguns livros.

    Destaco- do jornalista Orlando Raimundo, "O processo", um trabalho que retrata uma tentativa de condicionamento da imprensa regional e da câmara municipal de Santarém, por um candidato a potentado e tiranete local, na senda do que então se passou em Portugal sob a égide de determinado 1º ministro e seus apaniguados. Dez anos depois, que a justiça é como se sabe, foi no entanto feita a dita cuja e o jornal "O Mirante" ganhou em toda a linha, tendo sido bem mostrada a vergonhosa por tendenciosa e mal-preparada a acção do MP e dos juízes. Vale a pena ler, para percebermos como se fazem as coisas e sobretudo como os juízes "ajuízam" , até arrepia!


    Portugal e as guerrilhas de África - de AL J. Venter (jornalista de guerra Sul-africano, com larga experiência de conflitos em África, médio Oriente, Balcãs e El Salvador. É correspondente de guerra-mesmo, dos que andam fardados junto com as tropas e no teatro de operações, não é dos que fazem entrevistas e aparecem em directos no tecto do hotel… e as fotos que faz o provam. Como o relato dos acontecimentos e as pessoas e os lugares de que fala. Foi nomeado para o Arthur Goodzeit Book Award em 2013 , mas não sei o que seja…
    Infelizmente é grosso e pesado demais, ficou para continuar no Natal.
    Aconselho a quem se interesse pelo tema da Guerra do Ultramar, tratada com isenção, rigor e onde se lêem verdades que incomodam para todos os lados.


    Depois deu-me para os clássicos… li:

    A Taça do Ouro - de um dos meus escritores de eleição, John Steinbeck. Por acaso o seu primeiro romance editado, que comprei em tempos mas nunca lera ainda… é uma biografia romanceada do pirata/corsário/flibusteiro/bucaneiro Henry Morgan. Vale a pena!

    Reli, pois já o lera há muitos anos: Levantado do chão, de José Saramago. Continuo a deleitar-me logo com a introdução e o seu, digamos, ensaio sobre a paisagem. É sublime.
    Vou confidenciar aqui algo, que possa embora ofender sensibilidades dos fãs do Escritor, e que uma vez mais me ressaltou da sua escrita, da forma como trata e descreve os personagens… eu sinto que Saramago não gostava lá muito de pessoas, e olhando ao seu percurso e até à forma como se isolou e quase desterrou, se tornou misantropo… isto sem tirar valor à sua qualidade de escritor, evidentemente!
    Fica-me esta dúvida e o comentário, não sei se alguém mais o sente?

    Finalmente, li o novo de Afonso Reis Cabral, Pão de Açúcar.
    Temos escritor acho eu!
    Já em O meu irmão, ele me impressionara pela sensibilidade, a capacidade de sentir e de descrever com profunda maturidade situações raras, invulgares e a que poucos escritores portugueses (ou mesmo nenhuns, na actualidade) se dedicam. Parece que olham apenas para si… o Afonso R. C. parece que pelo contrário consegue olhar para os outros e dá ostras de ter uma grande humanidade, ao contrário de Saramago? Mas ainda sem a maestria daquele, porém possui a verve e se continuar assim vaticino que poder ser um dos grandes escritores dos próximos tempos, o que sinceramente lhe desejo, porque precisamos e ele merece. Lembra-me o Mea Culpa, onde também se trata de um tema num contexto inabitual e que parece desprezado.
    Aconselho vivamente a leitura deste livro, que li de uma vez, comecei à tarde e acabei-o pela noite fora, porque achei que não era para largar, vi-me metido na voragem dos acontecimentos como num vórtice, numa espiral.

    Saudações e votos de boas-leituras, sempre, cá da Cidade Morena!

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  2. Comecei ontem "Confabulações" de John Berger, depois de ter lido o seu excelente, embora muito datado "Modos de ver" (de 1972).

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  3. Antes de mais, parabéns a todos pela concretização do livro!
    Eu já sabia pelo blog do Luís Milheiro, aliás até já li uns extractos que ele lá colocou.
    Agora estou a ler o Último Caderno de Lanzarote do Saramago, e a reler O Mundo de Ontem do Stefan Zweig.
    Maria

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  4. Continuo com O Enigma da Chegada do Naipaul, a Casa Sombria do Dickens e comecei Bela do Senhor do Albert Cohen, um tijolo de mais 800 páginas.

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    1. António Luiz Pacheco5 de novembro de 2018 às 04:04

      Curiosidade sobre o calhamaço que refere - Bela do Senhor: que género é?
      Sendo eu um apreciador de cartapácios, interessam-me os romances volumosos.
      Obrigado.

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    2. António Luiz: leia "Catástrofe..." do Max Hastings, um cartapácio de quase 700 páginas, onde se fica a saber por associação a que outros faziam que a história do soldado Milhais, o Milhões, é propaganda de Tostões.

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    3. Assim é que está bem!
      «António Luiz: leia "Catástrofe..." do Max Hastings. Um cartapácio de quase 700 páginas, onde se fica a saber por associação ao que outros faziam, que a história do soldado Milhais, o Milhões, é propaganda de Tostões.»

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    4. É uma história de amor absoluto, publicado em 1968 e galardoado com o grande prémio de romance da Academia Francesa. É considerado o livro de culto de Albert Cohen , clássico insuperável e intemporal, trazido agora a uma nova geração de leitores pela Porto Editora.Bernard Pivot disse que " é a obra-prima da literatura amorosa da nossa época".

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  5. Muito obrigada pela publicidade :-)
    E agradeço mais ainda ter aceitado participar.
    Sim, a iniciativa foi minha e convidei os "extraordinários" que sabia já terem publicado, mas também aqueles que conheço melhor. Confesso que deixei o convite (a si) a cargo do Pedro Sande, por recear uma recusa. Enganei-me, mas há situações em que ficamos satisfeitos por nos termos enganado.

    Em relação a leituras, por acaso, estou a ler outra coletânea em que participei, publicada pela Academia de Letras de Trás-os-Montes: "Gentes e Lugares". A qualidade dos contos é muito variável, mas é uma lindíssima homenagem à região transmontana.

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    1. António Luiz Pacheco5 de novembro de 2018 às 05:39

      Onde arranjar essa colectânea? Interessa-me muito!

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    2. Penso que não está à venda nas livrarias. Tente no facebook em
      https://www.facebook.com/altmontes

      Envie mensagem com o seu pedido. Se tiver dificuldades, contacte-me também no facebook, ou por email.

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    3. "VOZES E PERCURSOS - A memória dos outros I" - Marcello Duarte Mathias - um acervo de memórias e defile de personalidades, Raymond Aron, Nabokov, Camus, Miguel Torga e muito mais; e que bem escreve este diplomata e escritor cujos ensaios leio sempre com muito agrado pois a limpidez e a clareza da sua escrita há muito me agarrou.

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  6. Pela enésima vez, "O ano da morte de Ricardo Reis" de José Saramago (razões de trabalho).

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  7. Pois a melhor parte ficou para a Cristina :), pois a outra custou (me) na organização e composição, alguns breves, levíssimos, mas para mim sempre afectuosos puxões de ore-lhas.
    Incompreensões, naturais, dos ventos dos “gostos e desgostos”, tentando harmonizá-los, erradicá-los a cada mudança. Extirpando essas pequenas gralhas dos pequenos acertos dos textos, das mudanças operadas via correio electrónico, das distintas versões dos processadores de texto. Esperemos que todos (ou quase todos) estes pequenos “mogwais” alimentados e transformados em “gremlins" de edição, da translineação, do espaço duplo, tenham sido erradicados na obra-final pela radiosa luz do sol das semanas transactas.
    Mas é ler, senhores e senhoras, que o conto não é menos do que novela nem a novela menos do que romance: é, apenas, uma outra forma de mostrar e contar.

    Relativamente às leituras desta semana, sobrou o ganho de algumas obras mencionadas na sempre difícil arte de listar o gosto, na audição “in loco” dos 10 Livros Mais Importantes Da Literatura Portuguesa Do Século XXI (evento “O gosto dos outros” na Gulbenkian). Painel composto com a nossa anfitriã, Rui Zink e com a sempre bem-disposta (e centrado eixo-do-bem e do mal) moderação do Aurélio Gomes.
    Nas sempre difíceis listas, sempre exíguas para a qualidade da nossa literatura, anoto a Carla Maia de Almeida com “O Irmão Lobo”, o “Adoecer” da Hélia Correia, a Dulce Maria Cardoso com “O Retorno”…
    Na mesa-de-cabeceira passam-se as páginas finais de “Palomar”, do Italo Calvino e “Catástrofe…”, de Max Hastings.
    E mais não digo, ou listo, pois o meu gosto é um cobertor de grandes dimensões. E a minha mesa-de-cabeceira um primeiro-andar de madeira, com dez por aí acima de lombadas de papel.

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    1. Caro Pedro, sim, mais uma vez te agradeço imenso pelo teu trabalho de revisão, paginação e publicação. Mas olha que alguns contos também me deram trabalho a rever, enviei-te a versão já corrigida. E é assim que deve ser, é bom que se revejam os textos, quatro olhos veem melhor do que dois, seis ainda melhor. Quando nos comprometemos com um projeto, devemos fazê-lo em condições.

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    2. António Luiz Pacheco5 de novembro de 2018 às 13:56

      Sou testemunho disso… a Cristina fez-me o grande favor de rever (e bem!) o meu conto, que aliás muito beneficiou das suas sugestões ou dúvidas!
      Foi portanto e mesmo, um trabalho colectivo!
      Bem hajam os dois!

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    3. Obrigada.
      Um trabalho de equipa que correu bem.

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  8. Agradeço a Cristina Torrão e os de mais autores a participação no livro Projeto Portugal Profundo, e na oportunidade agregar outra informação: trata-se de livro singular. A dinâmica enquanto tecnológica se lhe permite e regista do alcance a inclusiva Globalização.




    Cláudia da Silva Tomazi


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  9. Parabéns a quem organizou e a quem participou com os contos. Aprecio ler livros de contos e tenho vários. Vou folheá-lo e, caso me agrade, pode resolver alguns presentes de Natal (já embalei mais de uma dúzia de livros para o efeito, mas o stock não está completo).
    Por outro lado, é bom conhecer os contos de cada um. Dos comentários, apenas sabemos o que dizem sobre os livros. Lendo, conhecemos um lado novo.
    E como leio bastante menos que toda a gente por cá, vou-me demorando na releitura de "Guerra e Paz" ao mesmo tempo que termino "Viagem ao fim da Noite" que arrasto desde as férias, restos de areia e sol a lacrimejar em algumas páginas.
    E tenham uma boa semana

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  10. Nas primeiras páginas de " Berta Isla " de Javier Marias,escritor espanhol que muito admiro.

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  11. Acabei de ler "A Festa dos Caçadores" de Henrique Manuel Bento Fialho e gostei. São histórias curtas mas muito bem imaginadas, melhor vividas e escritas.

    E agora estou a ler "A Lâmpada de Aladino" de Luís Sepúlveda, crónicas-contos, de um dos bons da "latina-américa".

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    1. António Luiz Pacheco6 de novembro de 2018 às 00:30

      Proposta muito interessante a deste autor de Rio Maior, que também irei ler!!!!
      Abraço!

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  12. a terminar o extraordinário"Pastoralia" do George Saunders para dar inicio à demasiado tardia leitura de "O que diz Molero"

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