Eça como nunca o viu
Eça nunca deixa de ser actual – não só porque continuará a ser lido pelas novas gerações, apesar das ameaças de tirarem Os Maias do programa de ensino, mas também porque fala muitas vezes como se vivesse neste nosso século, certeiro como poucos. Porém, há coisas do grande escritor que muitos de nós nunca vimos, até porque existe um homem de carne e osso por detrás da assinatura na capa de um livro (e, se nunca fomos a Tormes, teremos visto ainda menos). Pois bem: a Fundação Calouste Gulbenkian inaugura já no próximo dia 29 uma exposição chamada Eça e Os Maias. Tudo o que tenho no saco que, segundo anunciam, não é sobre literatura, mas se traduz numa belíssima viagem ao tempo do escritor através de fotografias, caricaturas, desenhos, objectos pessoais (alguns deles trazidos de Tormes, segundo me constou), edições estrangeiras daquele que é um dos maiores romances da literatura portuguesa (Os Maias), ilustrações de outras obras do mestre e até a pintura de Paula Rego sobre O Crime do Padre Amaro. Enfim, teremos Eça como nunca o vimos e, ao que dizem, numa mostra cheia de ironia que lhe vai ficar bem. Além disso, o evento será apimentado com uns jantares queirosianos pela mão do chef Miguel Castro Silva e umas conversas sobre vários assuntos. O programa poderá ser consultado no site da Fundação.
Está na minha agenda, A revista VISÃO traz também uma reportagem sobre o assunto. Como já tenho ementas de jantares aquilinianos e camilianos, a que assisti no Martinho da Arcada, não posso deixar de ir a um jantar queirosiano.
ResponderEliminarEmbora não concorde com a sua "actualidade" (do Eça), "Os Maias" é um grande romance, em qualquer lugar. E a exposição deverá ter grande qualidade, até pelo toque que lhe deverão dar do século XXI.
ResponderEliminarPenso mesmo que se abusa do uso das palavras de Eça (tal como de Pessoa...), muitas vezes com citações erradas, ou alteradas, convenientemente.
A respeito de Pessoa e de citações, aconselho uma obra de Vasco Silva bastante recente que se chama qualquer coisa como «Não citar Pessoa em vão».
EliminarMau… e eu que já me espalhei lá em baixo, antes de o ler, Caríssimo Luis Eme!
EliminarAhahahah!
Sempre a considerá-lo, meu estimado amigo literário!
Se reproduzirem os jantares confecionados por João da Mata, um chef está bem, mas se avançar uma "travessa a transbordar de arroz com favas" seria preferível confiar na confeção tradicional de uma mulher de Tormes.
ResponderEliminarDe há uns tempos a esta parte não consigo que as minhas participações saiam em nome de "amalivros", é sempre um "anónimo" que as subscreve.
ResponderEliminarVou resolver esse assunto ainda antes de almoçar.
Magnífico programa, até quando está patente a exposição? Só estarei por aí a partir de 16 do próximo mês.
ResponderEliminarAlém de gostar muitíssimo de Eça, sou um apaixonado pela época, pelo que muito gostaria de poder visitar o que nos propõe!
Nota (não é provocação… é porque me recordo do trecho, a propósito do momento actual) em Os Maias, faz-se a defesa da "toirada de curiosos", onde se diz que se ainda há músculo na juventude, para dar um bom soco, isso se deve à toirada de curiosos … estou a citar de memória, pode não ser exactamente assim que está escrito.
Saudações saudosas cá da Cidade Morena!
Abençoada Gulbenkian que de vez em quando nos faz surpresas tão agradáveis. O senhor Gulbenkian - que Deus tenha a sua alminha em descanso - nem sabe quanto o estimo veramente e lhe sou grata vida fora sabendo que em nada pago o muito que me deixou. E, o melhor, a mim e a muitos como eu, tantos que se lhes perde a conta.
ResponderEliminarE venha lá a exposição, que enche de certeza. Porque o Eça, por mais que digam e façam, é muito ele. Um conjunto de curiosidades e pormenores de muito interesse, tenho certeza.