Dilemas

Todos temos, como vimos há dias, pouco tempo (e vontade?) para ler jornais. Mesmo assim, há jornais que são para nós uma referência – e há muito que tomei The Guardian como uma delas. Subscrevo, de resto, algumas das suas newsletters (assim, fico a par de coisas em que, possivelmente, não repararia) – uma das quais é a que respeita às suas muitas masterclasses, esperando um dia ter tempo, dinheiro e loucura suficientes para me meter num avião e ir assistir a uma lição dada por um daqueles craques que eu adoro (escritores, jornalistas, actores – há muito por onde escolher). Na sexta, de resto, recebi uma mensagem da secção de masterclasses, e o assunto era : «O que oferecer a alguém que tem tudo?» Por um segundo, pensei que só mesmo o meu jornal de eleição para conseguir organizar uma masterclass sobre isso (quase pensei apanhar o avião para resolver o próximo Natal em termos de presentes); mas, ainda estava a clicar sobre o link quando percebi que o que eles queriam era que eu oferecesse a alguém a quem não sei o que dar uma masterclass das deles. Ou seja, que eu oferecesse conhecimento. É uma boa ideia, claro que é, e não fosse ter de juntar também a passagem aérea já tinha prenda para muitos amigos…

Comentários

  1. Para mim, só mesmo o George Steiner...

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    1. Tenho vários livros dele. Grande pensador para memória futura.

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  2. Vender alguma coisa, encontrar alguém que a compre - a ação que move o mundo.

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  3. Ah… estão muito atrasados… nós em Portugal vamos uns 125 anos adiantados!
    Quais masterclasses qual nada! Já ultrapassámos isso, temos masterclasses em casa, a toda a hora na TV, onde comentadores excelentíssimos, sempre gente da mais elevada sapiência, dão verdadeiras classes sobre tudo e mais alguma coisa, sendo especialistas em tanta coisa como só mesmo verdadeiros Masters!

    Um fenómeno bem português, aliás… que já ultrapassou o motorista de táxi e o barbeiro e há muito que deixou para trás o púlpito das igrejas ou as mesas de café!
    O Comentador, hoje, é uma instituição absoluta para nos orientar o dia-a-dia, formar pensamentos e explicar os mistérios da vida, da economia e da política.
    Poderíamos até exportar comentadores!

    Saudações saudáveis cá da Cidade Morena!

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  4. No mínimo, uma prenda original. Incluindo bilhete de ida e volta, diria mesmo, grande prenda:). Mas, como na vida há poucas rosas e não consta que sua majestade a rainha milagreira ande por aí a semear nelas, talvez socorrermo-nos de livros, chocolates e outras bagatelas ao alcance do vulgo.

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  5. Pegando no mote, talvez nem seja preciso ir a Londres.
    Temos mais perto o museu do Oriente, a Gulbenkian e parece que agora até o Corte Inglês com interessantíssimas palestras.

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  6. Algures numa praia de Samoa, um missionário encontra um nativo numa praia, de papo para o ar, a observar as palmeiras e o mar. Indignado com tamanha perguiça, interpela-o:

    - Você não tem vergonha? Deitado na areia, sem fazer nada. Está a desperdiçar a sua vida.
    - Porquê? O que acha que deveria estar a fazer? - pergunta o nativo.
    - Bem, com tantos cocos poderia apanhar alguns e fazer óleo de coco para vender?
    - Para quê?
    - Para ganhar algum dinheiro. Inclusivamente poderia contratar alguns ajudantes nessa tarefa para produzir mais óleo e assim ganhar ainda mais dinheiro.
    - E porque quereria eu de fazer isso?
    - Porque assim poderia comprar máquinas para produzir ainda mais óleo e ganhar ainda mais dinheiro.
    - Certo. Mas com que propósito?
    - Poderia ficar muito rico e inclusivamente não teria de se envolver na produção de óleo de coco. Outros fariam o trabalho por si. Inclusivamente poderia passar o dia na praia sem fazer nada...


    Conclusão possível, ajustada ao tema do post de MRP: a quem já tem tudo, TEMPO será porventura o melhor dos presentes. Infelizmente não se compra nas grandes superfícies, nem no comércio tradicional.

    Cordialmente
    CPedro

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