Defender a verdade
Hoje a maioria das pessoas já não compra jornais, o que não quer dizer que não os leia na Internet (não estou a falar de assinatura). Eu compro. Gosto do jornal em papel com as páginas todas a estalar e de o folhear de trás para a frente, hábito que julgo ter ganho há anos com a leitura da crónica de Eduardo Prado Coelho na última página do Público – e que agora aplico a todos os outros diários e semanários que costumamos comprar lá em casa (embora leia as revistas do princípio para o fim). Quando vejo uma notícia num jornal impresso, tendo a acreditar nela – o que já não me acontece, por exemplo, se a vir divulgada numa rede social (a morte de um actor ou escritor, um acidente, etc., tantas vezes seguida de um comentário a dizer que é treta). Em tempo de fake news usadas em campanhas políticas contra os adversários (há quem receba um ordenado para espalhar boatos desagradáveis e acusações graves), temos de ter cada vez mais sentido crítico e desconfiança em relação ao que lemos por aí – e, por isso, os jornais tradicionais continuam a ser uma espécie de porto seguro, sobretudo enquanto ainda lá trabalharem profissionais da verdade. Mas, para garantirmos que mantêm alguma isenção e não se deixam influenciar, que têm jornalistas a sério que não se vendem por tuta e meia, precisamos urgentemente de fazer com que se vendam mais, ou seja, precisamos de os comprar. Eu compro um todos os dias e três ao fim-de-semana. Compre também um jornal de vez em quando.
Antigamente quando comprava o jornal Público a primeira coisa que lia era a crónica do EPC na última página. Hoje continuo a comprar o jornal, mas assinalo logo o que mais me interessa, a página cultural e de sociedade, nada de política. Compro também o Expresso, o JL e a revista LER. Blogues estrangeiros, A Babelia, Magazine Litteraire, LIRE e a página do Pierre Assouline no Le Monde. Há mais mas estes bastam-me por agora.
ResponderEliminarÉ curioso, que embora esteja num "período de fuga" a este hábito (muito por culpa dos jornais e dos jornalistas... que seguem cada vez mais os caminhos esburacados do "correio da manhã"), ainda compro um jornal pelo menos duas vezes por semana e um semanário (depende muito da capa...), que tanto pode ser a "Visão", o "Expresso" ou a "Sábado", também muito iguais.
ResponderEliminarO que me irrita mais é estarem todos muito próximos, ideologicamente e socialmente. Não se notar que alguém queira fazer um jornalismo diferente. E também estão mais "enganadores" que nunca. Até o "Expresso", sempre tão bem relacionado...) publica manchetes completamente ao lado...
Eu que fiz jornalismo, não tenho qualquer dúvida de que os jornalistas que continuam a escrever em jornais, também estão a contribuir para o "seu fim"... por que não lhe estão a dar a credibilidade que ele merece.
Caríssimo Luis Eme … compreendo ao que alude sobre o jornalismo "correiodamanhãniano" , e concordo, como percebo que se leia o dito-cujo por razões de manter a "conversa de café", como foi também bem referido.
EliminarPorém, e salvo melhor opinião, parece-me mesmo que o problema reside em ter de ler (ou ouvir) as opiniões imberbes e desconhecedoras ou com segundas intenções dos pseudo-jornalistas que as pespegam nos jornais como se informação fossem. Parece que estão a fazer propaganda e não informação.
Jornalismo isento, informativo, honesto… creio que já não há, pois quem o queira praticar pode não ter onde o fazer, ou então cai-se na tentação óbvia de se aproveitar o espaço e o ensejo para ditar opiniões ou emitir recados.
Um abraço sem jornais, cá da Cidade Morena.
O jornalismo precisava de retornar à sua forma iniciática: a transmissão pura dos factos, descarnada da visão própria do transmissor.
ResponderEliminarOs artigos de opinião vieram desvirtuar a essência mais nobre do jornalismo.
Ora nem é preciso dizer mais nada!
EliminarInteiramente de acordo Caríssimo Pedro. Foi essa a razão porque deixei de comprar jornais… eu pretendo ser informado, para tirar conclusões ou formar ideias não preciso de jornalistas a dizerem-me o que tenho de pensar.
Claro que os artigos de opinião são interessantes, até muito, se tivermos gente de qualidade a fazê-los, que até existe, sem dúvida e tenho prazer em ler alguns opinadores da nossa praça, de todos os quadrantes pois há gente esclarecida em todos eles, mesmo naqueles de cujas ideias não comungamos!
Porém, todos os jornalistas passaram a escrever autênticos artigos de opinião camuflados de artigo de informação, e, os leitores, influenciáveis, assumem como facto ou acontecimento aquilo que é a visão do jornalista!
O pior é que nos telejornais isso passou também a ser tónica… actualmente para se ser informado do que realmente sucedeu, há que ler e cruzar informação variada e mesmo assim…
O que é feito do verdadeiro jornalismo de informação? Onde existe ou quem o faz hoje?
Creio que em lado nenhum e ninguém. Além de que me palpita que as redações orientem num determinado sentido!
Lamento mas já não compro nem leio jornais, excepto o Correio do Ribatejo, por razões sentimentais de manter uma assinatura que já vem do meu avô. Nem penso voltar a comprar tão cedo, não enquanto as coisas assim se mantiverem!
Saudações livres cá da Cidade Morena!
Compro o Expresso ao fim de semana por causa da revista e nesta, das poucas páginas dedicadas à cultura. A política dá-me tédio e provoca-me repugnância. Saudades do suplemento "mil folhas" do Público de antanho. Hoje temos o "Ipsilon", cada vez mais magrinho... Adeus futuro.
ResponderEliminarHá tempos, fui responsável por um periódico. Desde pauta... até distribuição. Em nada, remunerada. Aconteceu em uma edição, no artigo central aparecer uma palavra com a letra diferente. Fui verificar, (utilizava-se disket) estava correto. Claro, a diagramação se lhe cuspiu larva. Imediatamente recolhi todos os exemplares, inclusive alguns já os tinha distribuído. A letra corrigida, e feita nova tiragem de mil exemplares. Diz-se: no retesar do arco...
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
Também compro e leio o "Público" todos os dias. Essencial ! Ao sábado compro ainda o "El País" pelas análises de política internacional e pelo "Babélia" e, ainda, o "Correio da Manhã" para puro divertimento (e para não estar desatualizado nas "conversas de café"). Ver os noticiários da CNN, BBC e Al Jazeera também me ajuda a perceber este mundo em que vivemos.
ResponderEliminarBom dia
ResponderEliminarPor preguiça deixei de comprar diários regularmente. Preguiça = surgimento dos smartphones.
Compro o Expresso ao fim-de-semana. Gosto de ler o Pedro Santos Guerreiro, o Ricardo Costa, o Sousa Tavares, o Pedro Mexia, o padre Tolentino, a Ana Cristina Leonardo e pouco mais.
O Público ainda compro, por vezes, às sextas, para ler o António Guerreiro.
(Gostos não se discutem, lamentam-se.)
Online, leio alguma coisa do Guardian, e links avulsos que me enviam (FT, Der Spiegel, El Pais)
Infelizmente, noto três tendências nefastas para o jornalismo:
- temos, no geral, cada vez menos tempo (ou dito de outro modo, a Oferta de produtos e serviços existente para a nossa Atenção é avassaladora, pois o dia tem na mesma 24h e ainda dormimos)
- por forma a lidar com isso, por forma a captar a nossa atenção, o produto do jornalismo diminui de qualidade. Mesmo os jornais ditos de referência são autênticas montras. Native advertising e clickbait é aos molhos. CM style rules.
- numa época de fake-news e redes sociais, onde cada um prefere ouvir aquilo em que já acredita, descartando qualquer dúvida metódica e fechando-se numa redoma informativa, previligiar os factos em detrimento da opinião, venha ela donde vier, deixa de ser essencial.
Mais é menos.
A sociedade da abundância tenderá a unificar a diversidade antropológica.
Para concluir, cara MRP, acredito mais no futuro dos livros do que no dos jornais.
Cordialmente
CPedro
Olá Maria !!
ResponderEliminarTambém sou fã do formato "papel", apesar de, não ser a forma como consumo, mais frequentemente, as noticias. As fake news são uma realidade infeliz no séc XXI,“Uma mentira percorre o mundo antes da verdade vestir as calças”, já dizia Churchill, mas se há coisa boa com o meio digital é que surgem sempre ferramentas que tentam combater as coisas más...
Eu compro, e irei continuar a comprar o meu jornal ao fim de semana, e que prazer me dá ler, folhear as páginas, sentir o papel nas mãos, sempre gostei muito de ler...e ler na internet, no telemóvel, ou num tablet não é de todo a mesma coisa.
ResponderEliminarE sim, tens toda a razão quando escreves que ainda existem profissionais/jornalistas que são isentos, e trabalham de corpo e alma numa profissão que está tão "desvalorizada".
E que seja sempre assim. Escrevam com alma, e dedicados a levar a verdade e informação concreta aos leitores.
= )
Aproveito a oportunidade, e ousando até utilizar algumas das palavras dos anteriores extraordinários para agradecer o trabalho dos verdadeiros profissionais/jornalistas que são isentos, e trabalham de corpo e alma numa profissão que está tão "desvalorizada".
ResponderEliminarE, repito, que seja sempre assim. Escrevam com alma, e dedicados a levar a verdade e informação concreta aos leitores.
Eu também gosto de comprar imprensa escrita de vez em quando. No entanto, em época de cortes orçamentais, muitas vezes eles vêm reflectidos na qualidade das notícias, mesmo na imprensa escrita.
ResponderEliminarBoas Leituras!