Vida moderna

Quando leio esta expressão, seja num site, num jornal ou mesmo num livro, a primeira imagem que me vem à cabeça é a do senhor Hulot perdido na confusão do repuxo eléctrico de uma casa nova-rica, num filme de Jacques Tati, confundindo uma pedra com um nenúfar e metendo a pata no laguinho. E a seguir vem-me à lembrança Tempos Modernos, filme de Chaplin, com o cómico Charlot enredado nos tapetes rolantes de uma linha de montagem, fazendo-nos rir até às lágrimas. Quem diz, porém, que os portugueses riem mais da tragédia do que da felicidade é Maria Filomena Mónica num livro sobre as mudanças a que foi assistindo em Portugal ao longo da sua vida e que também dá pelo título de Vida Moderna. Política, sexualidade, educação, burocracia, televisões – todos estes temas foram tratados pela socióloga e investigadora em artigos vários publicados entre 1985 e 1996, escritos na primeira pessoa e agora reunidos e arrumados por Vasco Rosa num volume que retrata esses anos e mostra bem como são os portugueses. Virá depois um segundo volume? Veremos. Para já, é isto. Uma edição da Quetzal.


 


Vida Moderna (2).jpg


 

Comentários

  1. Todos os livros (5 ou 6) que já li desta excelente escritora (e bonita mulher) me agradaram (e aprendi). Estou com curiosidade de ler este até porque o tema é atractivo (com c ou sem c atrás do t? mais uma confusão causada pelo Acordo Ortográfico).
    Creio que o último que li foi "VIDAS....." (várias e interessantes vidas excelentemente contadas em poucas páginas, para ler, por exemplo, enquanto se toma café; pequenos capítulos que tornam a leitura deliciosa.

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  2. Muito leve, muito giro. Mais uma formulação do achismo. Não vou por aí.

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  3. Há quem leia estas efémeras crónicas de jornal depois de, anos após a sua publicação original, serem reunidas em livro ? Crónica de jornal serve para no outro dia embrulhar peixe, como dizia o Pina. Leio a Filomena Mónica aos fins de semana no Correio da Manhã (o que diria ela de escritores que escrevem crónicas no CM, se ...). Crónicas de jornal reunidas em livro só comprei algumas das primeiras do Lobo Antunes e, confesso, que pouco ou nada as folheei nesse suporte, quanto mais lê-las. Estão esses dois primeiros livros de crónicas na estante lá junto a todos os seus romances; minto, todos não, todos até o Lobo Antunes ter avançado para a purificação da sua escrita que, de tão elevada ter ficado, deixei de a conseguir ler (foi lá por por altura da mudança de milénio). Mas tenho semprre a "Explicação dos Pássaros" e "A Ordem Natural das Coisas" para poder regressar sempre ao esplendor de Lobo Antunes !

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    Respostas
    1. Ao contrário do Artur, eu gosto de livros de crónicas e leio-os com prazer .
      Imagine que até comprei o livro do Pina... e jamais embrulharia peixe com ele
      Gosto muito do "Ouro e Cinza" do Paulo Varela Gomes, e tenho vários livros de crónicas do Pedro Mexia, do Mega Ferreira, do Saramago e até da Maria Filomena Mónica. Não a sabia a escrever no CM, acho-a um pouco snob, embora não desgoste de a ler.
      Maria

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    2. O que seria do mundo, se não tivéssemos gostos diferentes ? Seria um mundo muito mais pobre !

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    3. Sem dúvida!

      Maria

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  4. António Luiz Pacheco29 de outubro de 2018 às 07:14

    De Maria Filomena Mónica , enquanto romancista, li "Os Canto", um retrato de uma família açoriana, que se lê muito bem e de que gostei... leio-a mais noutro campo, como seja A queda da monarquia e outros trabalhos que têm a ver com a sua formação e investigação que faz. Crónicas nos jornais... pontualmente leio.
    Esta nova proposta afigura-se-me interessante pelo que não deixarei de a procurar e ver nas livrarias quando aí regresse, aliás é um tema que me interessa muito! E para ser bem tratado, deve , em minha opinião, ser tratado não só por alguém da área como por quem tenha idade para isso, por quem tenha passado pelos tempos.
    Fica portanto a indicação!

    Saudações hodiernas cá da Cidade Morena!

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  5. Não penso esta senhora como escritora fundamental. Dela, li três obras. E com excepção do conto "A rainha gorda", pareceu-me, apesar de baseada em estudos realizados e amostras e mais tudo o que pesquisou, um pouco tendenciosa. Mas li apenas duas obras e posso estar enganada. Reconheço que tem prosa agradável e os livros são curtos. É de leitura fácil e, como alguém diz acima, aprendemos alguma coisa com ela..

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