Solidariedade
A Biblioteca Municipal da Figueira da Foz organiza desde há vários anos, uma vez por mês, uma sessão de encontro dos munícipes com um escritor numa quinta à noite. Muitos dos meus autores já foram convidados para esta actividade e uma vez por outra acompanho-os e lá vou cumprimentar os amigos figueirenses. Numa delas, levei quatro vencedores do Prémio LeYa (João Ricardo Pedro, Nuno Camarneiro, Gabriela Ruivo Trindade e Afonso Reis Cabral) e mal sabíamos que o então vereador da Câmara Municipal da Figueira que moderava a sessão, António Tavares, seria o vencedor do prémio nesse ano (o livro intitulava-se O Coro dos Defuntos).Geralmente chove, mas isso não é problema porque nos recebem com um jantarinho de filetes de polvo num restaurante maravilhoso e, mais tarde, já depois da sessão, antes do regresso a Lisboa, com um chazinho de limonete e petit-fours. Pois hoje é quinta-feira e deveria decorrer mais uma 5ª de leitura, dedicada desta feita a Nuno Camarneiro e ao seu último romance, O Fogo Será a Tua Casa, no qual um grupo de pessoas é sequestrado no Médio Oriente e feito refém de radicais islâmicos. Mas, infelizmente, Leslie não deixou. O restaurante, soube há poucos dias, ficou seriamente destruído, o palco do auditório está inundado, à volta do Centro de Artes e Espectáculos caíram árvores, partiram-se vidros, enfim, foi uma calamidade que obriga o Presidente da Câmara a cancelar esta sessão para tratar de coisas mais importantes. Daqui envio aos figueirenses a minha solidariedade, esperando que tudo se recomponha o mais brevemente possível.
O Leslie, apesar de cá chegar já como a Leslie, deixou um rasto de destruição impressionante.
ResponderEliminarOs deuses não estão connosco, principalmente com os mais desfavorecidos...
São umas atrás das outras.
Vai ser preciso muito trabalho e dinheiro para pôr tudo a funcionar novamente.
Adoro chá de limonete, que só descobri quando vim viver aqui para a aldeia. É muito bom para as insónias.
Um abraço enorme para a Figueira, já que é dela que hoje falamos aqui.
Maria
Na penúltima linha: «recomponha».
ResponderEliminarObrigada. corrigi.
EliminarA Maria do Rosário já sabe se e quando vai haver tradução do Milkman da Anna Burns?
EliminarO tema parece-me muito interessante.
Obrigada.
Maria
Não sei, lamento.
EliminarDepois das aulas, da actividade das empresas, das pescas, os danos também chegaram à leitura e aos livros. Se ainda houvesse deuses poder-se-ia compor uma imprecação contra o aquele nos enviou dos trópicos tamanho mal. Não os havendo só nos resta confortar-nos uns aos outros.
ResponderEliminarUns aos outros... e diz muito bem! É assim , no campo ... nas cidades não sei, mas desconfio que valham os bombeiros!
EliminarAbraço.
Estou habituado a incêndios, inundações, vendavais... e habituado sobretudo a encolher os ombros , arregaçar as mangas e recuperar.
ResponderEliminarNa agricultura é assim, é assim para quem vive no campo e em casas velhas: safamo-nos pelos nossos próprios meios.
Por isso falei há dias e falo hoje novamente na hipocrisia dos governantes , que logo esquecem as promessas. Parece que isso ofende alguns dos extraordinários, mas paciência, a mim ofende-me mais verificar que estou sempre sozinho!
Para que não haja muitas dúvidas, refiro que coordenei entre o ministério da agriculta e a associação sócio-profissional de hortícolas do Oeste, o plano de recuperação do potencial produtivo aquando daquele temporal em Dezembro de 2010 (bem pior que o Leslie).
Também passei por um furacão na Venezuela em 2008, orientei o despejo de água e lama da pousada onde estava, ensinando a usar pás - comentário da inglesa dona da pousada Los Mangos: não é a primeira vez que fazes isto! Para ela era a primeira vez...
Curiosamente, estive na Figueira da Foz no Sábado dia 13, jantei na marginal e vi engrossar a chuva, decidimos não ficar lá e regressar a Santarém, pelo que ainda apanhei com o vento forte e ramos de árvore, depois na A1 andei a tourear os separadores de plástico das obras que invadiam a via...
Tinha um livro para escrever, sobre temporais no mar e na terra, em vários continentes e oceanos... incluindo uma nevasca que me apanhou à caça na serra de Bornes, etc.
Para os figueirenses vai a minha solidariedade, e o conselho de que não contem com mais do que com eles mesmos, porque das tutelas já se sabe que apenas palavras!
Mas isso já eles devem imaginar, olhando ao que se passou com os incêndios vizinhos.
Assim, até a literatura foi afectada... como se entende!
Saudações solidárias cá da Cidade Morena - em 2013 e 14 morreram no Lobito 86 pessoas e em Benguela 63, nas enxurradas de apenas uma noite de chuva.
Um verdadeiro herói, portanto.
EliminarE modesto, como sempre.
Ainda bem que há quem reconheça!
EliminarObrigado, obrigado...
Ora haja quem me entenda e valorize!
EliminarObrigado, obrigado!
Mas, para ser honesto, no fundo é a diferença entre quem faz e quem vê fazer, só lê ou assiste... na verdade não somos heróis, somos apenas pessoas que vivem a sua vida nas circunstâncias em que ela se desenvolve, fruto do que fazemos e onde vivemos.
E há muitos mais, a leitura em cujo gosto suponho comungamos também nos diz isso.
Sobreviventes portanto.
Não saúdo porque pode entender não ser sincero.