Papel para sempre
Em 2008, um estudo que envolveu mais de mil editores de todo o mundo, «os maiores gurus da feira de Frankfurt», como refere o jornal El Pais, concluiu que, precisamente dez anos depois, o livro electrónico destronaria o livro em papel e este acabaria por morrer. Mas, afinal, a Feira do Livro de Frankfurt de 2018 fechou há uma semana e estava cheiinha de livros em papel. E não como relíquias, mas como o centro do próprio negócio. O vaticínio era falso e precipitado e, depois de um início bastante optimista do e-book, veio um inesperado retrocesso: o negócio do livro electrónico nunca ultrapassa 10% do mercado (na Alemanha, 8%, e é dos países onde se vendem mais livros desse tipo). Apesar de ter várias vantagens (podemos levar connosco 500 livros electrónicos para uma viagem – e isso explica porque grande parte dos e-books de literatura são comprados sobretudo nos meses de férias), os leitores ainda acham que o livro digial pouco mais é do que uma reprodução do livro em papel, e a falta de novidade conduziu certamente à diminuição de compras, além de que, por exemplo, uma boa percentagem de compradores de e-books em Inglaterra (entre os 18 e os 34 anos), quando gostam muito de um livro que leram no e-reader, vão comprá-lo a seguir em papel. Não sei o que vaticinaram há trinta anos os gurus da Feira de Frankfurt sobre os audiolivros. Esses continuam cá, também sem grande expressão, embora em certos países se vendam muito a pessoas que fazem longas viagens de carro entre a casa e o emprego e preferem ouvir um livro a ouvir rádio.
Eu serei sempre fiel ao livro em papel. Gosto de manusear, acariciar, cheirar, sublinhar, fechar e respirar fundo. Não quero conhecer outros suportes. Acho que é actual o que Stefan Zweig escreveu na sua obra "ENCONTROS-Impressões sobre livros e escritores" :dois artigos, um no princípio-" O livro : ponto de partida para o Mundo" e no final- "Agradecimento aos livros".
ResponderEliminarÉ isso mesmo.
EliminarUm livro é um amigo, um companheiro que está sempre disponível, mesmo quando falta a luz...
Vou procurar esse livro do Zweig.
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Não será fácil. Eu encontrei num alfarrabista. É uma edição da extinta Livraria Civilização, do Porto e é de 1938.
EliminarEstou a ver que não. Talvez o encontre na Biblioteca...
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De facto ainda não se encontram criadas as circunstâncias para acabarem os livros de papel. E ainda bem, para todos nós que gostamos dos livros em papel. E por falar em livros de papel, depois de ver críticas (vide Expresso deste fim de semana) e comentários (vide o post de ontem da magnífica Ana Margarida de Carvalho no facebook), fui logo de manhã comprar Os Fios (em papel!) e depois de ler os 2 primeiros capítulos ainda a caminho do emprego, estou ansioso pela noite para apreciar o pegar no livro, desfolhá-lo e interiorizá-lo. Percebemos assim porque não acabarão tão facilmente os livros em papel. NOTA: Parabéns Maria do Rosário Pedreira, pela surpresa (ou talvez não) da edição e descoberta de mais este talento.
ResponderEliminarBom dia
ResponderEliminarA tecnologia está sobrestimada nos dias que correm.
Sobre o assunto recomendo "To save everything, click here" de Evgeny Morozov
Cordialmente
CPedro
Mas completamente, meu caro CPedro! Sou da mesmíssima opinião... e vou mais longe, os arautos da tecnologia fazem-se valer através dela, é que sem tecnologia são incapazes!
EliminarNão podemos negar nem desprezar a tecnologia que nos permite p.e. estarmos tranquilamente e a 7000 Km de distância a conversar, mas não exageremos, a tecnologia ainda não comanda a vida! Nem sonha! A tecnologia apenas executa.
Abraço cá da Cidade Morena!
Estou de acordo.
EliminarTrabalhei 30 anos numa mais importante editora francesa participei as 30 feiras do livro em Fracfort a minha casa està cheia de livros nas paredes e no chao adoro os livros de panel e adoro tambem a minha liseuse e sou muito feliz de te-la porque posso comprar livros em ingles e em portugues. Nao é muito facil de encontrar todos os livros nà provincia francesa mesma na grandes cidades. ...
A tecnologia nao é um inimigo é complimentario é frequentemente uma ajuda.
O combato contra à tecnologia é um combato d arrière garde. Lamento.
Desculpe os erros mas aprendi o portugues só recentemente e nos livros de papel e na liseuse e jà tenho 73 anos e a memoria jà nao é o mesmo.
Adoro ler todos os dias o blog de Maria e leio frequentemente os livros recomendados
Eu cá também sou adepta fiel dos livros em papel. Li um ebook e não gostei da experiência. É impessoal. O livro físico dá para agarrar junto ao peito quando acabamos uma história de que gostámos muito, dá para marcar, rabiscar se for preciso, sublinhar, torná-lo nosso, torná-lo pessoal e com muito de nós próprios nas páginas. Não há nada como abrir ou fechar um livro.
ResponderEliminarInteressantíssima notícia vemos aqui hoje neste celebrado espaço!
ResponderEliminarPortanto a previsão, não se verificou - aliás uma previsão é sempre falível, porém há quem julgue que uma previsão é infalível!
Os ditos gurus, raramente tem o dom da visão objectiva, limitam-se a projectar o seu pensamento num dado momento para o futuro, como desejariam ou lhes interessa que fosse. Não são visionários na acepção do conceito! São meros veículos de ideias, de modas, localizados num dado momento e contexto, pelo que raramente acertam na sua previsão do futuro, essa é a verdade, só que também mais raramente se faz o exercício que aqui fazemos hoje: analisar e comparar uma previsão!
Se formos a ver, e sempre na minha opinião, os livros têm funções diversas e parte delas adquirem vantagem no e-book (viagem, consulta, simples fonte de informação), mas outras não, e refiro algo que não é despiciendo como seja o já referido manuseamento (o papel!) a comodidade de leitura que muitos ainda sentem, o arrumar na prateleira, o elemento decorativo... que é uma grande parte do fascínio, da mística do livro. E , não podemos ignorar que maioritariamente quem lê gosta de livros!
Aprendi que na moderna distribuição há dois vectores a considerar:
A modernidade/facilidade
A tradição/sofisticação
Creio que serve igualmente para classificar o e-book e o livro!
Sou dos que acreditam que ainda há-de levar muito tempo para que o livro acabe e seja substituído pelo e-book, se é que alguma vez o será, porque permanecerá pelo menos esse nicho que o marketing não deixará extinguir face à sua valorização óbvia, caso isso aconteça num futuro indeterminado.
Saudações papeleiras cá da Cidade Morena!
Das frases que actualmente mais oiço:
ResponderEliminar-vou já ver à Internet
Ao menos que a curiosidade sobreviva.
Olha, apesar de ser um Inferno, estares em conversa e haver alguém que vá logo verificar no Google o que se está a discutir, o que mata qualquer conversa, é a parte boa da tecnologia: teres um banco de dados disponível!
EliminarMas, cuidado, pois a quem não esteja preparado e tenha bases, pode colher informação que não é correcta ou credível... há quem não perceba que uma teoria não é uma lei, ou que uma previsão não deve ser tomada como efectiva!
Abraço Outonal, de um dia já de muito calor por aqui na Cidade Morena!
Já li diversos ebooks, e sou daquelas que, quando gosta mesmo da história, compra em papel!
ResponderEliminarNão há nada como um livro em papel, embora o espaço seja cada vez mais pequeno, e o custo dos livros cada vez maior :)
Um Livro, para mim, tem de ter cheiro e textura. Tem de "vir acompanhado" com um lápis. Tem de me permitir dobrar os cantos das folhas que mexem com o que de bom tenho "cá dentro".
ResponderEliminarPrefiro o papel sempre! E não é preciso ser em livros, apontamentos, escrita pessoal, em tudo resumidamente!
ResponderEliminarNão é só na área da edição (e, neste caso, quanto à importância dos chamados «livros electrónicos») que os supostos «gurus» se enganam, falham, nos seus «vaticínios», que vêm a revelar-se, findos os prazos que eles apontaram, precipitados ou mesmo falsos. Veja-se também o que acontece quanto às ditas «alterações climáticas», ao alegado «aquecimento global», cujas sucessivas previsões alarmistas não se concretizam. Mas ainda há muitas pessoas que acreditam neles, que os levam a sério...
ResponderEliminarPois eu sou leitora de todos os formatos e acho que se complementam, não se substituem.
ResponderEliminarPercebo quem gosta de livros físicos (também eu gosto) mas não percebo o "ódio" aos ebooks ou audiobooks nem o "desprezo" aos leitores deste formatos como se fossem formatos menores (uso as aspas porque estou, obviamente, a exagerar com as palavras ódio e desprezo).
Eu compro e leio ebooks porque é um formato que me dá imenso jeito. A minha mãe só lê em ebook porque, pela dificuldade de visão e problemas de coluna, não consegue ler livros físicos e por isso os livros "comuns" são sempre ebooks. Como viajo imenso, um ereader permite-me levar imensos livros comigo sem peso. E já viram bem o preço dos ebooks em inglês? Eu compro imensos livros, dá jeito poupar alguma coisa. E nem sequer tenho problemas de espaço...
Oiço audiobooks porque comecei a ter menos tempo para ler e resolvi aproveitar as viagens de e para o trabalho. Depois percebi que adoro ouvir e ler ao mesmo tempo - falo, claro, de livros (geralmente ebooks) em inglês. Perfeito para aprender uma língua.
Em Portugal estes formatos não têm expressão (em relação a vendas porque, acredito, que haja muita gente a ler e cada vez mais a ouvir - e esse é todo um outro problema para a edição em Portugal) por vários motivos como o preço (às vezes são mais caros que os livros em papel - já me aconteceu) e quantidade disponível (muitas editoras não produzem ebooks e os audiobooks são um produto ainda mais raro).
Boas leituras
Adoro livros em papel, mesmo! Chego a acumular muitos antes de os ler! ADORO tocar, sentir, cheirar! Mas, a minha estante está a ficar cheia e tenho tentado comprar mais livros em formato ebook ou audio-book para ler durante as viagens ;)
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