O autor português
Uma equipa de investigadores do ISCSP-Lisboa, coordenada pelo académico Paulo Castro Seixas, apresentará hoje às 18h00, no Auditório Frederico de Freitas (na Sociedade Portuguesa de Autores, que fez a encomenda), um estudo de duas centenas de páginas que tenta traçar o perfil do autor português. Este Perfil do Autor Português contém, ao que se anuncia, dados fundamentais para sabermos quem são os nossos criadores (imagino que o «autor» aqui seja num sentido mais lato e inclua pintores, compositores, fotógrafos...), o que fazem na vida além de criar, quais os graus de formação académica que possuem, como estão geograficamente distribuídos pelo País, como é a proporção homens/mulheres e muitas outras coisas que, lendo o estudo, se apurarão. Além de José Jorge Letria, presidente da SPA, que abrirá a sessão como anfitrião, e do já mencionado coordenador do estudo, falará o professor Manuel Meirinho, presidente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Fico curiosa com os resultados desta investigação, e esperançosa de que ela seja um bom instrumento quer para a SPA, quer para todas as entidades que trabalham com a cultura, desde as autarquias ao próprio ministério.
Ora bem! Também eu fico muitíssimo curioso em conhecer os resultados do estudo!
ResponderEliminarE vai ser publicado? Esperemos que sim, pois acredito que dê para tal, como acredito que tenha interesse bastante para o público em geral e na especialidade!
Vem-me assim de repente à memória aquele livro que saiu o ano passado "Os vícios dos escritores", de André Canhoto Costa. Alguém dos extraordinários leu? Eu gostei muito e achei uma recolha interessantíssima.
Portanto, acredito que este estudo indo na senda daquela obra (cujo autor é igualmente um investigador) será igualmente interessante!
Fico a aguardar notícias!
Saudações expectantes cá da Cidade Morena!
Presumo do texto do post, e de ter ouvido brevemente o investigador Paulo Castro Seixas na Antena 2, que este seu estudo irá tratar dos autores das áreas das Artes e Humanidades e que não incluirá os autores da área da Ciência. Estas duas facetas da atividade criativa continuam tão afastadas entre si como quando Snow celebremente sobre elas discorreu. E há que aceitar que as últimas décadas, ao contrário do que Snow previu, vieram a mostrar que os dois saberes se tornaram dois compartimentos não comunicantes da criatividade humana.
ResponderEliminarCaríssimo Artur:
EliminarSem desprezar o conceito de criador aplicável a investigadores das ciências exactas ou humanidades, parece-me (talvez erradamente) que com mais acuidade se aplica este estudo aos criadores de arte.
Será? Digo isto porque enquanto o criador/cientista me parece pragmaticamente focado num objectivo real, em algo que existe-mesmo o criador/artista não, até pelo contrário, ficciona totalmente, se é que me faço entender.
Fica a questão.
Abraço!
Caro António Luiz, no essencial concordo com a distinção que me propõe entre criação a partir do nada do artista vs. a criação focada num objetivo real do cientista.
EliminarMas a distinção não é tão absoluta quanto isso: o artista, por mais criativo que seja, acaba sempre por parcialmente "imitar" os seus antecessores e, no extremo da criatividade, os cientistas parecem inventar a partir do nada.
Dou de seguida um exemplo deste segundo caso, que sei ser absolutamente não paradigmático, de criação científica a partir do nada. Einstein, longe de qualquer laboratório universitário, no gabinete de registo de patentes onde ganhava o seu pão diário, utilizando a sua formação e a sua genial capacidade de pensar, criou uma nova teoria do mundo que tinha entre os seus conceitos o seguinte: os núcleos de cada um dos (pacíficos) elementos químicos que compõem o nosso mundo estão unidos entre si submicroscopicamente por forças de uma energia tão imensa que tornava impossível, dizia o próprio Einstein, separar entre si esses subcomponentes dos átomos já que nunca conseguiríamos obter uma fonte de energia tão intensa para ter a capacidade de partir o núcleo de qualquer elemento químico.
Quem imaginaria que os subcomponentes nucleares de um qualquer elemento químico estavam unidos por energia de tal intensidade que essa energia seria capaz de destruir cidades ? Isto não é imaginação quase a partir do nada ? O próprio Einstein acreditava que nunca a sua teoria da energia contida no núcleo de cada átomo poderia vir a ser testada... até que lhe pediram para escrever a carta a Roosevelt.
Sim! Interessante a sua explicação, e, tenho de concordar de que a distinção não é realmente tão absoluta, no seu âmago ou mesmo na prática.
EliminarCompreendo perfeitamente a analogia, os "percursores" ou visionários da ciência podem efectivamente ter essa... intuição? Einstein teve-a, mas não lhe veio do nada, julgo saber que foi o seu estudo do espaço e da luz que o levou a "suspeitar" que a matéria fosse composta de partículas, e, depois descobriu que era energia que as ligava.
Mas trabalhou sempre no campo do real, mesmo que em hipóteses que se verificam ou não!
O criador de arte pode trabalhar no mais absoluto abstracto.
E isso é justamente, para mim, o que me fascina neste tema sobre o qual conversamos. Vou-lhe dar um exemplo que para mim é algo de inexplicável:
- Como é que um músico, consegue "ouvir" dentro da sua cabeça aquilo que depois escreve ou recria com notas e sons musicais? Sobretudo complexos como seja uma sinfonia ou uma ópera. Não sei se me consigo explicar... eu creio que o músico deve imaginar os sons quando compõe... e isso é que me parece de todo fantástico, mais do que imaginar o fotão, porque este já existe desde sempre, está lá, só tem de ser descoberto - o que não deixa de ser menos notável. Mas como é que se imagina uma sinfonia, por exemplo? Como se imagina uma "Pedra filosofal"?
É claro que se eu soubesse era o que não sou... um artista, um criador.
Gosto de o ler e de conversar consigo, se me permite!
Tem razão: o músico que ouve a música na sua cabeça ou o pintor que cria novas realidades estéticas são atos de pura e inigualável magia !
EliminarO "Big-bang",
EliminarDesculpem, carreguei numa tecla qualquer sem querer, quando pretendia dar uma achega, um motivo de reflexão, a esta discussão interessante:
EliminarO "Big-bang", que se considera ser o início de tudo, continua a ser perfeita ficção.
A ciência tem muito mais a ver com ficção do que parece...