Crónica e poesia

Hoje é dia de crónica do DN e deixo aqui o link.


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/14-out-2018/interior/ola-e-adeus-9985177.html


 


Entretanto, se estiverem por Olhão, venham assistir ao Poesia a Sul, que decorre entre hoje e 28 de Outubro, com organização de Fernando Cabrita e o patrocínio da Câmara Municipal. O programa é realmente impressionante, com muitos poetas portugueses (eu também vou), entre os quais destaco Maria Teresa Horta e Teresa Rita Lopes, e muitíssimos poetas estrangeiros, vindos da Grécia, de Porto Rico, de Espanha, do Vietname, de Marrocos, dos EUA, da Irlanda... E haverá também música, apresentações de livros e revistas, homenagens e colóquios. Aproveite.

Comentários

  1. Gosto muito da Teresa Rita Lopes, grande especialista em Fernando Pessoa.
    E grande poeta também.
    Ela tem uns poemas dedicados à mãe absolutamente maravilhosos.
    Um deles, sobre as mãos da mãe, era o meu preferido, e eu costumava lê-lo nos encontros de poesia sempre que tinha oportunidade.
    Boa sessão!
    Maria

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    1. Já fui ler a crónica e não pude deixar de sorrir com as memórias adormecidas desse tempo. Também fiz o exame da quarta classe com 9 anos, e tinha não uma saia mas um vestido amarelo (juro!).
      Correu muito bem (entrei no Maria Amália ainda com 9 anos) mas não recordo nada do que me perguntaram.
      Quanto ao "Senhora Maria" que no meu tempo era o tratamento dado às senhoras velhotas das aldeias, etc. é como os jovens licenciados (vulgo melgas) dos call centers me chamam.
      Nos e-mails começam sempre por bom dia ou boa tarde.
      E claro, você para aqui, você para ali...
      Enfim, modernices.
      Senhora Maria

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  2. Vossa Mercê era muito formal, mais do que isso, era só para alguns, mas é muito bonito. Vossemecê já é mais acessível e ainda é suficientemente bonito. Você é que, enfim, é horrível.

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    1. Não acho o você assim tão horrível. Tudo depende da circunstância, da relação entre os dois interlocutores e da posição, uma em relação à outra, das duas pessoas envolvidas. Há situações em que o "você" é aviltante e completamente a despropósito, uma indelicadeza. E outras em que denota mesmo certo respeito. Outras existem em que é forma de tratamento absolutamente normal. Julgo que quem contacta com o público, devia ser ensinado a usar (ou não) o termo mediante conhecimento das suas nuances. E ser corrigido sempre que não seguisse os trâmites.
      Irrita-me o querida; ou mesmo, minha querida, na boca de quem nunca me viu mais gorda.

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  3. António Luiz Pacheco19 de outubro de 2018 às 02:44

    Poesia vietnamita... como a grega, só traduzida, deduzo?

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  4. António Luiz Pacheco19 de outubro de 2018 às 03:18

    Oportuno esta sua dissertação sobre a forma de tratamento a terceiros.
    E, embora isso possa incomodar alguém, terei de falar da minha experiência - a quem não interesse , pois não leia: Aconselho mesmo que é melhor ficar por aqui!

    Acontece que a maioria dos vendedores e outros agentes, são formados pela escola americana através de formadores quase sempre brasileiros, onde se cultiva e entende como vantajoso tentar aproximar as pessoas, pelo que entram pela tentativa de informalizar, de se ser familiar. Daí o tratamento pelo nome próprio, que muitas vezes é precedido de um "posso tratá-lo por António?" . Sabemos que é errado para os nossos padrões, mas parece que ninguém nunca se preocupou em informar disso aos formadores vindo do outro lado do oceano.
    Quando frequentei Cornell, em 1994, foi motivo de conversa numa aula e uma surpresa para os americanos!

    Quando me o perguntam, normalmente respondo que não! Apenasmente... não para atrapalhar, mas porque não gosto pura e simplesmente!
    Ficam que nem peixes, de boca aberta... pois não os prepararam para isso e não sabem o que fazer na maioria dos casos, pelo que ponho fim à abordagem, fácilmente.

    Notem que respeito quem tenta ganhar a vida, mas aborrece-me supinamente que me liguem à hora do jantar com a cantilena: Boa noite, fala Sónia Silva, estou a falar com o sr. António Pacheco? Sr. António (posso tratá-lo assim?) , estou a ligar da Chateação Perfurante Lda para lhe apresentar o nosso novo serviço de porta-chaves para cadeados de bagagem...
    AAAAAHHHHHH! Que raiva!
    Aliás duvido que alguém consiga ganhar assim a vida, é uma ilusão de que se servem as empresas que aliciam pessoas para isto.

    No mais do resto, deviam saber que entre nós, ainda é costume e de boa educação tratar alguém de respeito (mais velho ou categorizado) ou que não nos é próximo, pelo apelido, precedido de um Sr. , no caso de uma senhora usa-se o Srª Dona se bem que neste caso o
    uso do nome próprio seja mais comum do que o apelido... se desconhecemos algum título distintivo, que nisso a república é igualzinha à monarquia e criou os seus títulos também, o Dr. , Engª, etc. E ainda dizem que os portugueses não são monárquicos, ai não que não são... mas, adiante, é deveras falta de educação tratar as pessoas pelo nome próprio se não temos nenhuma familiaridade, e por você alguém que respeitemos... não se diz você e sim "o senhor ou a senhora". Você reserva-se para quem nos esteja a prestar serviço, o caixa do supermercado ou a balconista, o homem do táxi.
    Curioso como caiu em desuso, mas eu ainda uso, quando falo com um oficial de uma arte ou profissional, seja alfaiate, barbeiro, electricista, pedreiro, podador, jardineiro... o termo "Mestre". Mas só a um oficial não ao ajudante, esse será tratado pelo nome apenas. Normalmente este pessoal, mais prático apresenta-se pelo nome próprio pelo que facilitam o tratamento.

    Saudações a todos, titulados ou nem por isso, a que genericamente tratarei por Extraordinários Comparsas de Leituras, cá da Cidade Morena! Bom fim de semana!

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    1. Não há pacheco para os seus comentários...

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    2. Brilhante, Sr. D. Pacheco!
      V. Senhoria permite-me que destaque esta sua pérola?
      "Você reserva-se para quem nos esteja a prestar serviço, o caixa do supermercado ou a balconista, o homem do táxi."
      Brilhante, repito, digno de ser afixado em todas as escolas e universidades.
      E mais não digo, para quê?
      Vossa Excelência nunca iria entender...
      Gaspar

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  5. Cara MRP

    Continua em grande forma no DN. Parabéns!

    Gosto particularmente dessa espécie de anáfora, a cunhar o final dos textos: adeus, futuro.

    E, mais ainda, das histórias contadas antes dessa marca de água terminal.

    Hoje registei com preocupação a auto-confiança exacerbada de potenciais escribas.

    Cumulativamente, há pouco acabei de ler a entrevista do ALA no Público.

    Junto as duas peças (a sua e a da Isabel Lucas) e penso: "Água benta e presunção, cada um toma a que quer".

    Ou, se fosse católico, perguntaria: "Meu Deus, porque os abandonaste?"

    Bom fds
    CPedro

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    1. É uma entrevista tão bonita e honesta a que deu Lobo Antunes. De tanto lhe gostar da prosa posso ter criado preconceito, mas fico até orgulhosa deste senhor ter a mesma nacionalidade que eu, de lhe ser contemporânea, já o ter visto mais ou menos em carne viva mas como ele mesmo admite, a disfarçar de escritor sapiente (que até é, não precisava exagerar com aquela história da poesia medieval alemã), de ler as suas crónicas e as coleccionar, de lhe esperar os livros assim a modos de quem espera a primavera. E se fosse o caso de me perguntarem e poder escolher, prefiro viver no tempo dele que no do Eça (mas é também por haver ferros eléctricos e ausência de saiotes - engomados ou por engomar - e vestuário incómodo e mais umas coisas que não cabem aqui).

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