Crónica e Lello

Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/21-out-2018/interior/adeus-futuro-um-classico-10021861.html


 


Para quem estiver pelo Porto, a Livraria Lello escolhe-me como autora por um mês; e, além de expor muito bem os meus livrinhos, organiza amanhã à noite uma conversa em que estará também a fadista Patrícia Costa e o jornalista cultural Nuno Pacheco. Na ocasião, será estreado o Fado da Lello, escrito expressamente para a mais linda livraria do mundo, com letra minha e música e interpretação de Patrícia Costa. No domingo de manhã estarei de novo na Lello com crianças e uma «fada» que contará a história de Amália Rodrigues a partir da biografia que escrevi. A ideia de tudo isto é da professora Maria Bochicchio. Apareçam!


 


cartaz.jpg


 


 

Comentários

  1. Gostei tanto da sua crónica, Rosário! Também tive, numa esquina da minha infância, uma loja em tudo parecida com a da sua descrição, a que chamávamos, precisamente “A loja da esquina”. Lembro-me de lá entrar pela mão da minha mãe, tendo acabado de arrancar um dente, quando tinha 9 anos. Pedira um livro para compensar o terror do dentista, mas esperava comprar um livro com pelo menos algumas imagens (como outros que lera recentemente), mas a senhora da loja, muito afavelmente, insistiu que levasse o primeiro livro de Os Cinco, que seria mais adequado à minha idade, e que eu iria com certeza adorar! Saí de lá pouco convicta, mas com ele abri uma caixa de pandora. Fazia anos pouco depois, e pedi a toda a família para me ajudar a acabar a colecção – e passei tarde inteiras, fechada no escritório do meu pai (o sítio mais sossegado de uma casa de 7), a ler livro atrás de livro, com um pacote de bolachas ao pé. Nunca mais parei de ler, até hoje, e lembro-me regularmente da Loja da Esquina e da senhora a quem tanto comprava clips e micas, como livros da Enid Blyton. Infelizmente, sinal precoce dos tempos que haveriam de chegar, a loja foi substituída por uma perfumaria, bem antes de eu sair de casa dos meus pais. Quem sabe não seria a mesma da Rosário (na esquina da 5 de Outubro com a Visconde de Valmor)?

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    1. A minha era na Barbosa du Bocage, entre a 5 de Outubro e a Marquês de Tomar... Obrigada pelo seu comentário.

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  2. António Luiz Pacheco26 de outubro de 2018 às 02:56

    Creio que genericamente essas lojas eram designadas por "papelarias", e, vendiam várias coisas, fosse papelaria, livros, revistas, brinquedos e até algumas utilidades.
    Havia nelas, sempre, um senhor ou uma senhora com ar bondoso, simpático e que nos tratava com uma cumplicidade rara nos adultos. No antigo estabelecimento Jacinto Cardoso havia a Menina Elsa (que eu dizia Alsa), solteirona de olhos azuis meigos numa cara coradinha e redonda, que nunca esquecerei. Já depois de reformada e velhinha, eu adulto nas minhas idas e vindas, quando me encontrava na rua da cidade de Santarém dava-me sempre dois beijinhos repenicados... ficámos amigos para sempre.
    Para nós crianças, eram lugares mágicos, autênticas câmaras do tesouro, de culto!
    Entrava-se nelas como numa Igreja, em respeito, contidos, num misto de respeito e expectativa, o coração batia forte e mal respirávamos perante as maravilhas expostas.
    Viam-se as coisas que desejávamos, que nos maravilhavam e faziam sonhar, que depois escrevíamos ao Menino Jesus a pedir, prometendo portar-nos bem...
    É verdade, fomos assim... também já fomos assim.

    Saudações comovidas cá da Cidade Morena.

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  3. A crónica que consegui visualizar foi a excelente e verídica "ADEUS FUTURO" .
    Ainda na semana passada numa livraria FNAC do Algarve perguntei por "A um deus desconhecido", de quem? JOHN STEINBECK, JOHN quê? Parece impossível mas é verdade; tão verdade como este autor não constar da GRANDE ENCICLOPÉDIA DE AUTORES UNIVERSAIS, da BOMPIANI (em 2 volumes-de sub-capa amarela).

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  4. Nuno Pacheco, «jornalista cultural»? Ele é jornalista, ponto.

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    1. Se acompanha o blogue, saberá que foi premiado pela Sociedade Portuguesa de Autores como jornalista cultural - claro que é jornalista, mas escreve sobretudo na página de cultura.

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    2. Amanhã vai estar com ele na Lello... pergunte-lhe como é que ele se classifica a si próprio no que se refere à profissão.

      E quanto ao prémio da SPA... acho que foi esta que ficou mais prestigiada por o ter atribuído a Nuno Pacheco. Digamos que de um certo edifício na Avenida Duque de Loulé já não espero muita sensatez:

      https://www.publico.pt/2018/06/13/culturaipsilon/noticia/obra-premiada-pela-spa-vai-ter-envolvimento-de-um-membro-do-juri-1834174

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  5. Ah! fadista... Vivam os poetas sem poesia. O passado serve como futuro.

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  6. Parabéns pela Lello e obrigada pela crónica, que tantas recordações despertou em mim. Também tive dessas bonecas que vestíamos de papel e já nem me lembrava...
    Quanto aos nossos "jovens livreiros" é mesmo uma tristeza, chega a afligir tanta ignorância.
    Maria

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  7. Boa tarde

    Crónica nostálgica hoje.

    A sociedade da abundância não permite (salvo raras excepções):

    - lojas de bairro com atendimento personalizado e competente;
    - crianças maravilhadas e contentes com um presente;

    Hoje exige-se mais sem perceber bem para quê. Apenas e só para o mercado funcionar, talvez.

    Adeus passado, olá futuro sem futuro

    Cordialmente
    CPedro

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  8. Na minha terra as papelarias vendiam livros escolares e todo o material necessário nas escolas. Também jornais. Não me lembro de venderem romances ou outros livros. Mas pode que existissem. Também desconheço livreiros que aconselham leituras e gostam dos livros como se lhes sejam família chegada. Gosto de comprar nas grandes superfícies e não me incomoda que as meninas não saibam onde estão os livros. Incomoda-me que me desrespeitem, não que desconheçam se têm este ou aquele livro - afinal têm muitíssimos autores e títulos e os computadores estão ali por alguma razão. Também compro livros em supermercado e até em livrarias mais pequenas. E sou grata a todos por me deixarem andar a olhar os livros, a mexer-lhes, a ler bocadinhos, a ficar por ali. Devo-lhes horas de prazer.

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  9. Esqueci-me de dar os parabéns à Rosário. Ter os livros em evidência na Lello, e por uma semana, é alegria e orgulho, pois então. Uma classe de livraria.

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    1. Não é por uma semana, é por um mês.

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    2. Pois são muitos mais dias e os meus parabéns quadriplicam:).

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  10. O que hoje é verdade amanhã é mentira!!!!!!!!!!!!!!!!!!!.

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