Conhecer Torga
Um dos primeiros autores que li com paixão, ainda na adolescência, foi Miguel Torga – que, segundo se diz, foi o primeiro candidato sério ao Prémio Nobel da Literatura (português, entenda-se). Lembro-me até hoje de muitos dos seus contos lidos ainda nos anos 1970, quer de Os Bichos, quer de Contos da Montanha ou Novos Contos da Montanha. A Dom Quixote está há cerca de vinte anos a publicar a sua obra (além dos contos, os diários, a poesia, o teatro e os ensaios) e recentemente deu à estampa uma nova edição da fotobiografia do mestre escrita pela sua filha, Clara Rocha, professora na Universidade Nova de Lisboa e ensaísta. Miguel Torga – Fotobiografia tem prefácio de Manuel Alegre e está organizada cronologicamente, incluindo mais de cem fotografias do autor e muitos outros documentos, entre manuscritos e cartas, páginas do dossier da PIDE sobre Torga e outras imagens, algumas de lugares que amou profundamente, como Sabrosa, onde hoje há um museu que lhe é dedicado com um projecto arquitectónico maravilhoso de Souto Moura. Para conhecer Torga dentro e fora dos livros.
Eu tenho a primeira edição dessa Fotobiografia do Miguel Torga.
ResponderEliminarÉ de Novembro/2000 e o prefácio do Manuel Alegre foi escrito na Foz do Arelho em Agosto desse ano.
Um bom pretexto para ir arejá-la hoje, são livros em que não pegamos todos os dias.
Para os amantes de Torga como eu, sugiro também o livro "Eu, Miguel Torga" de José María Moreiro.
Maria
"Os Bichos" continuam a ser um dos livros que mais gostei de ler.
ResponderEliminarE os seus diários são uma peça essencial para quem estuda (ou se interessa...) pela nossa história contemporânea (século XX).
Miguel Torga é para mim um ícone da literatura, e também da portugalidade sobretudo rural, pois ele foi o que hoje se diz, um ruralista.
ResponderEliminarA sua humanidade penso que tenha a ver com a profissão, suponho, nos tempos em que ser médico na província era uma espécie de sacerdócio, havendo uma grande entrega, espírito de sacrifício e a tal humanidade cristãmente tida por caridosa, mas que não é evidentemente apanágio dela.
Tenho a felicidade de conhecer ou ter conhecido quem com ele privou, quem tenha calcorreado com ele montes e vales atrás das perdizes, ou tivesse sido seu colega. Cacei e caço num grupo que já vai na 4ª geração, no Torrão, onde ele caçou também, e quando percorro o Vale da Ursa, o Monte da Vinha, os Carrascais, subindo a encosta do cabeço da Cilha, parece que sinto o seu fantasma ao meu lado, ali por entre os sobreiros e azinheiras, entre estevas, na sombra das pinheiras...
O velho Fonseca, valente mariola e antigo caçador profissional ali do Torrão, que com ele emparceirou muitas vezes, conta como ele lhe dizia quando davam uma bicada a coberto dos outeiros "vamos f... er aqueles gajos de Lisboa!".
Como já se disse muitas vezes e aqui neste espaço, foi uma injustiça nunca ter sido devida e atempadamente traduzido e publicado lá fora, por razões políticas que suponho anti-portuguesas. Calculo que não fosse a censura do regime pois nunca achei que o que escreveu fosse subversivo, apenas humano e com um grande sentimento sobre o nosso povo e a Natureza. Se o fora, outro galo cantaria, acredito.
Saudações Torguianas (?) cá da Cidade Morena.
Julgo que me interessa mais respirar a ambiência de Torga e visitar o museu de Sabrosa. A obra que mais li e leio são os diários, livros que denotam uma inteireza e integridade que não podemos deixar de respeitar. Li-o noutras coisas. Mas aquela densidade de raiz a afundar de gosto na terra, os amores mais simples e profundos, um certo estar íntimo que lhe chega nos natais ao brasido da aldeia, é ali que melhor os sinto.
ResponderEliminarBonito o seu comentário, se me permite! Sou um admirador de Torga e aquilo que diz também toca no meu íntimo. É mesmo assim que imagino ele foi!
EliminarCumprimentos cá da Cidade Morena.
Concordo consigo, Bea, os Diários também são os meus favoritos, está lá quase tudo.
EliminarMas a Fotobiografia também é muito boa, especialmente por ser da autoria da própria filha, o que lhe dá garantia de autenticidade.
Não conheço o museu em Sabrosa.
Maria
À vontade, António Luiz. Somos dois a sentir Torga de forma muito semelhante. Mas há-de haver mais gente.
EliminarMIGUEL TORGA é, para mim, o maior escritor português. Ponto.
ResponderEliminarPor isso é que, publiquei 33 Livros (iBooks) meus - GRATUITOS - com transcrições dos seus magníficos 16 DIÁRIOS, bem assim como vários Vídeos meus/ Filmes meus / Pequenas Apresentações minhas (tudo perfeitamente amador, descomprometido e despretensioso), no meu canal do YouTube, sobre MIGUEL TORGA.
José Augusto Macedo do Couto
Porto
Interessante... como aceder? Desculpe a pergunta, mas sou um Neanderthal informático e sem ajuda vou ter dificuldade, há um link ou como se diz?
EliminarObrigado, parabéns e um abraço !
Para António Luiz Pacheco
EliminarBoa tarde.
Obrigado pelo interesse manifestado.
1. Ligação para um dos meus Livros (iBooks) GRATUITOS referidos (através dela pode aceder-se a todos os restantes)
https://itunes.apple.com/pt/book/natal-poemas-de-miguel-torga/id1435113949?mt=11
2. Ligação para um dos meus Vídeos sobre MIGUEL TORGA (todos os outros também estão também disponíveis neste mesmo meu canal do YouTube)
https://www.youtube.com/watch?v=hHaIttz5Q_w&t=8s
Espero que goste.
Um abraço do
José Augusto Macedo do Couto
Porto
Muito obrigado!
EliminarVou usar e certamente gostar...
Um abraço!
Tem uma bela obra editada, se me permite dizer!
EliminarQuanto ao filme, na verdade já estive ali em Boticas na praça onde se encontra a estátua, com o Barroso (e as suas charrelas...) por fundo, e ele a espreitar ambas de certeza!
Um belo dia e uma bela imagem.
Um abraço cá de Benguela!
Boa tarde (outra vez).
EliminarObrigado pelas suas palavras.
Como estou Reformado, vou tirando umas fotos e fazendo uns pequenos filmes e umas pequenas apresentações...
Tudo muito amador, descomprometido e despretensioso, claro.
Um abraço desde a Invicta.
José Augusto Macedo do Couto
Porto
Estava um dia num local denominado S. Leonardo da Galafura e fui tocado pelo sentimento telúrico que habitava Torga por aquelas paragens.
ResponderEliminar《À proa dum navio de Penedos,
EliminarA navegar num doce mar de mosto,
Capitão no seu posto
De comando,
S. Leonardo vai sulcando
As ondas
Da eternidade,
Sem pressa de chegar ao seu destino.》
E continua...
Fui lá há muitos anos e fiquei presa àquela paisagem deslumbrante.
Maria