Amigos e coisas boas

Tenho amizades firmes de há muitos anos (algumas há mais de quarenta) e sempre achei que fazer amigos depois de certa idade não era fácil, se bem que, mal conheci a fadista Aldina Duarte, senti uma empatia especial e ficámos amigas num instante. Pensei, mesmo assim, que era um caso excepcional. Porém, há cerca de um ano, conheci um poeta espanhol, agora professor do Instituto Cervantes em Lisboa, de seu nome Juan Vicente Piqueras (leiam-no!), e  de repente parecia que ele nos conhecia, ao Manel e a mim, desde sempre, de tal modo eram grandes as afinidades e a intimidade se estabeleceu num ápice. O Juanvi foi também professor em Roma, onde morou muitos anos, e sabe que eu aprendi italiano e que ainda consigo lê-lo, apesar de ser cada vez mais difícil; vai daí ofereceu-me pelos anos uma preciosidade de que tenho de falar aqui: um livro maravilhoso de Dino Buzzati, chamado I miracoli di Val Morel, que, não bastando ser escrito pelo fabuloso autor italiano, é também ilustrado por ele! Tem por base um caderninho de ex-votos muito antigo que Buzzati encontrou na biblioteca do pai quando era jovem e que descrevia os variados milagres realizados por Santa Rita de Cássia na região. Reproduzindo-os um por um (salvação para monstros marinhos, gatos vulcânicos, raparigas raptadas, homens enfeitiçados por um sorriso e muito mais) e juntando-lhes ilustrações incríveis (o prefácio de Lorenzo Viganò fala destes dotes de Buzzati), este livrinho é mesmo uma delícia que me podia ter sido oferecida por uma pessoa que me conhecesse há muitos anos, mas inesperado vindo de alguém que é recente na minha vida. Há, por isso, milagres além dos de Val Morel. Um bocadinho de livro para abrir o apetite:


 


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Comentários

  1. Não partilho dessa sua idéia, mas reside no facto de sermos pessoas e portanto diferentes, pois já se sabe que a diversidade é a maior maravilha da humanidade.

    Tenho amizades com 50 anos, 40, 30 ... o que tem a ver com a idade que tenho (quase 63) e infelizmente alguns já começaram a morrer... porque sigo fazendo amizades ao longo da vida, amizades essas tão boas e gratificantes com 5 como com 40 anos.

    Nos livros e pelos livros tenho feito algumas, o que é ainda a prova do que são os livros e a leitura, um ponto de reunião entre as pessoas!
    Há amizades físicas, intelectuais e hoje, modernamente pois a modernidade também tem muitas coisas boas, há amizades virtuais. Sim, não aquelas feitas com as pessoas que se pretendem certinhas e muito boas e correctas, de quem desconfio e fujo, com quem não travo sequer conhecimento, e as outras que se adivinham pessoas, com defeitos e opiniões diferentes, mas com quem se percebe que podemos ver como gente e até sabemos o que contar da sua parte. A hipocrisia não é apanágio do virtual, existe no Mundo real, e se formos a ver o virtual espelha bem o real, é uma questão de saber analisar, de ser também humano!

    Saudações literariamente amigáveis, cá do Bairro Ribatejano!

    PS - Acabei de ler Pão de Açúcar, deixou-me com um nó no estômago... fez-me pensar e reflectir, ajudar talvez e ainda a ver outras coisas. Gostei e aconselho, depois comento! Agradeço que dê um abraço ao todavia jovem Afonso Reis Cabral, que continue assim e creio que temos um escritor humano e humanizado, que gosta das pessoas e procura entendê-las!

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    1. Há amizades físicas, intelectuais e hoje, modernamente pois a modernidade também tem muitas coisas boas, há amizades virtuais. Sim, não aquelas feitas com as pessoas que se pretendem certinhas e muito boas e correctas, de quem desconfio e fujo, com quem não travo sequer conhecimento, e as outras que se adivinham pessoas, com defeitos e opiniões diferentes, mas com quem se percebe que podemos ver como gente e até sabemos o que contar da sua parte. A hipocrisia não é apanágio do virtual, existe no Mundo real, e se formos a ver o virtual espelha bem o real, é uma questão de saber analisar, de ser também humano!

      Sem dúvida:
      Dessas muito certinhas, boazinhas e correctas é mesmo de fugir!

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  2. Algum projeto de tradução (para aqueles que não têm a sorte de ter aprendido italiano) ?

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    1. Caríssimo Artur, sem contrariar a sua absolutamente legítima e oportuna observação, mas em jeito de conversa, vou-lhe contar o seguinte: Eu nunca aprendi italiano ... porém consigo ler em italiano, desde há muitos anos (mais de 40) que o descobri através da célebre revista "Il Mondo Sommerso"! É verdade, já experimentou começar por ler banda desenhada ou revistas em italiano? É capaz de ficar surpreendido, porque sendo uma língua de raiz latina (por suposto a mais latina!) quem entenda bem francês, espanhol e até inglês, não tem grande dificuldade em "apanhar" o italiano... depois e com o tempo, habituei-me a entender a língua falada, em reuniões com italianos. Consigo até dizer pequenas frases e fazer-me entender num restaurante, táxi, hotel ... e , não sou nenhum génio, nem profiler, mas como todo o português desenrasco-me a falar o que seja!
      Imagine que até o catalão consigo ler e perceber o suficiente... já experimentou?

      Um abraço cá do Bairro Rinatejano!

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    2. Bela sugestão ! Vou então experimentar a leitura do italiano com banda desenhada que comprarei no princípio do próximo mês quando passar por Bolonha (embora hoje em dia tudo se possa comprar de modo instantâneo usando a net...). Vamos ver como me safo com o italiano dos "livros em quadradinhos", como assim eram chamados na minha juventude. Abraço portuense.

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    3. Se me permite uma sugestão, Artur, que tal começar com o Corto Maltese do Hugo Pratt?
      Eu também consigo ler italiano, nem sei porquê, talvez por saber de cor todas aquelas canções italianas da minha juventude, ou por estar atenta às legendas de tantos filmes italianos que vi e revi.
      Maria

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    4. Assim farei ! Muito obrigado pela sugestão (li o Corto Maltese na minha juventude; agora lê-lo-ei no original).

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  3. A Santa Rita de Cássia não é a santa das causas impossíveis?
    Acho que estamos todos a precisar de invocá-la...
    Quanto às amizades, há Amigos e amigos, e os primeiros são mais difíceis de encontrar, seja aos 8 ou aos 80 anos.
    Maria

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  4. Ora ainda bem !
    Por acaso e sabendo do seu aniversário, pensei se alguém lhe ofereceria livros?
    Aqui está a resposta.
    Livros e amigos ligam bem, até com cascas de batata.
    Se não acreditam leiam o livro " A sociedade literária da tarte de casca de batata ". Ou vejam o filme:)
    Um pouquinho de açúcar na vida não faz mal a ninguém.

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    1. Vai estrear em breve e tem boa critica este filme. A ver, seguramente.

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    2. O Dvd já saíu. Se a Fnac não fosse a desgraça que é a entregar as encomendas, eu deveria tê-lo recebido no dia 2 de Outubro juntamente com A Livraria, adaptado de um livro vencedor do Man Booker.
      Talvez cheguem amanhã...
      Maria

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