Traficar com estilo

Há notícias que até parecem anedotas, e esta li-a recentemente no Jornal de Notícias. Sei como a ortografia deve ser estimada e respeitada; mas, com tudo o que vejo por aí, mesmo por parte de quem quer ser escritor, nunca me passaria pela cabeça que se conseguissem confiscar quatro toneladas de marijuana por causa de um erro ortográfico. A verdade, porém, é essa. Tudo aconteceu no Brasil, na zona de São Paulo, e a droga vinha escondida entre embalagens de peitos de frango congelados num camião que se dirigia a Vila Velha (Espírito Santo). Numa operação stop, o camião foi interceptado, mas, ao que parecia, a documentação da carga estava em ordem e poderia seguir. O problema foi que a guia de transporte mencionava «dorço de frango»  (pelos vistos, é «dorso» que lá chamam ao nosso «peito») e o erro alertou as autoridades que, em poucos minutos, descobriram que a papelada era forjada e encontraram 3920 quilos de erva no meio das embalagens. O condutor, de 31 anos, foi imediatamente preso e a droga confiscada. Ainda há polícias rodoviários que sabem ortografia, que sorte. Uma boa primária faz muita falta... Até para traficar, claro.

Comentários

  1. ahahhahaahha Muito bom, para começar a semana com boa disposição. Há, de facto, pessoas que nos surpreendem pelas falta de aptidão linguística. Até duvidamos que leiam aquilo que dizem ler. Mas sabem reparar nas vírgulas alheias. Não será o caso do pobre motorista, do qual, (talvez por preconceito), não esperamos grande literacia.
    A despropósito: estou a reler Agustina, agora numa outra maturidade. E, de facto, a riqueza vocabular é diferente de quase tudo o que já li. Talvez encontre semelhanças em Mário de Carvalho, mas atrevo-me a considerar que existe nela uma variedade de regionalismos e arcaísmos ainda maior. Que chega a envergonhar-me. Se a ler bastante talvez a alcance.
    Beijinho e excelente semana,

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  2. Atenção à ortografia. Imagino a tenção em que terá ficado o condutor.

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    1. Suponho que tenha querido escrever "tensão". A língua portuguesa é difícil, mesmo quando a amamos.

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    2. É possível. :-)

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  3. Ahahaha

    Muito bom! Até para traficar é preciso saber 'bom português'.

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  4. Nem de propósito e não vou comentar! Leiam apenas, esta apresentação de uma empresa, luso-angolana (não, não é chinesa como logo pensei!) e assinada pela directora comercial!

    Apenas copiei o texto tal e qual e transportei para aqui… vale a pena ler!!!!!!!!!

    Bom Tarde Caríssimos,
    Somos a empresa Sortel e gostaríamos de nos apresentar para os Senhores, Estamos no mercado de Angola há 7 anos na área de Frio Industrial tais como: Câmaras Frigorificas, Túneis de Congelação, Mobiliário em inox, Máquinas de Fabrico de Gelo, Equipamento de Confecção Alimentar etc. o nosso lema é actuar sempre com Empenho e Dedicação. Para isso contamos com uma equipe de profissionais e aplicar a regra da boa Arte . A prestação dos melhores serviços aos nossos clientes é o que nos move. Será como muita satisfação colaborar convosco nos trabalhos da nossa especialidade Para conhecimento vosso ,Trabalhos por nós executados aos quais passamos a descrever :
    ……….
    Melhores Cumprimentos,
    Best Regards
    Paula Lima


    Saudações embasbacadas cá da Cidade Morena!

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    1. É o português dos PALOPS! Saudações da cidade loira!

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    2. Sandra, creio que as siglas não terão plural:
      PALOP, CD, UE...

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    3. Pois… não sei… não conheço nem nunca vi ou falei com a tal Paula Lima, apenas recebi este edificante e-mail!

      Quanto ao português dos PALOP's, já li relatórios e comunicações de brasileiros, de deitar as mãos à cabeça… idem para de angolanos, e, pasme-se, até de portugueses!

      Se ouvissem na rádio ou lessem nos jornais de cá, textos escritos por advogados e gente formada em qualquer coisa, arrepiavam-se a despeito de estar um dia de calor!
      É preciso mesmo muito traquejo para perceber o arrazoado que desenvolvem, com termos altamente rebuscados que pretendem ser técnicos, mas completamente descontextualizados e a despropósito, numa linguagem que no século XIX se designava por ser de "ambaquista". (Alusão à missão católica de Ambaca)

      É óbvio que para falar e entender as pessoas simples, nas pescarias, fazendas e aldeias do mato, temos que ter esse traquejo, e, também observar como falam para lhes falar do mesmo modo, sendo assim entendido. Temos de falar como eles, dizendo "eu vou ir" ou "mais grande", "não vai ter" , ainda que deturpando a nossa língua, por razões de pragmatismo evidente, isto se queremos ser entendidos!
      Não me faz confusão… se falasse com um hortelão de À-dos-Cunhados ou um comerciante de maçãs de Carrazedo de Montenegro Negro, um salsicheiro de Vinhais ou um vaqueiro da Póvoa de Santo Aleixo, não usaria os mesmos termos e a linguagem que numa apresentação a um secretário de Estado! É óbvio e simples questão de bom senso.

      Por aqui, ainda há pouco tempo, a propósito da saída de "diplomados" de instituições do ensino superior, e suas efusivas postadas no Facebook, um responsável de uma delas aconselhava a que não o fizessem ou tivessem cautela, pois os erros acabam por denegrir as instituições e dar deles má imagem… isto diz tudo!

      Já agora, e a talhe de foice, tive várias vezes oportunidade de ler as "sebentas" das aulas numa Universidade onde se estudam ciências agrárias, assim como apresentações dos docentes em seminários e conferências! Nem queiram saber… pergunto-me como conseguem os estudantes aprender alguma coisa a partir de textos que são um misto de palavras cruzadas com jogo de charadas… o trabalho que será ler, deslindar e conseguir fixar alguma coisa: aprender! E claro que depois quando se quer reproduzir o aprendido, sai no mesmo formato!
      Textos escritos por professores búlgaros, cubanos, brasileiros, checoslovacos, numa mescla de português do Brasil, com o português que ouvem falar cá e com espanhol, compondo uma língua que não existe pura e simplesmente!
      É assim que se pretendem formar quadros e universitários?
      Agora há uma universidade do mar, polaca, com professores polacos… imaginam o que ali se ensina e como? O que vai de lá sair? Eu não consigo…
      Protocolos de ciência, ensino superior com alemães? Com franceses?
      Os nossos governos andaram decididamente a dormir, ignorando isto (talvez propositadamente ) , que até seria uma porta a abrir para os nossos licenciados e excesso de professores que ficam por colocar todos os anos! Mas para tal seria preciso ter ministros e dirigentes à altura, que não se notabilizassem por "gostar de malhar na direita", o que parece ter sido preponderante na escolha do chefe da nossa diplomacia.
      Creio que está tudo dito!

      Saudações arrelampadas cá da Cidade Morena!


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    4. ASeve: pode-se usar com ou sem plural. O que se deve usar sempre é de verticalidade: nem toda a gente (a maior parte de nós) terá acesso a meios de comunicação social para aí desferir ataques constantes e cobardes sem hipótese de responsabilização. Quem está desprotegido reage com frontalidade e nem sempre da maneira mais correcta porque todos estamos sujeitos a nervos e descontroles. E sim: cinco anos é demasiado tempo para importunar quem teve sempre a frontalidade de dizer que não quer comunicar connosco ou ter qualquer tipo de ligação. Obrigada.

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    5. Esclareça-me lá por favor, o que é quer dizer com isto:
      -o que se deve usar é sempre de verticalidade -
      O que é isto altera o que eu disse ?(as siglas não teem plural
      CD - CDs - incorrecto
      PALOP - PALOP's).

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  5. Há coisas muito dolorosas.
    E ter um dorso ( ainda por cima com ç ) no peito deve ser uma delas.
    Ainda bem que há sensibilidade das autoridades e que não alinham nas modernices dos novos temperos.

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  6. O mais grave é traficar com doutoramento e educação.

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    1. Gravíssimo. Mas já me convenci, ao longo da vida, que os doutoramentos e educações nada podem contra a falta de carácter.

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    2. A falta de carácter também tem sempre muita lata. Por norma, a rectidão é mais envergonhada. Boa tarde a todos.

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  7. Essa do "dorço de frango" faz-me recordar diariamente como se confisca a verdade e das embalagens de "dorço de frango" saem inquietudes forjadas avariadas. Ainda há menos de um mês recebi esta embalagem forjada que ditava assim a desconhecidos: «Meu pulha de m... odioso: o que tu merecias era aparecer como o Luís Grilo, de saco na cabeça e partes à mostra. Mas como eu seria a principal suspeita isso não acontecerá.
    Serás, em alternativa, destruído na praça pública e terás que emigrar, certamente. Tu, o teu mano e o presidente e o Xavier: liquidados.
    Morre, biltre de m....» Quem será o Xavier?, pergunto, eu que presumo mano e presidente. Nesta operação non-stop com mais de cinco anos e mais de 193 papéis forjados na incompletude da mente, uma cabeça equilibrada faz muita falta.

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    1. Bom… convenhamos que para usar o epíteto de "biltre" é alguém minimamente cultivado! Em contraste com o pulha de m... odioso. Só o detalhe "de m..." é que baixa o nível, o resto parece-me no geral elevado!
      Quem seja a autora e a quem seja dirigida a missiva, isso é motivo para pôr em acção à Polícia Judiciária no sentido de preservar a integridade física de alguém… mas é aguardar por ver alguém destruído na praça pública ou mesmo que venha a ser achado na mesma situação que o malogrado Luiz Grilo , porque quanto ao emigrar isso afigura-se-me difícil de detectar, se bem que se restrinja esse acto a dois irmãos, um presidente e um designado Xavier!

      É preocupante, sim… ameaças dessas podem fazer uma pessoa passar a noite de cama!

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    2. Sabe Pedro? Poderíamos sentir-nos tentados a pensar que quem demonstra tanto desrespeito pelo curto tempo de vida dos outros e pelo seu mérito superior mereceria exactamente esse fim. Mas, felizmente, não será necessário: porque ainda existem forcados dispostos a agarrar problemas complicados pelos cornos. A mim só me continua a espantar a desfaçatez. Mais nada.

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  8. Podem ter ou não. Não é incorrecto usar plural nas siglas.
    O resto não tem a ver consigo.

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  9. A escrita diz sempre do escritor. Neste caso, devido à atenção da autoridade e ao seu saber ortográfico:).

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