Qual pátria?
Já aqui disse que, durante as minhas férias, li muitas páginas, mas poucos livros. Talvez tenham pensado que li sobretudo jornais e revistas, mas não: o que quis dizer foi que «papei» um calhamaço de 700 páginas que me ocupou quase duas semanas. Trata-se do aplaudido e multipremiado Pátria, de Fernando Aramburu: um grande romance que todos devem ler para entender da melhor forma possível o que aconteceu no País Basco com a ETA, os que abraçaram a «luta armada», as suas vítimas (não estou a falar apenas de juízes, polícias e políticos, mas de pobres diabos que, por terem meia dúzia de tostões, foram intimados a dar dinheiro para «a causa» e assassinados quando se recusaram a fazê-lo) e os que simplesmente nasceram em Donostia e tiveram de viver diariamente com o medo ao longo de muitos anos. O romance é exemplar, tomando como ponto de partida a história de duas famílias muito chegadas (dois casais e os seus filhos) e aparentemente inseparáveis – as mulheres tomando chá juntas na pastelaria, os homens andando de bicicleta aos domingos ou jogando cartas, as raparigas cúmplices nos momentos difíceis, os miúdos a aprenderem a andar de bicicleta na casa dos outros. O problema é que, numa das famílias, há um filho problemático (o do meio) que se torna etarra ainda adolescente e, na outra, uma morte às mãos dos terroristas… A narrativa começa, curiosamente, pelo fim: no dia em que a ETA anuncia a cessação da luta armada; e, mesmo que se trate de uma óptima notícia, é tarde demais para quase tudo, sobretudo para perdoar – ou talvez não. Um livro maravilhoso que mostra como a política marca as vidas dos cidadãos todos os dias das suas vidas e como, por vezes, a amizade é invencível.
Pelo resumo parece o guião do Governo de Madrid sobre o problema. Mas, tendo em conta o título, talvez me engane.
ResponderEliminarEmbora me agrade a temática, as "700 páginas" começam logo por ser um óbice, e dos grandes...
ResponderEliminarPor acaso também acabei de ler um "tijolo" de 700 páginas e também sobre tema histórico - "Wolf Hall", de Hilary Mantel - e gostei muito.
ResponderEliminarO fanatismo conduz ao ódio e este cega.
ResponderEliminarGrande livro!
Um livro que não vou perder!
ResponderEliminar700 Páginas? É mesmo à minha medida que adoro ler coisas extensas, e é sinal de que há muito para ser narrado.
Também o tema, acho muitíssimo interessante e fico com curiosidade, porque aquilo que tem sido publicitado e inspirado artigos, filmes ou até algum romance é sempre o ponto de vista dos etarras… aliás, para mim, duvidoso.
E, a despeito de ser fã do Zé do Telhado e seus semelhantes gosto de ler as diversas opiniões ou modos de ver.
Saudações anti-terroristas cá da Cidade Morena!
Já comprei o livro e pensei que iria ter tempo de o ler em férias, mas acabei por me apaixonar pelo "4 3 2 1" do Auster e suas mais do que mil páginas. Os livros longos, quando são obras-primas, são uma experiência única ! Espero em breve ter fôlego para me atirar ao prazer que será a leitura do "Pátria" do Aramburu.
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