Pão de Açúcar

Em Fevereiro de 2006, os Bombeiros Sapadores do Porto resgataram do fosso de um prédio abandonado um corpo com marcas de agressões e nu da cintura para baixo. A vítima, que estava doente e se refugiara naquela cave, fora espancada ao longo de vários dias por um grupo de adolescentes, alguns dos quais tinham apenas doze anos. Inicialmente, tinha sido descoberta por um deles numa espécie de barraca por causa de uma bicicleta velha; e a relação até podia ter sido pacífica, mesmo que a atracção às vezes e transformasse em repulsa – mas que vale um tesouro que não pode ser mostrado? Esta é a história que serve de base ao segundo romance de Afonso Reis Cabral, o mais novo vencedor do Prémio LeYa desde sempre (venceu-o em 2014 com O Meu Irmão e não teve pressa de voltar a publicar, o que é um bom sinal). Pão de Açúcar (que é também o nome por que ficou conhecido o local da tragédia porque para ali fora projectado um grande supermercado), romance vertiginoso sobre um caso que abalou o País, é uma combinação magistral de factos e ficção, com personagens reais e imaginárias meticulosamente desenhadas, e sai hoje para as livrarias. Merece, sem dúvida, ser lido de fio a pavio.


 


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Comentários

  1. Se comprasse livros pela capa, este seria um deles.

    Mas o problema é que conheço o autor, li o premiado "O Meu Irmão". No meu entender trata-se de um romance pobrezinho (relata um drama familiar), cuja escrita nunca entusiasma o leitor...

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    1. Ora aí está: a MRP continua a vender gato por lebre.

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    2. Só compra quem quer.
      Não gosta, não compra.
      As simple as that!

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  2. Essa descrição transportou-me para o brutal "clockwork orange" do Kubrick, filme que marcou a minha adolescência e sobre o qual ainda medito, especialmente por abordar temas interessantes das ciências comportamentais, como o é o caso do behaviourismo.
    É curioso pensar que já tentamos controlar o comportamento com abordagens em tudo semelhantes às que foram utilizadas em ratinhos de laboratório, como se o homem fosse não diferente da besta.
    Relativamente ao romance do Burgess em que foi inspirado, nunca li e tenho imensa curiosidade. Temo contudo ser dececionada (talvez injustamente), uma vez que preferi a versão cinematográfica de Lolita ao romance do Nabokov.
    A capa do livro que nos traz é cativante, mas para já ainda tenho uma longa lista de livros para ler...

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    1. Eu li, Maria, e o filme é melhor - na minha opinião, claro.

      Maria (outra )

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    2. Tenho os seus comentários em grande consideração, pelo que acreditarei :)

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    3. Lolita por escrito também não fez a minha perdição. Mas qualquer das versões em filme me agradam.

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    4. Obrigada, Maria mas nunca fiando... se tiver oportunidade não deixe de o ler.

      Maria

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  3. Tenho curiosidade em ler este livro, pelo autor e não pela capa - aliás nem gosto da capa...

    Maria

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  4. Bom dia

    Não percebo nada de capas de livros, nem da lógica ou técnicas inerentes à sua concepção.

    Só posso dizer, honestamente, que esta não me cativa.

    Tenho uma lista onde vou guardando sugestões de leitura, e referências que vou encontrando, para limar a minha significativa ignorância.

    Dela, da lista, estas férias, li "O livro", de Zoran Živković.

    Uma sátira ao universo do livro, das editoras e dos autores. Pode ajudar os mais incautos a explicar porque é que nem tudo o que vem a rede é peixe. Metaforicamente falando, claro.

    Em resumo, correndo o risco de não pescar nada da sugestão dada, mas tendo em consideração as restrições orçamentais e a proliferação de títulos disponíveis mais atractivos, resta-me despedir até uma próxima oportunidade.

    Cordialmente
    CPedro

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  5. Não sendo embora o meu género de livro, li e apreciei "O meu irmão", ficando até muito surpreendido pela juventude do autor que nunca esperaria se interessasse e desenvolvesse um romance sobre o tema.
    Julgo que além de bem-escrito, a razão do prémio possa ter residido na originalidade do tema, aliás extremamente humano.

    Recordo-me muito bem do outro drama, aliás profusamente noticiado pelo inusitado da sua violência, por parte de um grupo de miúdos que se bem me recordo frequentavam uma instituição qualquer…
    Fico curioso com a proposta deste romance. O autor parece ter sensibilidade para estes temas, vamos então ver como o tratou agora, dando-lhe o benefício prévio do meu interesse!

    Nota: É claro que nem todos gostamos dos mesmos livros e autores… o que é uma prova da diversidade literária que existe e espero persista, a bem da liberdade e do sentir de cada um.

    Saudações livremente livrescas cá da Cidade Morena.

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  6. Acredito. Ainda que não tenha lido o livro anterior.

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  7. Fala-se muito dos Prémio e premiado Leya… suscitam polémica, invejas, azedumes, paixões… eu sei lá! São sempre motivo de discussão por aqui.

    Porque o prémio tem importância?
    Claro que sim, sejamos honestos, se não a tivessem não se lhes ligava assim tanto.

    Tenho-os lido todos, e ainda com toda a honestidade, só li um que para mim cabe na classe dos Grandes Romances. Chama-se "No rasto do jaguar", de Murilo de Carvalho.

    Faço outra referência a um de que gostei bastante, mas na minha sincera e humilde opinião de traça dos livros não se enquadra nessa classe - Os loucos da rua Mazur, de João Pinto Coelho. É um bom romance, sem dúvida.

    Achei interessantes "O olho de hertzog" e "O meu irmão", mas muitíssimo aquém daquele que primeiro nomeei e se calhar me criou uma expectativa demasiada. Os que se seguiram, nem por isso gostei e nalgum caso mesmo detestei, questionando mesmo se premiáveis… mas claro, é uma opinião de traça livresca!

    Portanto feito o balanço… para mim é bastante negativo, em tantos anos só um me encheu as medidas!
    Mas é de facto um prémio importante, pela visibilidade que dá e as oportunidades para o vencedor. Estimo que Afonso Cabral desfrute delas e colha frutos, afinal faz o que eu gosto: escreve livros, logo terá o meu apoio!

    Como nota curiosa, devo dizer que houve um finalista deste prémio que para mim se enquadra na definição de Grande Romance, e não percebo porque não venceu. Coloco-o ao nível de um Jorge Amado, por exemplo. Chama-se "A rainha do cine Roma", de Alexandre Reyes!
    Mas, volto a dizer, é apenas a minha opinião de leitor que muitos apodarão de ignorante, inculto, etc... mas faço notar que sou alguém que compra e lê livros, muitos! Pelo que acho ela deva ser tida em conta…

    Saudações tracejantes cá da Cidade Morena


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    1. Caro Pacheco, afinal não estamos assim tão distantes nos nossos gostos literários. "No Rasto do Jaguar" de Murilo de Carvalho e os "Loucos da Rua Mazur" do nosso João Pinto Coelho, foram também os livros premiados que mais gostei.:)

      Mais a sério, acho que isso acontece, porque são de facto melhores que os outros.

      Em relação ao livro de Afonso Cabral, é provável que ele acabasse por ser prejudicado pelas expectativas que um "prémio Leya" deixa atrás de si. Eu falo por mim, como esperava muito melhor, acabei por o achar um romance banal.

      O problema dos prémios literários (praticamente todos...), é que já se percebeu há muito tempo que nem sempre premiam os melhores livros. E os elementos dos júris são os grandes responsáveis por esta "discrepância", para não lhes chamar outra coisa.

      Neste blogue não há ignorantes, Pacheco, apenas leitores e escritores (mesmo que escrevam para a gaveta...). Gente culta, que pode e deve, pensar pela sua cabeça.

      Recomendações da Cidade Vermelha, agora com tons Rosa.:)


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    2. (e claro que sei que é premeiam, excelentíssimos caçadores de vírgulas)

      :))

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    3. Caríssimo Luis Eme: Para que conste, gosto sempre de o ler e tenho-o mesmo como uma das referências neste blog, porque sei que sabe do que fala!

      Normalmente nem estamos muito distantes nas opiniões, e, uma vez mais não estamos!
      Gostei de "O meu irmão", como gosto de quase tudo o que leio, mas neste caso mais pelo lado humano que me sensibilizou, achando que o autor conseguiu transmitir bastante bem a realidade dos dois personagens-chave, os irmãos. Penso sobretudo que a nossa apreciação do romance possa diferir aí - o Luis fá-lo do ponto de vista literário, do escritor, de uma forma mais ampla e eu do ponto de vista do leitor-comum, mais limitado e porque me senti sensibilizado pelo drama.
      Terá sido assim?

      No resto, parece que concordamos… e reafirmo que para mim, "O rasto do jaguar" é um daqueles romances que nos enche, preenche e fica, um clássico! Um dos melhores romances que já li, a incluir numa lista aí de uns 100, não consigo fazer por menos!

      Já agora: por acaso leu "A rainha do cine Roma" ? Se gosta por exemplo de Jorge Amado, não perca… achei um livro tocante, que me tocou muito fundo, mesmo. E achei-o muitíssimo bem escrito, fazendo-me lembrar os Mestres Sul-americanos, com J. Amado à cabeça!

      Abraço cá de uma Cidade Morena desfolhada, num fim de cacimbo que tarda em partir!

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    4. Grato pela sugestão de leitura, caro Pacheco.

      Jorge Amado é um dos escritores que me trouxe a paixão pela leitura de volta no começo da idade adulta (a par de Hemingway, Steinbeck e Camilo...), tem romances inesquecíveis.

      De certeza que vou ler "A Rainha do Cine Roma" do Alexandre com todo o entusiasmo.

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    5. Está mesmo visto que partilhamos gostos de leitura muito idênticos! Ahahahah!
      Tenho a certeza vai gostar daquele livro!

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