O senhor Lobo Antunes

Se há coisa de que não se pode acusar o escritor António Lobo Antunes é de escolher maus títulos: os seus títulos são sempre um primor, mesmo que frequentemente surripiados a versos de alguns dos seus confrades portugueses e estrangeiros, e o do seu mais recente romance não é excepção: A Última Porta antes da Noite. Vai seguramente correr-lhe bem, já que, nos últimos tempos, lhe têm acontecido coisas bem boas – e há períodos assim, em que parece que tudo se conjuga de forma positiva. Pois então, depois do mais famoso escritor português lá fora – Fernando Pessoa, pois claro –, foi a vez de António Lobo Antunes chegar à prestigiada colecção Pléiade, da editora Gallimard, um privilégio de que mesmo muito poucos podem gabar-se. Está contente o senhor Lobo Antunes, e estamos nós, por ver a França distinguir pela segunda vez um autor português, elevando-o à categoria de escritores como Kundera, Proust, Dickens ou Vargas Llosa, para mencionar apenas alguns. Se toda a gente comenta que Lobo Antunes perdeu a oportunidade de ganhar o Nobel da Literatura quando Saramago lho arrebatou há vinte anos, invalidando que o mesmo fosse para a língua portuguesa por um longo período, pois agora deve estar de papinho cheio.

Comentários

  1. Os títulos dos livros são bons, sem dúvida, o pior é o que ele escreve lá dentro...
    Entrar na Pléiade é prestigiante, sem dúvida, mas não mais do que ganhar o Nobel...
    Quantas pessoas comuns sabem o que é a Pléiade?
    E quantas sabem o que é o Nobel?
    E diga o ALA o que disser, o Nobel é uma espinha entalada na garganta
    Maria

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  2. Nunca gostei muito da sua escrita. Li a Morte da Carlos Gardel mas não consegui acabar Boa Tarde às Coisa Aqui Em Baixo que achei ilegível, insuportável, pretensioso pela pontuação cheia de.... É claro que ficou com inveja do Saramago por muito que desvalorize o Nobel que nunca ganhará.Penso que estará a ficar che´ché. Nas entrevistas fala sempre da mesma coisa, da guerra, dos camaradas, do Melo Antunes, do seu amigo JC Pires e dos livros não diz nada. Do Pessoa disse que um homem que nunca f... não podia ser um bom escritor. Acho que está tudo dito. Que a Pleiade lhe faça bom proveito.

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  3. Lobo Antunes é um autor mal-amado e creio que isso se deve mais à sua postura perante a vida do que à linguagem ou qualidade da sua obra. Há mais de dez anos, numa Feira do Livro em que também estava Saramago, enquanto o Nobel atendia prestimosamente todos os leitores, o senhor em questão era antipático e até rude com quem se lhe dirigia.
    De qualquer modo, tem mérito, pelo que o seu reconhecimento é uma boa notícia num país em que a mediocridade, a insensatez e, em geral, o pensamento estupidificante, merecem grande realce das autoridades (as mais altas) mesmo em detrimento de quem só quer fazer o seu caminho livremente.
    Boa terça feira a todos.

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    1. "De qualquer modo, tem mérito, pelo que o seu reconhecimento é uma boa notícia num país em que a mediocridade, a insensatez e, em geral, o pensamento estupidificante, merecem grande realce das autoridades (as mais altas) mesmo em detrimento de quem só quer fazer o seu caminho livremente."

      Lúcida análise e comentário. Aplaudo!

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    2. Obrigada, António Luiz. Saudações da cidade loira e um beijinho.

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  4. Gosto da personagem, que é escritor, mesmo quando diz que é melhor do mundo.

    E sim escreve, maravilhosamente, escolhe títulos bons... Só tenho pena que deixe as mãos (e alguém que ele finge não conhecer...) comandarem tudo, de uma forma egoísta, e que esqueça os leitores que ainda gostam de romances com principio, meio e fim...

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    1. Concordo com o que diz sobre ALA parecer que escreve para si-mesmo e não para os leitores, os leitores que gostam de romances com princípio meio e fim e não tenham de andar para trás e para a frente à procura do fio conductor que está na cabeça do autor mas nem por isso acessível ao leitor.
      Não é uma crítica, quem sou eu… mas sim uma análise feita por quem compra livros e lê!
      Não sou leitor de ALA, por isso mesmo, mas sei que há uma maioria de leitores que o são e apreciam, e respeito isso!

      Abraço cá da Cidade Morena!

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  5. António Lobo Antunes é um Grande Escritor!
    (Ponto de exclamação e parágrafo).
    Talvez o melhor escritor português da actualidade, se bem que não seja o meu preferido e tão pouco seja seu leitor.
    Parece anacrónico dizer isto?
    Nada disso, sei reconhecer a qualidade e o valor que ele tem, e que constitui enquanto profíquo autor com uma vasta obra, que marcou o panorama literário nacional, um ícone!
    Portanto é justo que lhe sejam atribuídos prémios e o reconhecimento que nos devem orgulhar a todos, seus leitores ou nem por isso.
    Como pessoa é uma personalidade, goste-se ou não dela.
    Na verdade acaba sempre tudo em polémica à volta dele, e até aqui neste Blog. Mas ele é autor, serve para ler e não sendo comentador de TV nem relações públicas, o que nos interessa isso? É lá com ele.

    A confrontação com Saramago é inevitável, porque são dois nomes maiores da literatura que sendo contemporâneos dividiram o palco.
    Saramago foi Nobelizado e ele não?
    Bom isso é areia demais para a camioneta desta traça dos livros, que na verdade também não aprecia a escrita de Saramago - reconhecendo-lhe todavia o génio e a importância.
    Mas lamento que não o seja, como lamento nunca o foram Aquilino, Pessoa, Torga, Jorge Amado, e provávelmente nunca serão, Pepetela, Mário Cláudio, Rentes de Carvalho, Miguel Real… sei lá… por falta de qualidade ou de universalidade na sua escrita (como talvez possa ser apontado a ALA) ? Não! Por outras razões que eu nem conheço nem sou capaz de evocar, mas cheiram muito a política!

    Entretanto congratulo-me sinceramente com toda e qualquer distinção de mérito a António Lobo Antunes, pois o seu percurso o merece.

    Saudações orgulhosas cá da Cidade Morena - terra do apreciado Pepetela!

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    1. Pessoa nunca poderia ter o Nobel pois morreu sem obra publicada que o justificasse: apenas a Mensagem e poemas dispersos.
      É como o Van Gogh, nunca conseguiu vender um quadro e hoje é um dos pintores mais amados e mais caros do mundo.
      A vida nem sempre é justa...
      Ana





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    2. Pois não: há demasiados pulhas no meio do caminho. Mas há também preços impossíveis de pagar.

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    3. Sandra, confesso que não percebi nada. Está-se a referir ao ALA, ao Pessoa ou ao Van Gogh?
      Ana

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    4. Ana: a todos, bem como àqueles que, não tendo qualquer mérito, vivem para o prejuízo dos outros, impedindo-os de receber o que é justo de acordo com o seu valor.
      Sandra Neves

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    5. Rectifico. Van Gogh durante toda a sua vida vendeu apenas um único quadro intitulado "A Vinha Vermelha".

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    6. Sim, Anónimo, sei que há essa teoria, mas o que é um só quadro na imensidão de obras de arte que ele nos deixou?
      Ana

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  6. Tenho cá em casa quem seja uma excelente admiradora da obra de Lobo Antunes, tendo lido muitos e muitos dos seus livros.
    Penso que ALA é um excelente escritor proveniente de uma família onde a exigência de aprendizagem era enorme e a concorrência na excelência imensa - leio hoje com um enorme prazer os livros do João Lobo Antunes, um extraordinário e culto médico humanista, que na minha opinião aliava uma escrita finíssima a uma cultura excepcional.
    Não aprecio particularmente muitos dos últimos livros do ALA, o que não significa que não haja na escrita de ALA um enormíssimo talento, misturado com uma enorme ironia e capacidade analítica.
    "Cartas de Guerra" foi um dos últimos que li, um livro excepcional.
    Não é, de facto, ALA quem quer. Pela sua obra mereceria atenção maior, pois são as obras e não os Homens que interessam na escrita literária.
    Ficará talvez por saber até ponto a exigência que colocou na opção pela escrita em detrimento da prática clínica, e a necessidade assim de alcançar nessa área o mérito, não promoveram esses episódios pessoais de "desbocamento" mal interpretados pelo público; e que serão, talvez, a sua forma "carinhosa" de "pedir" a atenção e afecto que todos (mesmo os mais "deslocados e dissociados") pretendem.

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    1. Eu gostava imenso (e gosto, claro, pois os escritores são eternos) do João Lobo Antunes.
      Tenho vários livros dele e é sempre um enorme prazer lê-los e relê-los.
      Para a António já não tenho paciência nenhuma.
      Maria

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    2. Imagino q isso faça uma diferença do camandro... Ao Lobo Antunes. E à hist. da literatura...

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  7. Há o que temos em casa. Há o fundo de reserva, mesmo que involuntário. E depois há a absoluta falta de vergonha na cara.

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  8. ALA é o protótipo de escritor que escreve para ele mesmo, "egoísmo" que torna a leitura difícil e por vezes indecifrável.
    Escreve crónicas excelentes, mas as temáticas dos romances interessam me menos, ainda que aprecie muito as suas invulgares descrições e comparações, assim como o desafio que é compreender tudo aquilo que expressa.
    Quanto ao carácter, pouco me interessa, mas mentiria se dissesse que "engoli" levianamente as críticas que já fez ao enorme Fernando Pessoa.
    Para mim, nunca suplantará Saramago.
    Temos pena...

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    1. Engraçado, Maria, este comentário poderia ter sido escrito por mim.
      Completamente de acordo!
      Maria (a outra )

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  9. Gostei muito, na altura em que saíram, dos seus três primeiros livros (Conhecimento do Inferno, Memória de Elefante e Os Cus de Judas), a partir daí nunca mais consegui chegar ao fim de qualquer um dos seus livros e tornaram-se-me mesmo (a mim) absolutamente ilegíveis
    Não faço comparações com Saramago porque (para mim) Saramago é o melhor escritor português depois de Camões.

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    1. De Acordo. Eu incluiria também o Pessoa e seus heterónimos.

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  10. A dor de cotovelo é enorme . Devia ter ganho o Nobel há muito !

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  11. Vamos pôr os pontos nos Is e os traços nos Ts, os primeiros 16 livros de ALA, até ao titulo "Que farei quando tudo arde", embora de leitura difícil, são excelentes romances e acessíveis ao leitor médio, uma autentica lufada de ar fresco na literatura portuguesa, merecedora já na altura, pelo seu conjunto, ser premiada com o Nobel. A partir daquela publicação os livros de ALA tornam-se apenas legíveis por mentes muito especiais, muito privilegiadas, ou quiça pelo próprio, quem sabe se o seu narcisismo não o levou a um tipo de escrita que objetivamente não agrada ao grande público, daí só um grupo de fieis seguidores continuar a comprá-lo e as vendas das últimos edições terem baixado drasticamente.

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