Ligações

Numa noite de lobos em que todos rezam a Santa Bárbara e os mais velhos recordam uma tragédia antiga, chega misteriosamente à aldeia um estrangeiro e a sua filha Maddalena. Nessa mesma noite, a criada do solar vem chamar a parteira para que acuda à sua senhora, e Celeste nascerá pouco depois, ignorando que a solidão rodeará grande parte da sua vida. No Fundo do Lugar, onde a água da chuva irrompe em ondas pelas casas mais pobres, é a vez de Samuel – o que desenha bichos no chão dos quintais e imita o canto das aves – temer, como sempre, pela vida da mãe. Maddalena, Celeste e Samuel são os lados desiguais do triângulo donde brotam os fios desta história, contada por três mulheres que se assemelham a fiandeiras do tempo: Antónia, a viúva que tricota camisolas e mantas, acrescentando dias à vida de cada um; Violeta, a que apara nas mãos os filhos da terra e guarda segredos tristes numa gaveta; e Emília, a que ouve em sonhos o afiar de facas e calcula os caminhos que a morte escolhe percorrer. Os Fios, romance de estreia de Sandra Catarino, lindo e imperdível, combina a crueza do meio rural com um lirismo inesperado que torna esta narrativa mágica e poderosamente empática. Acaba de sair e recomenda-se.


 


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Comentários

  1. Não duvido da validade literária do novo romance mas neste momento as minhas prioridades são outras: acabar a Casa Sombria do Dickens e o Enigma da Chegada do Naipaul e iniciar a monumental biografia do Garrincha do Ruy Castro Estrela Solitária.

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  2. Parece ser uma proposta interessante, esta.
    Logo se verá, como soe dizer-se.

    Agora um comentário meu: - Pelo que se anuncia, parece que o romance urbano-depressivo evoluiu para rural-depressivo? Já é uma evolução… pelo menos fala-se no Mundo rural, que está em extinção e ninguém parece preocupar-se com isso.

    Mas, não me entendam mal... pretendo ler mais este, da nova vaga rural.

    Saudações citadinas cá da Cidade Morena, onde aliás parece que chegou o calor!

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    Respostas
    1. Rural-depressivo? Não! Claramente não é nada depressivo! Tive eu um misto de relutância e curiosidade em pegar neste livro. Ainda bem que a curiosidade ganhou. É um livro tão belo, tão bela a forma como a cada capítulo me deixa atenta e na expectativa por qual magnífica imagem vai ser desenvolvida cada personagem, cada espaço, cada perda. É pouco expectável encontrar um romance de estreia como este. Que a Sandra Catarino tenha a hipótese de se afirmar neste mundo literário cada vez menos masculino. Nota: compreendo a aposta de edição deste livro. Parabéns a todas. LA.

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    2. Com o devido respeito pelas opiniões contrárias, para mim o Mundo Literário não é feminino nem masculino, por isso é Mundo ou Universo e não planeta literário, esse seria masculino ou feminino. É Mundo Literário.

      No entanto, o seu comentário, sexismo aparte e porque sou pouco sensível a tal argumento, aguçou-me deveras a curiosidade que já me havia sido despertada e faço mesmo tenção de o ler, já em Outubro quando for a Portugal. Depois direi aqui sobre ele, a minha opinião…

      Saudações rurais e nem por isso depressivas, cá da Cidade Morena.

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  3. Já tinha visto esta capa tão bonita. Oxalá o romance seja assim. E que a Sandra escreva muitos mais.

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