Grandes novidades

O Nobel da Literatura para Bob Dylan foi uma decisão francamente inesperada – muito saudada por uns, muito criticada por outros. É bem possível que essa decisão tenha sido, de resto, o princípio das dissensões no comité Nobel que redundaram em despedimentos e adiamentos. E agora o Man Booker Prize deu um passo igualmente inovador ao introduzir na lista de candidatos a um dos mais importantes prémios para uma obra de ficção em língua inglesa a novela gráfica Sabrina, da autoria do norte-americano Nick Drnaso, autor que já tinha sido bastante elogiado com a sua obra de estreia – Beverly – e, com este segundo livro, chegou definitivamente «ao céu». Tanto quanto percebi, a história tem que ver com o desaparecimento de uma rapariga na sequência de ter combinado com a sua irmã Sandra um fim-de-semana no Lago Michigan; e – entre outras coisas – fala de teorias da conspiração, verdade e mentira, ausência, medo, manipulação tecnológica e redes sociais (na era Trump). Parece-me que pode ser uma obra muito interessante, que recebeu o louvor de numerosos jornais e revistas e americanos e está a ser igualmente bem recebida pela crítica britânica, que a classifica como uma mistura de Don DeLillo com Jim Jarmusch e reconhece a literatura atrás de uma história com palavras e desenhos. É a primeira vez que um cartoonista entra na lista do Man Booker Prize e, mesmo que não passe à shorlist, já entrou para a história.

Comentários

  1. Tenciono espreitar o livro assim que puder.
    Eu, que me recusava a ler essas "bonecadas", descobri há 1ou 2 anos alguns autores fantásticos na chamada Nona Arte: Jiro Taniguchi, Paco Roca ou Miguelanxo Prado, para só citar três.
    Mas há mais e muito bons para descobrir, sem preconceitos.

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    1. Ainda me esqueci de mencionar o grande Hugo Pratt e o seu genial Corto Maltese.
      O Nobel do Dylan já lá vai, e já o discutimos bastante há dois anos.
      Li algures que no Nobel a fingir que vai ser atribuído este ano está o nome do Neil Gamon, que também faz BD, se não estou em erro.

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  2. Inovar é sempre bom. As novas formas não vêm degradar as já existentes mas, juntando-se-lhes, aumentar a valia do conjunto. Contudo sou de opinião de que devem criar uma nova designação para si mesmas não baralhando as já existentes. Acho, por isso, que a obra de Bob Dylan não é literatura, é outra coisa igualmente valiosa, uma forma de expressão artística autónoma que merece um nome que lhe seja próprio. O melhor é confiar o assunto às pessoas que operam os conteúdos e os meios nas novas tecnologias, que os zuckenbergs resolvem logo o imbróglio.

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  3. António Luiz Pacheco6 de setembro de 2018 às 02:48

    Tenho uma enorme dificuldade em consolidar uma opinião sobre este tema!
    Resulta não da minha incapacidade de pensar, mas das muitas dúvidas que me provoca e para as quais não consegui alcançar uma resposta, além da minha óbvia ignorância que me limita chegar a um resultado… afinal não passo de uma traça dos livros, esvoaçando por aqui em volta da luz que este Extraordinário blog é!

    No entanto, tendo a concordar que apesar da genialidade e de ser uma indiscutível grande figura do panorama musical contemporâneo que ficará para sempre, como um clássico, não sinto que o Nobel assentasse a 100% ao Bob Dylan. Reparem que digo "sinto" e não "penso", portanto não afirmo e continua a dúvida, porque já ouvi muitos e bons argumentos a favor e contra.

    Atribuir o Nobel a um genial argumentista de banda desenhada como René Goscinny … ou a um criador como Hergé ou Edgar Pierre Jacobs, também me deixa dúvidas apesar da grandiosidade das suas obras que permanecerão ainda. No entanto, talvez se justifique pois são criadores de texto… sinceramente não sei.

    Parece-me é que, com a natural evolução e como em tudo, talvez o Nobel devesse sim, ser alargado e englobar outras e mais artes, precisamente a Banda Desenhada pela sua presença, impacto e relevo, indiscutíveis, tanto quanto arte quanto ao nível da divulgação e acção social e cultural.

    Mas que sei eu destes assuntos?

    Saudações duvidantes cá da Cidade Morena!

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  4. Acho interessante que seja recente a valorização da banda desenhada como forma de transmitir uma mensagem ou contar uma história, ainda que existam bons e reconhecidos cartoonistas há muito tempo, pois a arte rupestre demonstra que aquela é forma mais antiga de se transmitir uma história.

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  5. Prémio Nobel da Literatura é um prémio para a literatura e ponto final

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  6. Banda desenhada de cariz literário só tenho duas: À la Recherche du Temps Perdu de Stéphane Heuet e Caravaggio de Milo Manara, ambas muito boas na sua adaptação do original.

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