Bem-vindos

Ora então cá estamos (se bem que com pouca vontade, pois a seguir a umas férias relativamente longas nunca me apetece muito trabalhar). E, como é princípio do mês, digo já o que ando a ler e, nos dias que aí vêm, falarei também do que li nestas férias (muitas páginas, mas poucos livros). Agora tenho em mãos a obra originalíssima de um autor de que gosto particularmente – o multifacetado Geoff Dyer, que escreveu também uma maravilha chamada Jeff em Veneza, Morte em Varanasi, romance de que falei aqui no blogue há muito tempo. Neste momento, o livro que me ocupa chama-se Areias Brancas e é um livro de viagens, mas não de viagens no sentido puramente geográfico – embora, claro, se façam deslocações –, antes de viagens para visitar obras de arte em grande escala ou repetir a experiência de algum artista ou escritor desaparecido num local específico. (Até ao momento, apreciei muito o primeiro capítulo, sobre a Polinésia e Gauguin, e o flop do autor e da mulher – de quem Dyer não usa o nome verdadeiro, fazendo dela personagem – na vã procura de uma aurora boreal.) O narrador, que cita profusamente D. H. Lawrence e lhe segue passos e ideias, é profundamente irónico num sentido muito British que estou a adorar. E, já agora, a tradução, publicada pela Quetzal, é de João Tordo.

Comentários

  1. Olá e boa rentrée
    Por sugestão sua, passei boa parte do mês a reler o Livro de San Michele, do Axel Munthe, que fui descobrir numa edição em muito mau estado na biblioteca. Tive esse livro e li-o há imensos anos (nem me lembro há quantos) e a verdade é que já não me lembrava de quase nada - foi mesmo uma descoberta.
    Gostaria de comprar um em bom estado.
    Seria tão bom se o reeditassem, afinal era o #1 da Colecção Dois Mundos.
    Fica a sugestão a quem de direito...

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  2. Ah… tava a ver que não!!!!

    Acabei o livro que andava a ler, e que foi afinal uma tremenda desilusão… inspirado num caso real e factos históricos, transformou-se numa daquelas coisas com zombies e isso, que parece estar na moda, e é para esquecer! Ao menos para ser original os zombies podiam ser zombies vegan, mas nem isso!

    Bom regresso a todos, são os meu votos cá desde a Cidade Morena!

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  3. Ora bem-vindos a todos, à nossa anfitriã e a todos os que aqui comentam e lêem todos os dias.
    Leituras do mês passado: Tu não és como as outras mães de Angelika Schrobsdorff;
    A Sétima Onda de José Rentes de Carvalho.
    Leitura iniciada: A Odisseia Adaptada aos Jovens, este livro estou a lê-lo por uma sugestão que li aqui nos comentários.

    Suzana Silva

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  4. Deve ser muito interessante, esse «Areias brancas», pela ligação artes plásticas/viagem/literatura. Tem de ir para a minha lista de livros «Para ler».

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  5. Que o regresso seja auspicioso!
    Estou a reler Mrs. Dalloway da Virginia Woolf. Genial.

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  6. Esqueci-me… Areias Brancas pelo que percebo é de um género que faz parte das minhas preferências!
    Vou procurar e ler.
    Excelente sugestão!

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  7. Livro a procurar ! Adoro o humor e a ironia inteligente e culta do Dyer. Deliciei-me em férias, em primeiro lugar, com a leitura da "A Ilustre Casa de Ramires", o único romance de Eça que me tinha escapado (várias tentativas anteriores não ultrapassaram as primeiras 20 páginas; achava a temática demasiado rural e centrada num aristocrata a cheirar a mofo). Afinal é uma bela e complexa história e com o estilo do Mestre no seu melhor ! Fiquei a desconfiar que o Eça com este livro quis competir com Camilo e Herculano no próprio terreno deles, cultivando o romance rural nortenho e intercalando nele a novela histórica medieval. Li também um ensaio profundo e bem estruturado de Esther Mucznik sobre "Auschwitz", desde a sua origem e evolução até à sua libertação pelos aliados. Terrífico. Deslumbrei-me com o "4 3 2 1" do Auster, livro de que me falta ainda ler o quarto final. É um excelente candidato ao título de "great american novel" já que é um minucioso tratado sobre os sentimentos da classe média culta de Nova Iorque/ Nova Jérsia durante segunda metade do século XX, com acasos e opções de vida que afetam três gerações sucessivas da família Ferguson. Espanta-me que Paul Auster tenha tido força para publicar aos 70 anos a sua obra mais exigente, ambiciosa e longa (são mais de mil páginas) ! Um milagre.

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  8. Olá.
    Acabei, finalmente, de ler o "Homem que Gostava de Cães" de Leonardo Padura. Magnífico e muito instrutivo acerca do passado recente da Europa e do socialismo. Padura é, nitidamente, fascinado por Trotski, apesar de o José Milhazes, em dois artigos recentes publicados no jornal "Observador" defender que, se Trotski tivesse mandado ao invés de Estaline, o resultado teria sido o mesmo. Ficaremos sempre na dúvida mas, ainda hoje, a esquerda se digladia acerca desta rivalidade milenar. Ficamos também a saber que ambos adoravam cães: Trotski e o seu homicida, Ramon Mercader.
    Começo agora "Deuses de Barro" da Agustina.

    Beijos e bom regresso,
    Sandra Neves

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  9. Como de costume, Agosto foi mês de quase não leitura (depois da "overdose" de Julho...).

    Estou a acabar "Memória das Minhas Putas Tristes", de Gabriel Garcia Marquez, que a par da sua "Crónica de uma Morte Anunciada", nos diz que os bons livros não precisam de ter quinhentas páginas...

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  10. Viagens e ironia ao estilo britânico (sendo Barnes o meu predileto), que descrição sedutora! Se bem que o título "Jeff em Veneza, Morte em Varanasi" por si só já captou a minha atenção.
    As férias virão mais tarde, pelo que não li tanto quanto queria. Depois da espetacular "máquina de fazer espanhóis" do VHM, decidi ler "a desumanização", que ilustra um registo completamente diferente, mas igualmente interessante do autor, especialmente para quem gosta de prosa poética. Iludida com a previsão de uma obra leve sobre uma infância na Islândia, deparei-me com um romance profundo, por vezes sombrio e doloroso, que não faz tanto o meu género.
    Para além disso, li o "memória de elefante" do ALA e terminei "o fio da navalha" , que andava há anos para ler.

    Bom regresso!


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  11. Como é que um livro com tanta miséria (a fome é tanta que até pedras comem) me põe a rir às gargalhadas, Erskine Caldwell grande escritor, "A estrada do tabaco" grande livro.

    E volto mais uma vez a Vergílio Ferreira, estou, pela terceira vez a ler "conta-corrente", e recomeço pelo I, são 14, do melhor que já li.

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