Uma questão de orgulho

Conheço José Tolentino Mendonça há muitos anos e até posso dizer que já recitámos poemas (de Cesariny, já agora) um ao outro, sentados nos degraus de uma feira de exposições na Bélgica (num intervalo entre sessões um tanto ou quanto aborrecidas) e que já tivemos um ataque de riso por causa de uma senhora que vestiu um cão a preceito para uma festa (tínhamo-lo visto nessa tarde com uma toilette mais casual, enfim). Não nos encontramos muito frequentemente, é verdade, mas sinto uma grande empatia e ternura pela pessoa que é, além de o considerar um grande poeta, um excelente tradutor, um homem muito culto, e de gostar do seu sorriso e do seu abraço. Por tudo isso – e também, vá lá, por ser patriota – enchi-me de orgulho ao ler nos jornais que esta grande figura da nossa cultura (que é também padre, vice-reitor da Universidade Católica e director do curso de Teologia) foi escolhido pelo papa Francisco para ser bibliotecário do Vaticano (do arquivo secreto e tudo, caramba!). Portanto, não podia deixar de partilhar com os Extraordinários a grande felicidade que senti e de aproveitar o blogue para felicitar o futuro arcebispo, título que vai também ser-lhe concedido. Espero que, com as tarefas que tem pela frente, ele não esqueça Portugal, a literatura e, claro, os seus fiéis amigos e leitores. Parabéns, querido Tolentino.

Comentários

  1. As suas crónicas também são relevantes ao lado da sua poesia. Já agora recomendo a grande entrevista que a Anabela Mota Ribeiro fez,(está no seu blogue) onde ele retrata mais ou menos o início do seu percurso de vida desde a Madeira.

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    1. Também comecei pelas crónicas, no expresso e depois nos livros. Mais tarde cheguei à poesia. É um prazer ler Tolentino Mendonça, um homem com um cultura extraordinária e uma mente aberta.
      Espero que seja muito feliz em Roma e que continue a publicar livros.

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  2. António Luiz Pacheco4 de julho de 2018 às 03:20

    Uma distinção que honra não só o seu trabalho enquanto Homem de Cultura, mas também o país e portanto a todos nós!
    Porque a cultura não deve ter nem religião, nem política!
    (O que não significa que não haja cultura política e religiosa…)

    Saudações distinguidas, cá do Bairro Ribatejano!

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  3. Confesso que acho as crónicas do Tolentino Mendonça um bocado chatas, como achei banalíssimo o diálogo que ele teve recentemente na rádio com o Luís Caetano, uma sucessão de lugares comuns... Deve ser preconceito meu, mas cheiram-me as suas palavras demasiado a incenso. Como dizia o o nosso génio literário (que escreveu recentemente uma crónica na Visão a confessar que adorava o Tolentino): "um homem que não f., não pode ser bom poeta" (eu sei, obviamente, que a realidade pessoana logo mostrou a desadequação da boutade). Já agora, para continuar a minha cantiga de escárnio e mal dizer, que é isto de aceitar ser diretor de um "arquivo secreto" ? Uma honra ? Algum intelectual de bem pode aceitar ser o guardião de segredos que deveriam estar totalmente disponíveis aos historiadores ?!!! A Igreja no seu (quase) pior...

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    1. Concordo em absoluto.
      Está tudo deslumbrado, é o que é.

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  4. Bom dia. Se lhe serve de consolo Artur, as melhores espadas eram forjadas em Toledo. Se às desembainhavam, era outra história.


    Cláudia da Silva Tomazi

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  5. Este homem deve ser um portento, as pessoas dirigem-lhe elogios, só elogios. Para não destoar desta unanimidade eu não ia afirmar que não gosto das crónicas nem das entrevistas, já que da poesia, que é o fundamental, nada saberei dizer. Confesso-me surpreendido pelos dois Extraordinários anteriores.

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  6. Também fiquei contente. Por ser uma cabeça muito válida na igreja católica que bem precisa delas (boas cabeças nunca são demais). E por ver reconhecida a sua qualidade. Nunca falei com ele senão através dos livros que tem o bom gosto de escrever. Mas espero na nossa conversa e desejo que o futuro lhe dê mais do que trabalho, vá além de.

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  7. Mais um cromo para a caderneta da MRP. Assim seja.

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