Uma inglesa em Portugal

Uma inglesa apaixonada por cavalos chegou a Portugal nos anos sessenta com o sonho de aprender a tourear. Determinada, aventureira e apoiada por famílias portuguesas importantes, Ginnie Dennistoun – que escolheria o nome artístico Virginia Montsol – não só venceu todas as barreiras como se tornou uma pequena celebridade no mundo fechado, elitista e masculino dos toiros, arrebatando o público com a sua elegância e beleza. Mas como se sentiria esta rapariga de vinte e poucos anos, alternando entre a Inglaterra dos Swinging Sixties, da emancipação da mulher, dos Beatles, da construção de uma sociedade mais igualitária, e o Portugal salazarista, pobre e marialva, onde as mulheres deviam ser obedientes e discretas e a sua relação com o mestre, bem mais velho do que ela, era certamente um escândalo? A Inglesa e o Marialva narra a vida de uma mulher de coragem que, contra tudo e contra todos, incluindo a própria família, venceu os constrangimentos do seu tempo. Amanhã fazemos o lançamento, apareça por lá.


 


A Inglesa e o marialva_ digital_convite.jpg


 

Comentários

  1. Não me lembro da Virgínia Montsol, embora eu seja suficientemente velho para ter acompanhado na minha juventude as touradas que passavam frequentemente na televisão nos anos sessenta e setenta, sobretudo as que eram à antiga portuguesa. Curioso, fui saber quem seria o Marialva. Descobri que é o cavaleiro tauromáquico de referência do antes do 25 de abril: João Branco Núncio. Lembro-me dele já calvo, considerado o verdadeiro mestre da lide a cavalo, toureando quase até à sua morte, acontecida poucos anos depois de 74. Era de Alcácer onde as suas herdades seriam nacionalizadas após o 25 de abril; li que morreu de ataque cardíaco na Golegã em casa do cunhado. Mas o livro tem como protagonista a Inglesa e sobre ela nada recordo, o que torna o livro bem apetecível. Sobre ela, apenas encontrei um video curto a preto e branco com a Virgínia Monsol a tourear. (https://www.britishpathe.com/video/VLVADCSG2TSTK298VQ02C5D5SGHT9-PORTUGAL-ENGLISH-GIRL-PERFORMS-IN-THE-BULLRING)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Por acaso, Artur, o Marialva não é quem menciona, mas Alberto Luís Lopes, que foi indicado à Inglesa para a ensinar a tourear. Em todo o caso, acho que vai gostar.

      Eliminar
    2. Isto saiu anónimo, mas é da autora do Horas Extraordinárias.

      Eliminar
    3. Obrigado pela correção do meu erro. Realmente pareceu-me estranho, não só pela diferença de idades, com o pela postura hierático de João Núncio que fosse ele o Marialva do livro. mas o mundo e os homens são cheios de surpresas. Mais uma razão para eu ler o livro.

      Eliminar
  2. Rosário, a minha dúvida, era onde começava a ficção e acabava a realidade, mas já ficou mais ou menos explicado na sua resposta anterior...

    ResponderEliminar
  3. António Luiz Pacheco11 de julho de 2018 às 04:08

    Interessantíssimo em toda a linha, e tauromaquia aparte, só a parte que refere como a sua integração na sociedade de então deve ser do maior interesse!

    É livro que não deixarei de adquirir e ler!

    Já agora, e por curiosidade, não foi caso único e lembro o da peruana Conchita Cintron que também veio para Portugal ser cavaleira tauromáquica e por cá ficou, apaixonada pelo nosso país - a despeito da tal sociedade marialva, machista, pobre, rústica e salazarista. Questiono-me se na sociedade livre, desinibida, rica, equalitária e não machista , que vigorava em Cuba ou na URSS ela teria conseguido ir para lá e se fixaria… é só uma questão que fica no ar.

    Saudações tauromáquicas cá da Cidade Morena!

    ResponderEliminar
  4. Muito bom! ahahahahahhahah
    Embora talvez a ficção, neste caso, seja maior que a realidade. ;-)

    ResponderEliminar
  5. O livro vale sobretudo como documento sociológico. A nível literário, em certas partes do livro nota-se uma falta de articulação entre as ideias, de que resultam amontoados de factos. Os aficionados às touradas é que devem estar de cabelos em pé, por alguns lapsos de bradar aos céus. Diz-se, por exemplo, que a cor das capas são vermelhas e negras, quando quem tenha visto uma corrida uma vez na vida sabe que são rosa e amarelas. Também se diz que Nuno Salvação Barreto era cabo do grupo de forcados de Lisboa, "o único profissionalizado do País" (p. 211), quando se sabe que Salvação Barreto foi o maior defensor do amadorismo dos forcados, combatendo os (poucos) grupos profissionais que existiam em Portugal. Concedo que a autora perceba pouco de tauromaquia, mas não podiam ter dado o texto final a ler a alguém entendido no assunto, de modo a evitar erros clamorosos? Outras situações: em relação à família Cid, fala-se sucessivamente no "Vasco" no "Dr. Vasco" e no "Vasquinho". Eram uma só pessoa, ou não?

    ResponderEliminar

Enviar um comentário