Um novo Nobel

Irritados por tudo o que aconteceu recentemente com a Academia Sueca, que adiou a entrega do Prémio Nobel da Literatura para uma data indefinida e afastou umas quantas pessoas do processo decisório, uma série de intelectuais suecos, sobretudo escritores e jornalistas, resolveu criar uma sociedade a que chamou «Nova Academia» como forma de protesto. Instituiu um prémio alternativo que já tem 47 candidatos oriundos de todo o mundo, nos quais podemos todos votar até dia 14 de Agosto (basta ir ao site, ao que parece). Entre esses, contam-se escritores como Elena Ferrante, Ian McEwan, Paul Auster ou Joyce Carol Oates (os norte-americanos estão, de resto, muito bem representados), mas também nomes menos prováveis, como a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e uma dúzia de suecos de que nunca ouvimos falar, além da autora de Harry Potter, J. K. Rowling, o que é de admirar… Em todo o caso, podemos divertir-nos um pouco com este concurso, já que não temos o outro. O vencedor será anunciado em Outubro, como é habitual com o Prémio Nobel, e irá haver uma cerimónia formal para entrega do galardão no dia 10 de dezembro. A Nova Academia será dissolvida um dia após a cerimónia formal, o que também tem alguma piada. Haja imaginação.

Comentários

  1. Li algures que não há nenhum português a concurso. Será que pode confirmar?
    Mas que vai ser divertido, vai.
    E sobretudo diferente.

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    1. Nenhum, mas em contrapartida há 12 suecos e outra carrada de ingleses e americanos.

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    2. Obrigada pela resposta.
      Resumindo: nada de novo no reino da Dinamarca, perdão, da Suécia.

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  2. António Luiz Pacheco19 de julho de 2018 às 01:43

    Porque será de admirar a atribuição do Nobel (ainda que sucedâneo) à genial autora do fabuloso Harry Potter? Quem pôs a ler milhões de pessoas (se calhar a maior parte entre aqueles que pouco lêem...) no Mundo inteiro!
    Seria melhor atribuí-lo a um autor apoiado pela crítica (a quem os leitores não passam cartão) e pelas editoras, pelos intelectuais que nada contribuem para a divulgação da leitura, um autor daqueles que mesmo publicado em 137 línguas poucos leiam?
    Quantos livros da saga da referida autora terão sido editados no Mundo?
    Ah… sim, ela não é considerada como fazendo parte da elite cultural e escreve num género desprezível além de que não é mais conhecida pelas suas posições políticas ou em prol dos temas fracturantes do que como escritora, nem faz parte de nenhuma minoria … logo não é digna de ser sequer nomeada para um prémio assim, mesmo que tenha feito a fortuna dos seus editores…

    Um velho ditado diz, quem desdenha quer comprar… tomara nós todos, leitores, editores e a fileira económica do livro, que houvera mais J.K. Roelling - que até começou a escrever em Portugal, o que deveria ser considerado algo a divulgar, pois em Portugal há muitas e boas condições para um escritor trabalhar, em paz, tranquilidade e até de barriga aconchegada!

    Saudações potterianas cá da Cidade Morena!

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    1. António Luiz Pacheco19 de julho de 2018 às 01:44

      RoWlling, bolas!!!!

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    2. Concordo plenamente! E até quanto às "muitas e boas condições para um escritor trabalhar, em paz, tranquilidade e até de barriga aconchegada (em Portugal)!". Mas, infelizmente, não foi o caso da J. K. Rowling - que teve que sair do país em ruptura com um ex-marido português que a maltratava...
      Seja como for, esse Nobel alternativo também me parece uma excelente e divertida ideia. E eu talvez até vá votar nela - e não me admirava que, nem que seja pelo registo divertido e subversivo da iniciativa, ela venha a ganhar.
      Filipa

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    3. Agora sou eu: que ela viesse a ganhar… :(
      Filipa

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  3. Vai dar asneira. Como todas a votações feitas na internet, os resultados serão manipulados por interesses populistas, económicos, políticos, etc. Que pena a academia sueca ter decidido não atribuir o prémio este ano. Abriu o flanco e poderá criar uma confusão tal que acabará com o Nobel da Literatura. Com todos as críticas que se possam fazer às escolhas da academia durante mais de um século dos galardoados , seria uma perda para a Humanidade. Insubstituível. O Brasil poderá finalmente ter o seu Nobel da internet: Paulo Coelho !

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    1. António Luiz Pacheco19 de julho de 2018 às 03:08

      Concordo inteiramente, meu Caro e avisado Artur Águas!

      Abraço cá da Cidade Morena, cujo filho Pepetela já mereceria um Nobel, digo eu…

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    2. Tem razão, Artur. E se seguirmos o critério do nosso amigo Pacheco - que ganhe o que vende mais - o Coelho está garantido!
      Mas essa não é a génese do Nobel, que não tem nada a ver com "Bestas Céleres" nem com lucros mas sim com causas mais nobres.
      Enfim, esperemos para ver, já houve tanta contestação com a Svetlana e o Dylan...

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    3. Eu daria o meu voto a um outro africano: Mia Couto!

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    4. António Luiz Pacheco19 de julho de 2018 às 04:17

      Alto lá! Eu não defendi que o Nobel seja entregue ao mais vendido… ou o Corin Tellado já teria ganho um… o que eu afirmei foi que a J.K. Rowlins pôs muita gente a ler, sobretudo jovens. Isso não será uma causa nobre?
      Expliquei-me mal ou fui mal entendido, tanto faz.

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  4. Contem bem quantos escritores de língua inglesa estão nomeados!
    Isto vai ser uma palhaçada.

    Ian McEwan Reino Unido - Jeanette Winterson Reino Unido - Jamaica Kincaid EUA - Édouard Louis França - Jessica Schiefauer Suécia - Marilynne Robinson EUA - Cormac McCarthy EUA - Siri Hustvedt EUA - Amos Oz Israel - Inger Edelfeldt Suécia - Anne Carson Canadá - Ngugi wa Thiongo Quénia - Agneta Pleijel Suécia - Haruki Murakami Japão - Johannes Anyuru Suécia - J.K. Rowling Reino Unido - Jón Kalman Stefánsson Islândia - Meg Rosoff EUA - Thomas Pynchon EUA - Arundhati Roy India - Joyce Carol Oates EUA - Don DeLillo EUA - Olga Tokarczuk Polónia - Zadie Smith Reino Unido - Jonas Hassen Khemiri Suécia - Kerstin Ekman Suécia - Peter Stamm Suíça - Silvia Avallone Italy - Elena Ferrante Italy - Nnedi Okorafor EUA - Nina Bouraoui França - Jenny Jägerfeld Suécia - Donna Tartt EUA - Sara Lövestam Suécia - David Levithan EUA - Chimamanda Ngozi Adichie Nigéria - Maryse Condé Guadalupe - Sofi Oksanen Filândia - Sara Stridsberg Suécia - Sara Paborn Suécia - Kim Thúy Canadá - Jens Ganman Suécia Margaret Atwood Canadá - Neil Gaiman Reino Unido - Paul Auster EUA - Patti Smith EUA - Ulf Lundell Suécia

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    1. Obrigada pela informação.
      Bem, já li 19 desses escritores e gosto bastante de 10, mas apenas daria um Nobel a 5 ou 6 deles...
      Mas concordo em absoluto: vai ser uma palhaçada!

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    2. Prémio para o casal Hustvedt/Auster, a bem das católicas virtudes !

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    3. Eu não diria tanto, caro Artur. Os virtuosos católicos não se divorciam...e o Paul Auster foi casado com a Lydia Davis anteriormente.
      Uma coisa é certa: ambas são belíssimas escritoras.

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    4. Não sabia que ele tinha sido casado com a Lydia Davis ! Obviamente que as "católicas virtudes" era uma ironia referida a um escritor judeu...

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    5. Erro meu, não fui smart enough para perceber a ironia...

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    6. Nada disso ! Obrigado por me recordar a Lydia Davis que já não leio há muito tempo.

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  5. Ahhh! Vamos ter uma eurovisão para livros! Vá lá, um esforçozinho e ainda pomos a Margarida ou o José Rodrigues a ganhar o prémio.

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    1. É isso mesmo: uma eurovisão para livros ! A expressão é perfeita.

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    2. Melhor ainda: uma mundovisão, já que contempla autores de todo o mundo e não só da europa.

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  6. Na verdade, na minha óptica isto será uma fantochada. Bibliotecários suecos e escolher escritores e o "público" a votar.

    Aqui está um artigo detalhado sobre o escândalo do Nobel:
    https://www.theguardian.com/news/2018/jul/17/the-ugly-scandal-that-cancelled-the-nobel-prize-in-literature

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  7. Não me parece desadequada esta forma de protesto, ao menos fala-se no assunto, e quem gosta de livros ficou certamente triste com este adiamento da Academia Sueca.

    Eu votaria Joyce Carol Oates - EUA (não deixem de ler "A filha do Coveiro")

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    1. Ela escreve livros e posts no Twitter como quem cospe tremoços.
      Não gosto nada.

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    2. Ó Caríssimo Anónimo com que então a escritora Joyce Carol Oates escreve como quem cospe tremoços (ou seja gosta de escrever, terá, deste modo, mesmo o vício de escrever) - obviamente, pois se ela é escritora, seria de admirar era se ela vendesse o que cospe, não lhe parece?

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    3. Ainda uma curiosidade, p.f.: o que já leu (livros) desta escritora?

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  8. Pouco interessa o que um escritor conta. O que importa é como o conta e quem o conta. Se estes como e quem forem originais, então temos ESCRITOR !

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  9. Será provavelmente um prémio de popularidade, mas também vendo o histórico de Nobel, este nem sempre foi uma garantia de justiça na opção pelos melhores, mesmo para o meio intelectual e por isso preteriu algumas estrelas maiores, como Tolstoi, desde o início e galardoou outras bem menos brilhantes, para já não falar de outras politiquices e opção pelas culturas dominantes cuja promoção as sobrevaloriza face a magníficos escritores de países menos expostos

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  10. Mas de onde vem o dinheiro para este novo Nobel, não da Fundação com certeza. Serão os seus promotores todos milionários, ou haverá alguma tramóia por detrás? Não será antes um IGNÓBEL?

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