Último reduto?

O mundo perde leitores todos os dias para o audiovisual (conheço um jovem leitor furioso que se mudou recentemente para o Youtube e já não creio que volte aos livros; na sua última visita, não tirou os olhos do ecrã e pouco falou connosco). Contudo, num país pequeno como o nosso, também é verdade que se publicam demasiados livros por ano e que alguns deles têm efectivamente um público tão reduzido que certamente seria mais ecológico e prático editá-los apenas em versão digital (menos desperdício, enfim). Também há autores que, tendo visto os seus livros publicados em papel há muitos anos em editoras que já desapareceram ou simplesmente não os querem reeditar, gostariam de ter agora pelo menos uma versão e-book disponível para que um leitor interessado ainda pudesse aceder ao texto. Ora, a Sociedade Portuguesa de Autores tem, desde finais de Abril, uma plataforma de autopublicação para os seus associados, colocando os livros digitais numa rede de bibliotecas e livrarias onde podem ser vendidos ou alugados sem custos para os membros. Será que, com a perda acentuada de leitores, ainda vamos ter todos de recorrer a este tipo de publicação?

Comentários

  1. Sei que, sem qualquer problema, poderia perfeitamente passar a usar saias em vez de calças mas é (apenas e não só) uma questão de hábito...

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    1. António Luiz Pacheco16 de julho de 2018 às 03:17

      O hábito não faz o monge!!!!
      Olha que a saia é muito mais fresco e cómodo, sobretudo no Verão - minha mulher dixit! Ó Severino.

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    2. Ó Pacheco, mas atenção que, de modo nenhum, sou contra esta ideia do e'book até porque, como faço muita estrada, é melhor ouvir um livro do que ir vendo a minha vida a passar sem tão pouco dar conta de por onde passei.

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  2. É uma bela ideia essa da Sociedade Portuguesa de Autores já que se trata de uma iniciativa em que a adesão dos autores será voluntária. Eu que não leio ebooks (ainda) sei bem que o digital tem acesso muito facilitado e o que lá está ficará a mais longo prazo disponível a quem o queira ler do que o que se encontra impresso em papel.

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  3. António Luiz Pacheco16 de julho de 2018 às 03:32

    Pois. Essa a grande questão!
    Com efeito, também a mim me admira que haja tanta edição, no nosso país, onde se afirma repetidamente que não se lê… será que Portugal virá a ser caso único, o país em que se escreve mais do que se lê?

    Achei pertinente a sua observação quanto à edição de livros em pequena quantidade, ser em versão digital, o que facilitaria a sua disponibilidade.

    Sobre a versão da literatura digital, julgo que ainda a procissão vai no adro e que o futuro imediato tenderá a que cada vez mais se leia assim, vejamos: O e-book, acedido por um pequeno artefacto digitalizado, portátil, permite ler vários livros ou até contém toda a biblioteca pessoal ou universal! Tem vantagens, e hoje já a quase ninguém faz confusão ler no ecrã.
    O livro de papel, se calhar, vai passar a ser um objecto de colecção, um ornamento e fica para os apreciadores que se calhar na próxima geração já nem haja… será?

    Não estou nada preocupado com as editoras porque o seu trabalho se mantém, óbviamente, quem terá de se reconverter serão as casas de impressão, creio…

    Hoje já se viaja sem bilhete de avião físico, por exemplo, e nem mesmo cartão de embarque, mostra-se o bilhete ou o check in on line que está no wathsApp e está feito!

    Portanto não me custa mesmo nada a acreditar que em breve a edição de livros passe a ser mesmo digital. Não gosto, tenho pena… mas é assim que são as coisas.

    Saudações digitais, cá desde a Cidade Morena!

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  4. Não me agrada a ideia da edição digital. Dá-me prazer o contacto físico com o livro, o sublinhado torto, os àpartes manuscritos nas margens, os cartões e bilhetes que guardo lá dentro quando me acompanham em viagem...Mas se as árvores sofrem com isso, se é mais prático, se for o futuro, se, tudo é preferível a deixar de ler. A saúde da mente importa-me. Entretanto, comprar um livro novo para um amigo, oferecer o que gostaria para mim e acho que lhe agrada, dá-me um prazer enorme. Talvez maior que se fora aquisição pessoal a engrossar a colecção.

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    1. António Luiz Pacheco16 de julho de 2018 às 04:44

      Beatriz, o argumento das árvores não é significativo: as árvores cortam-se e replantam-se!
      Repare que se cortam muitas árvores para tanta coisa e ninguém comenta ou parece reparar nisso, pelo que não são os livros os causadores da desflorestação!
      Agora, outros argumentos têm mais peso, isso sim… e são consideráveis até, diria eu que como a Beatriz, adoro o livro e o contacto físico com ele.

      Saudações celulósica-papeleiras cá da Cidade Morena.

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  5. Emílio Gouveia Miranda16 de julho de 2018 às 06:56

    Boa tarde.
    Tanta defesa existe das tradições, algumas bem discutíveis, e falta quem defenda a tradição do livro de papel e a tradição de ler neste suporte. Mundos contraditórios, há que dizê-lo...

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  6. Quando era miúdo, as alterações a que ia assistindo por força das inovações tecnológicas - não me refiro à reprodução de documentos, ao computador, ao telefone portátil, esses vieram mais tarde e as alterações na vida ainda foram maiores - levaram-me a crer que a alimentação do futuro eram produtos fabricados com os ingredientes necessários e suficientes para a nossa subsistência. Em consequência, se no futuro quiséssemos tomar uma refeição tradicional teríamos que ir a um restaurante, que seria uma instalação rara e cara a aceder de vez em quando.
    Será esse o futuro que espera o livro?
    No caso da alimentação enganei-me redondamente, espero que o mesmo aconteça ao livro.
    Boas leituras, seja de que forma for.

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    1. António Luiz Pacheco16 de julho de 2018 às 09:00

      Não se enganou redondamente… não!
      Passo a explicar o conceito que vigorava até há pouco na Distribuição Alimentar:
      Existem duas vertentes - Tradição/sofisticação
      Modernidade/comodidade
      Ora, o livro de papel vai caber na vertente tradição/sofisticação e poderá mesmo vir a constituir um nicho de mercado. O livro digital, parece-me que não deixa dúvidas quanto ao enquadrar-se perfeitamente no conceito da modernidade/comodidade, penso eu.

      Portanto aquilo que hoje nos é corriqueiro, vulgar e comum como um livro ou uma revista, amanhã pode passar a ser visto numa outra perspectiva e tornar-se, por absurdo que pareça, uma coisa de altíssima sofisticação… eu já vi vender caríssimos os ferros de passar a carvão , ou máquinas de costura a pedal da Oliva e Singer… como antiguidade que se usam depois para compor uma decoração qualquer. Ora se o dissessem às nossas avós elas acreditariam?

      E o que aqui há uns anos pareceria ficção científica, como um I-phone, é hoje coisa vulgar!

      Portanto não, não se enganou… e olhe o famoso "cozido à Portuguesa" do chef Avillez!
      Cruz, credo!

      Abraço comum, eheheh, cá da Cidade Morena!

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  7. Boa tarde, Extraordinários!

    LER LIVROS NO TABLET ou KINDLE, ou seja, em formato digital

    Posso dizer que é uma questão de hábito, ler livros no tablet. Já li vários e é muito confortável! E então para quem vê mal, é maravilhoso! As letras aumentam o tamanho que nós quisermos, o ecrã pode ser muito bem iluminado e conforme as preferências de cada um, pode fazer anotações à margem, pode estar deitado ao comprido na cama que lê lindamente - coisa que não se passa com um livro em papel por causa das lentes progressivas, para não falar do peso do próprio livro.
    Também eu adoro livros, nasci e vivi toda a vida no meio deles. Objectos de culto desses, tenho-os aos milhares e milhares, cheios de pó, cheios de bichinhos prateados a dar à cauda, desses bichinhos que vivem no papel e que metem nojo; objectos de culto que obrigam uma pessoa a ter boas estantes, daquelas que não empenam com o peso dos livros e custam um dinheirão; objectos de culto espalhados, sem dignidade nenhuma, pelo chão, em pilhas, amontoados, o tempo a amarelecer-lhes as páginas, as capas a encaracolar; objectos de culto que de vez em quando temos de os mandar porta fora e oferecê-los porque não há espaço numa casa de tamanho vulgar. Ah, o romantismo do livro!
    Adoro livros, escrevo livros, compro livros, ofereço livros, falo quase sempre só de livros, os livros fazem parte do meu adn, mas posso garantir que consigo afastar esse tipo de romantismo, ficar com meia dúzia, dos que gosto mais, guardá-los em uma vitrina e pronto!

    Continuarei a escrever livros para papel, claro! Tudo isto é “31 de boca”, afinal...
    Mas como eu gostava de desenrolar um papiro…

    Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
    Muda-se o ser, muda-se a confiança;
    Todo o mundo é composto de mudança,
    Tomando sempre novas qualidades.

    Continuamente vemos novidades,
    Diferentes em tudo da esperança;
    Do mal ficam as mágoas na lembrança,
    E do bem, se algum houve, as saudades.

    O tempo cobre o chão de verde manto,
    Que já coberto foi de neve fria,
    E em mim converte em choro o doce canto.

    E, afora este mudar-se cada dia,
    Outra mudança faz de mor espanto:
    Que não se muda já como soía.

    Luís de Camões

    E quem assina este comentário é Cristina Carvalho (tudo menos coisas anónimas)

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    1. António Luiz Pacheco16 de julho de 2018 às 09:09

      Correndo o risco assumido de estar a ser bajuladeiro (é o masculino de bajuladeira) , gostei muitíssimo deste comentário… que se formos a ver é tão verdadeiro e bem-visto quanto os peixinhos de prata passarem a ser espécie protegida, em vias de extinção, em detrimento dos vírus informáticos que lhes ocuparão o espaço, ahahahah!
      Mas tem muitíssima razão no que diz!

      Saudações ecológicas e preocupadas (com os peixinhos de prata) , cá da Cidade Morena!

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  8. Desculpe de escrever em francês ...
    Je lis beaucoup en portugais j'apprécie énormément certains auteurs mais croyez-moi que il n'est pas très facile de trouver les livres ici en France mise à part à Paris où je me dis qu'à mi-temps j'ai donc recours où est book et j'apprécie énormément de pouvoir ainsi accéder à beaucoup docteur

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