Sinceridade e meia
Quando se recusa um original por falta de qualidade, está-se na verdade a fazer um grande favor ao autor e aos leitores. Mas a pessoa que o escreveu, a menos que seja alguém muito especial que prefira ser poupado a um enxovalho e a críticas negativas a ter um livro publicado, não vê as coisas assim. É bem certo que custa deitar fora um manuscrito que representou provavelmente um grande investimento em tempo, emoções e às vezes investigação; mas frequentemente a recusa é mesmo a única solução... O escritor Mário Cláudio, que é muito generoso com os que vêm pedir-lhe opinião sobre os seus escritos, contou recentemente no Facebook algumas histórias maravilhosas a este respeito. Numa delas, uma senhora entregou-lhe uma “versalhada do seu punho” para uma avaliação, e o escritor foi sincero e disse-lhe que aquela poesia não tinha qualidade; ao que a madame, em lugar de encaixar o veredicto, ripostou que então iria mandar os poemas a Gunther Grass, que até sabia português, porque ele talvez gostasse. Tinha uma cunhada na Alemanha que era cabeleireira da mulher do romancista alemão e, portanto, não seria difícil lá chegar...
Embora seja uma reacção normal e humana (o desencanto de não gostarem do que escrevemos...), era bom que fizéssemos "autocrítica" (em tudo...), evitava muitos disabores...
ResponderEliminarE no nosso país faz-se tão pouca... é por isso que se vai do 8 ao 80 num minuto...
Espetacular história ! Há sempre uma sugestão caridosa que pode acompanhar uma avaliação negativa: é tão fácil hoje em dia um autor autopublicar-se. E até se pode dar como exemplo o mais recente e maior bestseller erótico (depois cinematográfico!), o qual foi primeiro autopublicado na net pela sua autora !
ResponderEliminarCaríssimo Artur, o que só prova quão falível e relativa é a avaliação feita pelos especialistas… esse caso não é único! Nem será o último…
EliminarAbraço!
É uma história deliciosa!
ResponderEliminarHá pessoas que preferem o "engana-me que eu gosto" à sinceridade.
E será que o Günter Grass chegou a ler os poemas?
Aposto que não passaram da prima cabeleireira...
Perdão, da cunhada cabeleireira
EliminarNa literatura não há últimas fronteiras.
ResponderEliminarConheço algumas pessoas já de certa idade (para cima dos setenta) que estão tão convencidas, mas tão plenamente convencidas da sua qualidade como pessoas escritoras, mas tão convencidas mesmo, que não se observam nem por um segundo a fazer uma pequenina auto análise. Não têm qualquer dúvida sobre si próprias. "Tudo o que escrevem é muito bom!" e não percebem como é que não são apreciadas, como é que, na verdade, não "arranjam" um editor como deve ser. Conheço dois ou três casos destes.
ResponderEliminarEsta situação existe e, psicologicamente, não é concebível por parte dos próprios.
Esta é a questão.
Ainda bem que as redes sociais apareceram pois nestes casos, não sei como seria.
Cristina Carvalho
A teimosia e a crença na cunha como instrumentos para fazer dos portugueses um povo de poetas.
ResponderEliminarJ.K. Rowling, Jack London, Stephen King, Margareth Mitchel e Vladimir Nabokov são apenas alguns escritores que foram recusados pelas editoras com o "argumento" da falta de qualidade. As opiniões de MRP, carregadas de preconceitos, traçam o perfil da editora que é: medíocre.
ResponderEliminarMedíocre que editou (descobriu?) João Tordo, Vitor Hugo Mãe, David Machado, Nuno Camarneiro, etc.
EliminarMedíocre? Não, péssima!!!
EliminarPéssima editora - só publicou e publica escritores péssimos, sem mérito algum, que ninguém conhece, que não vendem nada nem sequer ganham um prémiozito!
Péssima poeta - não faz a mínima ideia do que é um poema, inspiração e sentimento é chinês para ela, lemos aquilo e não percebemos nada!
Péssima letrista - a Aldina e o Zambujo (entre outros) só cantam os versitos dela por piedade!
Péssima blogger- detesto aquela mania que ela tem de controlar tudo e só publicar os comentários lisonjeiros.
Enfim, é uma pessoa detestável, nem sei o que venho aqui fazer todos os dias e por que sinto a falta deste blog quando ela está de férias...
Devo ser masoquista
Ah e ainda me esqueci dos livros que ela recomenda: todos péssimos!!!
EliminarMuito Obrigada, Maria do Rosário Pedreira.
O seu Horas Extraordinárias todos os dias traz um pouco de alegria à minha vida.
Artur mete água: Não confunda Victor Hugo com o mãezinha. Já agora, sabia que os meninos da MRP são conhecidos pelos meninos Saramago? Ah, Valente! O que um homem faz na vida profissional de uma mulher... E por falar em valente: quem foi o chouriço que "avaliou" para publicação as versalhadas do MAV? Neste caso não levaram à letra "Quando se recusa um original por falta de qualidade, está-se na verdade a fazer um grande favor ao autor e aos leitores." Horas Extraordinárias desperdiçadas...
Eliminarexcelentíssimo anónimo, não perca a esperança!
EliminarJá leu a poesia de MRP ? Se leu, confesse que gostou.
EliminarA poesia da MRP? É poesia de uma pessoa mal-amada.
EliminarE se o Anónimo diz, do alto da sua sabedoria, quem somos nós para duvidar?
EliminarAhahah!
Caro Anónimo. Se julga que as suas palavras me incomodam, está profundamente enganado. Incomoda-me, isso sim, que existam pessoas tão reles, tão cobardes, que se escondam atrás do anonimato para julgar, ou insinuar, ou denegrir. Diz o povo que os cães ladram e a caravana passa. E eu acrescento que os cães têm mais dignidade do que gente assim.
EliminarManuel Alberto Valente
Espero que todos tenham percebido que eu estava a responder ironicamente ao comentário do "querido e simpático" anónimo das 12.18h".
EliminarEngana-se tão redondamente...
EliminarÉ poesia de quem sabe o que é o amor.
Concordo com o comentário ainda há pouco publicado de que não se deveria responder a anónimos. Sorte a sua que já teve uma substancial dose de atenção.
Peço desculpa pela ignorância, mas quem é o MAV?
EliminarBeatriz, a resposta está no comentário anterior ao seu.
EliminarPronto, já percebemos: teve um manuscrito rejeitado e está magoado. É uma reação legítima e humana, mas não vale a pena gritar a sua dor aos sete ventos.
EliminarDirector Editorial da Porto Editora e marido da Maria do Rosário com cujo post concordo inteiramente. Se não é bom, não se publica. Ponto.
EliminarOh! Muito obrigada pelo esclarecimento. Gosto um imenso desse senhor que ouvi certa vez num programa de rádio a ler poemas seus e a conversar e era uma pena não o associar ao nome. Quer a conversa, quer os poemas, me agradaram bastante. E disse umas coisas que não esqueço.
EliminarMas é claro que o que não é bom não merece livro, pois então. Se até o que é bom pouco se lê...Publicar não prestas é assunto de publicação pessoal, há quem queira à viva força escrever um livro, paga e já está.
Também gosto imenso do Manuel, a quem tenho o gosto de conhecer pessoalmente.
EliminarE é verdade: Portugal tem um mercado muito pequeno, mal há espaço para os realmente bons.
Bom dia. Felizmente ou infelizmente as fronteiras da imaginação se lhe desperta, indigna o crivo social. Ora, servos e auroras em frouxa e digerida angústia, tem opinião nem sempre exacta à respeito de qualquer assunto. Isso sim, vergonhoso. Ah, os meios justificam-se.
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
Que uma pessoa se torne anónima para elogiar, eu percebo, tal é a abundância de bajuladores que por todo o lado pululam. Isso posso entender, embora prefira sempre a assinatura,a cara descoberta . Agora, para ofender,refugiar-se uma pessoa
ResponderEliminarno anonimato, e em tom de insuportável superioridade, com insolência e com arrogância, dirigir-se a uma outra que nem pode responder, isso dá raiva e enoja, e até faz algum medo
imaginar que a cobardia seja afinal coisa corrente.Espero que não,que tenha sido azar meu dar com este post, logo eu que não costumo ler blogs e muito menos caixas de comentários.Por isso, quando digo "não pode responder"estou a pensar que, sendo impossível responder a uma carta anónima, também a um anónimo se não responde.
Ele há com cada um...
Um beijo, Maria do Rosário - Margarida Palma
Na verdade, a avaliação ou a crítica é sempre relativa, penso eu!
ResponderEliminarE relativa como relativos são os gostos de cada um, se bem que julgue que de facto um bom , editor ou crítico ou analista literário, sei lá como hei de chamar-lhe, consiga analisar fora dos seus gostos e perceber se uma obra tem de facto qualidade ou não. O que não se consegue adivinhar é se o público vai gostar em massa … e aí deve residir o tal "olho" ou a sensibilidade do profissional.
Na verdade já li livros editados, aclamados pela crítica e até premiados que para mim vão do banal (suficiente) ao medíocre e até mau… lá está a relatividade ou subjectividade do "gosto". Já li livros sem nenhuns encómios, ignorados e até editados pelo próprio na falta de quem o quisesse fazer, bastante bons!
Portanto a minha opinião, de leitor, valendo o que vale e interessando a quem quiser, é da maior reserva sobre este assunto.
Saudações sem reservas cá da Cidade Morena!
Concordo António. Mas há sempre certa margem que foge a essa subjectividade.
EliminarSaudações aqui da cidade loira. :-D
Obviamente, abolia o anonimato. Vergonha quem se esconde por detrás dele!
ResponderEliminarHá de tudo, caro Pedro, há que respeitar os que não se querem autopromover.
EliminarO que é inadmissível, desprezível mesmo, é usarem o anonimato para ofender.
No meu caso, poderia assinar Maria, que até é o meu nome, mas prefiro pôr um sol sorridente.
Fica então o sol, Maria.
EliminarMaria-Sol … ou Marisol? Eheheheh!
EliminarGott im Himmel!!! (Ó valha-me Deus!!!!)
ResponderEliminarAs noções de «falta de qualidade», «grande favor» e outras em literatura, compreensivelmente, mudam com o tempo. Recorde-se o que aconteceu, recentemente, em França, quando se enviou, sem identificar o seu autor, excertos de um romance de Claude Simon, Prémio Nobel em 1985, a editoras actualmente em actividade: 12 rejeitaram e sete nem responderam (o que, claro, também corresponde a uma rejeição)!
ResponderEliminarhttps://www.theguardian.com/world/2017/dec/13/endlessly-long-nobel-prizewinning-book-turned-down-by-19-publishers
O que se mantém é a fundamental arrogância, presunção, e, quantas vezes, ignorância de muitos que avaliam e decidem, embora sob sucessivos e diferentes critérios e prioridades.
E até um «consagrado» como Mário Cláudio, apesar de ser «generoso» com uns, também beneficia da generosidade de outros. Como os membros do júri do Prémio de Crónica e Dispersos Literários 2018 da Associação Portuguesa de Escritores, entidade da qual ele é presidente da mesa da assembleia geral.
Os critérios de "falta de qualidade", "gosto" e outros são, e serão sempre, subjectivos.
EliminarO que a uns desagrada a outros agradará.
Não há volta a dar, e quando se é rejeitado o único caminho é continuar a tentar ou pagar a publicação.