Olimpíada

Parece-me que nunca teria chegado a ler a versão integral da Odisseia se a obra não tivesse sido traduzida para português, e bem! (obrigada, Frederico Lourenço, pelo incrível trabalho e pela elegância do texto em português). Mas, graças à tradução, li-a de fio a pavio e, desde então, tenho-a no coração como um dos mais belos textos que se escreveram (nem teria resistido ao tempo se assim não fosse), o primeiro – julgo – do cânone ocidental de Harold Bloom (e de todos nós). Também por isso, dei especial atenção a uma pequena notícia que saiu recentemente no Público, anunciando que o fragmento mais antigo desta obra atribuída a Homero – treze versos escavados numa placa de argila – foi encontrado no decorrer de escavações na antiga cidade de Olímpia por arqueólogos que há três anos «vêm trabalhando em torno dos vestígios de um templo de Zeus naquela região do Peloponeso, berço dos Jogos Olímpicos». A peça regista um pequeno excerto do Canto XIV da Odisseia, que descreve o regresso de Ulisses a casa e o seu reencontro com o porqueiro Eumeu. Transmitido oralmente durante séculos, o texto, ao que parece, foi registado em rolos ainda antes da era cristã, e este tesouro agora encontrado pode datar do século III. Que descoberta olímpica!

Comentários

  1. António Luiz Pacheco26 de julho de 2018 às 02:01

    Nunca li integralmente a Odisseia! Confesso…
    Uma obra dessas só pode, tem mesmo e obrigatoriamente de ser traduzida não só por quem a traduza mas o faça de uma forma que faça justiça ao autor original!
    Ainda bem que assim foi!

    Quanto à notícia, sem dúvida que é interessante e esperemos que consigam fazer uma datação precisa e a investigação que esclareça mais sobre a origem e autoria do tal documento escrito. Pensar em identificar as impressões digitais, não vale a pena, eheheh!

    Saudações olímpicas cá da Cidade Morena, terra de odisseias!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu também não ! Mas deliciei-me nos meus verdes anos a ler a adaptação da Odisseia de João de Barros e há uns anos a adaptação "para jovens" de Frederico Lourenço (de quem também li com imenso prazer a adaptação "para jovens" da Ilíada). Não sei se um dia ganharei fôlego para ler as suas traduções dos originais, embora compreenda o êxtase de quem o fez.

      Eliminar
  2. Nunca li em verso, nunca li em português.
    Fui à procura da minha L'Odyssée, da Garnier Flammarion, cerca de 400 páginas de letra minúscula, comprada e lida em 1971, era eu muito jovem, andava no Instituto Francês e tinha bons olhos...
    Li, deliciada, como se fosse um livro de aventuras e só mais tarde descobri que o original era em verso.
    O fascínio pela Grécia e pelos gregos ficou para sempre. E consegui ir lá em 1980.
    E não fiquei desiludida, fiquei encantada!
    Já pensei comprar esta tradução do Frederico Lourenço, dado que nem de lupa conseguiria reler o meu livrinho cheio de manchas amarelas... e gostaria de ler uma boa tradução do original em verso.
    Talvez compre...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco26 de julho de 2018 às 04:42

      Bom dia!
      É a "Marisol" não é? Perdoe-me estar a crismá-la… mas gosto muito do detalhe dos seus comentários levarem um Sol! É francamente positiva a mensagem que passa… bem-haja!

      Saudações do cacimbo cá da Cidade Morena!

      Eliminar
    2. Bom dia e muito obrigada.
      Não me diga que também viu os filmes da Marisol e do Joselito em criança...
      Eu sei que a Maria do Rosário não gosta muito de emojis, mas não consigo resistir a este sol sorridente que é agora a minha assinatura.
      Quando vier a chuva talvez mude para um arco-íris. Eu depois aviso!

      Eliminar
    3. António Luiz Pacheco26 de julho de 2018 às 05:38

      Claro… esses filmes foram obrigatórios, e o nome Marisol é muito agradável!
      Boa idéia essa do emoji , digamos meteorológico! É original e agradável, repito.

      Eliminar
  3. Ler o original grego da "Odisseia", a imaginar o aedo cego a cantá-la, é uma experiência quase mística.

    ResponderEliminar
  4. Estou a ler (e a adorar) neste momento. 🤓

    ResponderEliminar
  5. Ilíada e Odisseia, duas obras que gostei de ler e me deixam abismada. Algum talento é intemporal, tem marca divina.

    ResponderEliminar
  6. Se ler Frederico Lourenço, depois de, em 1981 ter estudado com David Mourão-Ferreira a tradução do grego pelos Padres E. Dias Palmeira e Manuel Alves Correia, (Livraria Sá da Costa Editora, colecção Clássicos Sá da Costa) foi uma lufada de ar fresco, ter estudado a Odisseia quando não havia outra foi mágico! Complementam-se, e ainda bem. O mesmo para a Ilíada. Imprescindíveis.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório