Booker de ouro

Qual medalha de ouro, o Man Booker Prize lançou a ideia de se eleger o Booker dos Bookers dos últimos 50 anos. E há uma semana, mais coisa menos coisa, o vencedor do último Golden Booker foi um romance divino chamado The English Patient (o autor é Michael Ondaatje, nascido no Sri Lanka mas de nacionalidade canadiana), que ganhara o Booker ex-aequo com Sacred Hunger, de Barry Unsworth, no ano de 1992, e que por cá foi publicado pela Dom Quixote e traduzido com o título O Doente Inglês, embora o filme nele baseado, de 1996, realizado por Anthony Minghella, viesse com a tradução coxa de O Paciente Inglês (e, ainda por cima, o protagonista não tinha mesmo paciência nenhuma, bem pelo contrário, apesar de ter todas as razões para isso). A obra, que tem passagens maravilhosas que o filme não podia manter sob o risco de se tornar chatíssimo (as viagens ao deserto em solitário) foi traduzido em cerca de 40 línguas e deu liberdade ao autor para largar tudo e escrever apenas, como tantos ambicionam. Quando recebeu o prémio, Ontaatje contou que tudo começou com uma cena (um homem queimado a conversar com a enfermeira) que ele julgou ser o arranque de uma novela curta, com muitos diálogos, à europeia. E depois acabou escrevendo mais de 300 páginas fascinantes, à inglesa. Se nunca leu, tome nota.

Comentários

  1. Quantos desses votos não se deveram ao filme? Pois.

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    1. Tendo em conta os comentários aqui deixados, é bem capaz de ter razão no que diz.

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  2. Depois de terminar "PÁTRIA" de Fernando Aramburu (que grande livro), este poderá ser o próximo (já o tirei da prateleira lá de cima).

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  3. António Luiz Pacheco18 de julho de 2018 às 05:20

    Uma nota, para quem não saiba (?): PACIENTE é um sinónimo de doente ou padecente… por exemplo diz-se de um médico que tem "pacientes" .

    Vi o filme, que é belíssimo aliás, mas confesso nunca ter lido o livro que o originou.
    Tenho a impressão de que o não irei ler, porque na verdade (ó iconoclastia!) como já vi o filme e tenho tantos livros por ler, este vai ter de ficar para trás …

    Saudações iconoclastas cá da Cidade Morena.

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  4. Por acaso eu até prefiro o título O Paciente Inglês, acho mais poético.
    O filme é uma maravilha, ainda há pouco o revi em dvd. Tenho o livro mas nunca o li, não quero estragar o efeito que o filme teve em mim - que actores maravilhosos, que história tão bem contada, será que o livro é melhor?
    Talvez um dia o leia... mas com a pilha de inéditos que tenho para ler, duvido que seja nos próximos meses.

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  5. Permito-me discordo da "tradução coxa"... Paciente é uma pessoa que se encontra sob cuidados médicos; doente. Ainda hoje, no meu médico, lhe disse o quanto as suas pacientes gostam dele!... E é muito mais poético como, aliás, escreve outro Extraordinário.
    É só uma opinião.
    Bem-hajam.
    PLFF

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    1. Além de que um doente tem uma doença, e uma perna partida (por exemplo) não é uma doença, mas faz-nos ir ao médico.

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  6. Não li o livro, mas vi o filme com uma acção muito "chata " para meu gosto. Acredito que o livro é muito melhor que a adaptação, apesar das críticas encomiásticas ao filme.

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