O senhor Wilde

Existem muitos escritores que são adorados, tanto em vida como depois da morte. Enquanto viveu, Oscar Wilde teve uma época de glória, mas também experimentou anos muito complicados: foi humilhado, esteve preso e acabou por morrer relativamente cedo. Conviveu com muitos dos bons e teve um séquito interessante, mas infelizmente foi levado por uma meningite. No entanto, mais de cem anos passados da sua morte (que ocorreu, como a de Eça, em 1900), é ainda um escritor profundamente amado pela sua ironia e um dos mais citados de sempre por causa das suas deliciosas máximas. Nas lojas de recordações do Reino Unido, de resto, há tapetes de rato, canecas de lápis, t-shirts e muitos outros materiais com frases de Wilde, todas magníficas (o difícil é escolher). E o escritor merece esse destaque, pois, mesmo que a sua vida tenha sido interrompida demasiado cedo, o tempo em que cá andou foi usado de forma muito útil para os leitores, desde os mais pequeninos (Wilde escreveu contos memoráveis como o Gigante Egoísta ou O Príncipe Feliz para crianças) aos mais velhos (O Retrato de Dorian Gray, seu único romance), e passou por uma variedade de géneros, desde a poesia, com que começou ainda estudante, à filosofia, ao conto e, sobretudo, ao teatro (onde pôde explorar o seu sarcasmo e o seu cinismo de forma extraordinária). Recentemente, pediram-me que prefaciasse um dos seus contos, O Fantasma de Canterville, e deliciei-me a lê-lo como da primeira vez. Um fantasma inglês com três séculos de idade e cheio de pergaminhos que não consegue assustar o embaixador americano e a sua família e acaba por ser vítima do seu pragmatismo só podia vir mesmo da cabeça do senhor Wilde. A ler este autor, até porque nos põe muito bem-dispostos.

Comentários

  1. Ainda não li nada dele, a não ser algumas máximas. Só vi o filme "O Retrato de Dorian Grey!.Quando visitei o Père Lachaise em Paris, onde ele está sepultado, o seu túmulo (graças a expensas de uma admiradora) está rodeado de pedrinhas, escritos e também de marcas de baton o que comprova que não foi esquecido e continua na memória de muitos admiradores.

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    1. Por favor esqueça o filme (afastou-se imenso da essência do livro). Recomendo, se me permite, que leia logo que possível esta obra maravilhosa e explore outras obras fantásticas de O. Wilde.

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    2. Há mais do que um filme: qual deles é para esquecer?

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    3. Este é daqueles livros que dificilmente se conseguiria fazer um filme superior ao livro.
      Vale a pena ver o filme mas vale ainda mais a pena ler o livro!

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  2. Li O Retrato de Dorian Gray e vi uma representação da peça de teatro "A importância de se chamar Ernesto", uma comédia de equívocos muito interessante.
    Já algumas "máximas" dele são por vezes a roçar o cabotino.

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  3. No Retrato de dorian Gray, Wilde escreve "O artista é o criador de coisas belas"... depois vai delirando, delirando (no bom sentido, diga-se) e termina com "Toda a arte é perfeitmente inútil". BRUTAL!

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    1. Aqui há tempos numa conversa com a Anabela Mota Ribeiro o nosso Eduardo Lourenço também dizia que a CULTURA, em última análise, não serve para nada...

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  4. Uma das máximas de Wilde que me ficou da adolescência: "A estética é superior à ética."


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  5. Estudante da língua portuguesa comprei o meu primeiro livro em português, a tradução do Retrato de Dorian Gray.Foi um primeiro encontro com esse grande ator.
    Bjs
    http://blog.seniorennet.be/lisboa

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  6. Wilde, simplesmente fantástico!
    A minha admiração por ele iniciou-se ainda nos tempos de liceu, depois de ver uma adaptação televisiva da peça "The Importance of Being Earnest" (desculpem, mas acho o título inglês intraduzível). Fiquei fascinada.

    E, por falar em línguas diferentes: demorou um bocadinho até eu entender o que queria dizer com "tapetes de rato". Só lá cheguei, ligando às "canecas de lápis". Coisas de quem vive no estrangeiro... Por terras germânicas, mantêm o nome inglês: "mouse pads".

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    1. Dei voltas e mais voltas, fiz log-in no sapo e, mesmo assim, o comentário ficou anónimo!
      Fui eu, em cima (como será de deduzir). Não sei porque não resultou, mas parece que agora vai resultar.

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  7. António Luiz Pacheco26 de junho de 2018 às 04:19

    O Fantasma de Canterville… talvez a obra menos conhecida, e quem o imagina a escrever aquilo que parece à Tom Sharpe?? Há um filme, antigo mas divertido, baseado na obra! A importância de se chamar Ernesto , em português, também deu um filme… o retrato de D. G. nem vale a pena comentar!

    Saudações saudáveis cá do Bairro Ribatejano!

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  8. Ora viva!
    Do autor li O Retrato de Dorian Grey, achei um romance fascinante, mas não gostei do que li.

    Eu explico, gostei da forma mas não do conteúdo, o romance retrata uma época como a vitoriana, um tempo cheio de contradições, de limites, de transgressões, um tempo em que as mulheres eram renegadas para segundo plano, eram meros ornamentos, mas, só nas classes consideradas superiores, porque as mulheres do povo eram só isso, povo.

    É um romance que arrisca tudo ao enaltecer o estoicismo, o dandismo e a abordar pela primeira vez na literatura inglesa, a homossexualidade.

    Considero admirável a forma como Wilde enaltece o hedonismo, ao defender que o único propósito da vida é o prazer e a beleza, mas, só para alguns, os entes superiores, os elegantes.

    Felizmente as sociedades evoluíram, procurando envolver todos os cidadãos na construção de uma vida confortável, em que todos tenham direito a desfrutar e a sentir prazer perante a beleza.

    Tenciono regressar a Oscar Wilde, oportunamente.

    Saudações cá da perola do Atlantico.

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  9. A única falha de Wilde foi não ter escrito mais nenhum romance!
    O retrato de Dorian Gray é intemporal e obrigatório. Um verdadeiro romance filosófico que se aproxima muito mais da obra germânica de Hesse e de Mann, mas com uma dose muito mais substancial de humor e ironia.
    As suas meditações são também deliciosas...

    "Neste mundo só há duas tragédias. Uma é não ter o que se deseja, a outra é consegui-lo".
    "Os homens sempre desejam ser o primeiro amor de uma mulher; este é um efeito da sua insensata vaidade. As mulheres têm um instinto mais subtil. Elas desejam ser o último amor de um homem".

    Saudações

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  10. Este blogue também é bom para percebermos que há tantos autores que não lemos...

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  11. Os aforismos do Wilde são simplesmente deliciosos.

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