No interior

Ao contrário do mau tempo que se tem feito sentir, no ano passado tivemos um calor insuportável que desencadeou, de resto, uma leva de incêndios que dificilmente sairá da nossa memória. Passado um ano, a cooperativa artística Arte-Via quis organizar um festival literário em homenagem às vítimas dos fogos florestais, com o alto patrocínio do Presidente da República, nos vários concelhos afectados: Arganil, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Lousã, Miranda do Corvo, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela, Sertã e Tábua. De hoje até ao dia 18, as Palavras de Fogo (o nome deste Festival Literário Internacional do Interior) vão contar com inúmeros escritores, portugueses e estrangeiros, em mesas-redondas e conversas, bem como com exposições, música, um mercadinho de poesia, caminhadas literárias (a pé), workshops – e muito mais. O programa é extensíssimo – e os escritores irão estar nos mais improváveis espaços, desde fábricas a praias, passando por descampados, o que é, sem dúvida, original (e deve dar umas boas fotografias). Ana Filomena Amaral, da Arte-Via, festeja assim os 18 anos da cooperativa, e conta com a ajuda de Pedro Mexia, José Luís Peixoto e Fátima Cabral nesta programação.


 


P.S. Amanhã vou de férias e só regresso aqui no dia 25.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco15 de junho de 2018 às 03:22

    A Região Centro, ou Zona do Pinhal Interior que esta abrange, é lindíssima e sobretudo proporciona um ambiente tranquilo... passe a tragédia dos fogos. Inúmeros escritores aí se inspiraram e o António Breda de Carvalho, por exemplo, tem uma obra muito interessante dedicada ao tema: A literatura no Buçaco. Entre outras...
    Pouca gente sabe que os seus rios (truteiros) são ainda despoluídos, que há americanos que vêm de propósito pescar trutas na região e dedicam belíssimos artigos à região nas revistas da especialidade... como pouca gente conhece a fundo uma região onde ainda persistia um Portugal rural profundo e muito próprio, conservado na dureza da vida serrana com o seu folclore tão diversificado e particular, a sua gastronomia, os hábitos e os costumes ancestrais ainda tão vivos como se sentia nas aldeias mais remotas, perdidas por montes e vales, ao longo dos rios ou nas cumeeiras.
    Acredito que voltará a ser o que era, mesmo que os prometidos apoios do estado nunca tenham chegado e nunca irão chegar, como se imagina. Mas assim é a Beira, assim são os Portugueses, fazem por si mesmos o que têm a fazer.
    Apoio e louvo por isso esta iniciativa, pois o que sucedeu foi um desastre de lesa-povo.
    Todos conhecemos gente lá ou de lá, e sabemos que deitaram mãos à obra, sem que tivesse havido ajudas. O meu colega e amigo Jorge Festas, regressou a Angola aos 62 anos porque tudo o que tinha, casa, estaleiro, máquinas... ardeu! Ajudas? Nem pensa nisso, arregaçou as mangas e voltou aos projectos de engenharia, voltou a sair do país para procurar os meios que este não lhe dá, como a tantos milhares de nós.
    Mas importante, jogamos hoje contra a Espanha, o Sporting ocupa todo o espaço noticioso e o povo já se esqueceu... os políticos piscam o olho e estão contentes.

    Saudações amargas cá do Bairro Ribatejano.

    PS - Umas boas férias é o que lhe desejo!

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  2. Em primeiro lugar: Boa Semana de FÉRIAS!!! e até finais do mês.
    E depois: oxalá seja muito participado o festival das Palavras de Fogo. Que os escritores não bastam. Bem os vemos sozinhitos na Feira do livro. Salvo uma ou outra excepção de quem por vezes tem fila enorme e nem escreve por aí além enquanto os nossos melhores estão quase às moscas. Mas tudo isto é nada face ao que fica de palavras, e conta, e diz, e mostra, a qualidade.

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    Respostas
    1. suponho que há-de ser "e mostra a qualidade".
      E que nunca mais desgraças desta ordem nos assolem.
      Um bem haja para todas as ajudas que são poucas mas necessárias a quem não tem mais que perder.

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  3. A iniciativa louvável e de um interessa indiscutível.
    Contudo, o título, "Palavras de Fogo", em minha opinião, não é muito feliz.

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  4. Eu não diria que «calor insuportável» é o «contrário do mau tempo»...

    ... E verifico que não foi seguida a minha sugestão de ser aqui, hoje, abordado o caso do prémio atribuído a uma «obra de peso» por um dos seus autores. Talvez no dia 25? ;-)

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  5. Emílio Gouveia Miranda18 de junho de 2018 às 08:05

    Boas Férias. Um regresso inspirado. Bem-haja.

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