Identidade
Quem nos diz quem somos? No romance Fora de Si, Sasha Marianna Salzmann explora esta questão, mostrando como a vida é um imenso desafio e os nossos anseios muitas vezes insaciáveis.
Fora de Si é a história de como alguns episódios do século xx influenciaram decisivamente o novo milénio. Conta a história de quatro gerações de uma família – a história do anti-semitismo latente e indisfarçado na União Soviética; a história da emigração e da esperança de uma vida melhor num país estrangeiro; a história de uma geração educada no país de acolhimento que perdeu o rasto da pátria e procura, mesmo assim, um lugar de pertença; a história de uma busca: de um irmão gémeo desaparecido, de auxílio, de identidade e, claro, de resposta para a pergunta: quem somos?
O romance vai de Odessa, na época da Revolução Russa, até Istambul, nas vésperas do golpe de Estado de 2016. E é absolutamente maravilhoso. A tradução é de Paulo Rêgo. (Para os mais distraídos: não percam os gémeos na base da capa: é dos seus cabelos que partem as aves.)

Mais uma proposta interessante, parece-me ... mas ao mesmo tempo é uma angústia que me assola enquanto traça dos livros: como vou conseguir ler tudo o que quero????
ResponderEliminarSaudações angustiadas cá da Cidade Morena!
Bom dia, António. Quanto a mim, nem duas vidas chegariam para ler o que - até ao momento - aguarda ser lido. E como todos os dias surgem propostas interessantes a que, estou certo, não conseguirei ceder até ao fim dos meus dias, creio que a solução não tem nem terá fim à vista, nesta ou noutras vidas...
EliminarUm abraço e boas leituras.
Obrigado pelo apoio meu Caro.
EliminarTem toda a razão, e o que não tem remédio, remediado está!
O melhor é tratar da angústia com um gin tónico... mas também há as Margaritas, mojitos, Cuba libre... tudo panaceias muito agradáveis aqui nestes climas! Eheheheh!
Um grande abraço cá de Benguela!
Parece interessante.
ResponderEliminarBom dia. Obrigado. Boa semana.
Fora de mim fico sempre que tenho a oportunidade de participar num debate sobre o livro, neste caso sobre «Porque fecham as Livrarias?» no eterno concerto de edição, livreiros e autores. No Braço da Prata faltou o António Luiz Pacheco para - estou certo - nos secundar na eterna questão «de que massa é este país feito?» https://www.facebook.com/events/391780957972491/ Sobre este debate deixo aqui o resumo de «senhoras da nossa idade»: «A EROSÃO DA BIBLIODIVERSIDADE:
ResponderEliminarAlgumas notas sobre o Debate | Porque fecham as livrarias? 2ª ed., revista e aumentada, ontem na Fábrica Braço de Prata. Vasco Santos admite que só o ano passado leu Proust. O editor da Fenda e agora da @VS Editor acha que há uma idade certa para ler certos livros. Um empregado bancário alvo de uma reestruturação, varrido como um insecto indesejável para debaixo do tapete, pode tirar maior proveito de 'A Metamorfose' de Kafka do que um adolescente. (E aqui tenho de agradecer ao também psicanalista que assim explicou porque desde há meses acordo em sobressalto e levo uns segundos a inteirar-me de que «eu» sou eu.)
Concentração editorial e concorrência desleal – dois factores que determinam a distorção do mercado, o fecho das livrarias e o empobrecimento da edição, aponta o investigador Daniel Melo.O mercado está inundado de livros mas são cada vez mais os mesmos: os best-sellers, as novidades, o livro «marketizado».
Vivemos tempos de grande individualismo, «está cada um na sua leira», diz Vasco Santos, que lamenta a perda da amizade, da vida em comunidade, dos laços e das tertúlias.
José Ribeiro, da livraria Ulmeiro (Espaço Ulmeiro) em Benfica (50 anos em 2019), começou a fortalecer os laços com a leitura através das bibliotecas itinerantes da Gulbenkian. «Tinham funcionários que eram poetas.» Poetas e escritores passaram quase todos pelas tertúlias da Ulmeiro, no tal tempo em que as pessoas se encontravam e falavam todos os dias.
Os livreiros são cada vez em menor número por isso não deveria ser difícil criar uma associação do sector, defende Vitor Rodrigues da Leituria que vai dando abrigo às pequenas editoras, as tais que podem ir actuando nos interstícios dos grandes grupos para salvar a bibliodiversidade. E quanto ao preço dos livros, relembra que há um mercado bastante variado de livros usados a baixo custo.
E ainda: o papel da escola e dos professores, o reforço da rede de bibliotecas municipais, as comunidades de leitores, a importância de outras formas de leitura e de acesso aos textos (como o teatro e as declamações de poesia), a resistência contra o pensamento simplificado, a massificação, a uniformização, o analfabetismo secundário. A importância das nossas escolhas, os livros que decidimos comprar e onde, que histórias contamos aos nossos filhos, como transmitimos o gosto pela leitura e pela memória do livro enquanto património.»
Bibliodiversidade!
EliminarEssa é genial... gostei da palavra, que nunca me ocorreu com pena minha, pois adorava tê-lo criado! E tem sido uma discussão entre nós, desalinhados!
Há-de ter sido uma interessantíssima cessão, que vou visitar no link que indicou, Pedro!
Abraço cá da capital da biodiversiCidade... a Cidade Morena!