O que ando a ler
Ando a ler várias coisas ao mesmo tempo, por imperativos profissionais e gosto pessoal, mas hoje interessa-me falar de Varanda de Inverno, um belíssimo livro de poesia da autoria de Marta Chaves – um livro mesmo, feito todo com o mesmo tecido de palavras e coerente nos seus pressupostos e intenções. Já sei que não ligam muito à poesia aqui no blogue, mas atentem na história que a autora contou no lançamento: disse ter renascido aos 15 anos quando teve, na Escola Secundária, as primeiras aulas de Filosofia com uma determinada professora e que, muito provavelmente, essa professora (então bastante jovem) não tivera certamente a noção da sua influência e da sua importância no futuro desta aluna (que é hoje psicóloga, além de poeta). Passados tantos anos, Marta Chaves perdera o rasto da docente, como é natural; mas agora, que ia publicar esta sua «varanda para a vida» numa editora de peso (a Assírio & Alvim), achou que devia confidenciar à professora a sua quota de responsabilidade em todo o processo e andou doida à procura dela até que a localizou numa determinada escola, lhe ligou e a convidou para o lançamento. E a professora lá estava, a ouvir Marta Chaves com a graça muito particular que imprime ao seu discurso oral, dizer como tinha sido aquela paixão assolapada aos quinze anos e a agradecer o seu renascimento. Foi, sobretudo por isso, mas também pelos outros discursos, uma sessão muitíssimo interessante, mas irrepetível. O livro, porém, está aí para ser lido. Arrisco-me a dizer que vão gostar.
Bom dia a todos! Estou a terminar João do Rio - Vida, paixão e obra, sobre um escritor carioca, famoso pelas crónicas e reportagens inovadoras que fez sobre o Rio de Janeiro. Visitou (e adorou) Portugal, onde conviveu com grandes nomes da literatura portuguesa nos anos anteriores à primeira guerra mundial. Interessante saber que a comunidade lusa no Rio, muito monárquica, ficou abalada pela implantação da República na terrinha (como os brasileiros dizem). Comecei entretanto a ler O Poço da Solidão (1928), de Radclyffe Hall, uma obra pioneira da literatura LGBT, pois a protagonista, criada como um rapaz (Stephen é o seu nome), será uma das primeiras heroínas lésbicas da literatura (o romance foi proibido em Inglaterra durante algum tempo). Promete.
ResponderEliminarO meu forte não é a Poesia, sou muito selectivo, prefiro os clássicos. Estou a acabar "Embalando a Minha Biblioteca" do Alberto Manguel e vou começar a ler"Tempo de Silêncio" de Patrick Leigh Fermor, da Tinta da China e finalmente encontrei a nova edição da "Marcha de Radetzky de Joseph Roth, da Vega ,visto que a edição da Difel estava há muito esgotada.De resto vamos esperar pela Feira do Livro que se aproxima já a 25 de maio.
ResponderEliminarAgradeço a informação. Não fazia ideia que havia saído. Tinha em mente comprar a "marcha" em versão inglesa.
EliminarEssa é a minha esperança. De que a nossa acção, sejamos ou não professores, mova alguma fibra mais íntima em alguém, ajude a determinar e facilitar caminho. Não é necessário que o saibamos. Basta que exista. E já a nossa vida não foi em vão. Mas é um facto que a disciplina de filosofia pode ser uma descoberta ou uma sofrida desgraça. Nela, muito depende da arte do professor. Por ser outra forma de olhar o mundo.
ResponderEliminarDesconheço Marta Chaves, mas, para já, julgo-a uma beleza de pessoa. Não é apenas a professora que está de parabéns. Um professor é sempre professor de muitos, mas só em alguns deixa marca e acende a centelha. Para tudo há uma razão.
Estou capaz de comprar o seu livro de poesia:).
E não julgo que a Rosário tenha razão no que diz acerca de não preferirmos a poesia. São modalidades de escrita diversas e não menos importante uma que a outra. A poesia é de sempre e não se lê como qualquer romance. Arrisco até dizer que se não lê de enfiada e que, ao contrário do romance, se volta ao mesmo poema - ou ao mesmo poeta, ou ao mesmo livro de poemas - "não sete vezes, mas setenta vezes sete". É de tão funda verdade o dito que isso mesmo a faz infinda e inesgotável, alheia a modas.
Mas interessa a qualidade da poesia ou a historieta com a prof?
ResponderEliminarChamei-lhe belíssimo, parece-me. E, se não achasse que tinha qualidade, não falaria dele aqui.
Eliminar"O homem que gostava de cães" de Leonardo Padura. Magnifico. Saliento o trabalho de tradução da Helena Pitta.
ResponderEliminarBom resto de semana.
Bom dia. Bem, já estou com vontade de tacar fogo no don Rigoberto de Vargas Lhosa, mas também pode ser por estar estudando As Defesas da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro de 1786, título de José Correia Rangel e que do ponto de vista histórico já estaria errado; aqui neste Brasil um pouco com o Santo e se lhe dá aguardente.
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
Ora vivam!
ResponderEliminarLi, "À procura de Molero", do Extraordinário Pedro Sande.
Lê-se muito bem, e de um fôlego... aliás é agradável de ler e dispõe bem, sendo um livro completamente diferente e inesperado, onde se faz Humor, humor culto, informado e inteligente, rebuscado e que não é nem para todos (modéstia aparte) é o humor fino à inglesa, mais ao género do "no sense", que poderia ser o guião de um filme dos Monty Python.
Não me entendam mal, mas com tantas alusões e referências (se calhar menos óbvias a quem tenha menos de 50 anos) a situações, obras e personagens fictícias ou reais, tem de se ter algum estofo para o ler, desde logo pela óbvia ligação ao que foi um livro de culto da minha geração (O que diz Molero).
Muito bem conseguido, sobretudo porque, repito, é um livro que dispõe bem!
Depois, agarrei num que me despertou imensa curiosidade e como aliás prometi aqui à nossa Extraordinária Anfitriã: O mais recente de Nuno Camarneiro, "O fogo será a tua casa".
Nunca havia lido nada do autor, e sempre pensei que seria desinteressante... pois bem, este não é! Os outros, enfim, ainda vou a tempo de recuperar, ler e mudar de opinião!
O livro em análise está em minha opinião muitíssimo bem escrito, num estilo que é o de uma reportagem, mais coloquial e menos "romance" se é que me faço entender. Por isso me parece que é o mais adequado ao tema.
Contém reflexões e ficciona sentimentos do autor, que me parecem muito bem sustentados e credíveis (temi que não!) , e claro são pensamentos de um homem inteligente pelo que sempre agradáveis de ler.
Nada mais a dizer: - Gostei!
La oveja produtiva... bom esse dispenso-me de comentar, estou a reler por razões de trabalho e é muito bom. Também alguns trabalhos sobre salga e seca de pescado... sempre interessantes, pois é um sector que também evoluiu sobretudo pela mão dos nórdicos!
Saudações calorosas (literalmente) cá da Cidade Morena.
Neste tempo decorrido li "A Ponte", de Maria Isabel Barreno e (transporto-me com frequência para autores mais antigos) "Aventura Maravilhosa", de Aquilino.
ResponderEliminarEste foi para mim uma surpresa pois não sabia que a aventura era mais uma desventura do rei Sebastião.
Esse do Aquilino já li. Tenho quase todos os romances e novelas dele. É um cultor da língua portuguesa a que regresso sempre a par do Eça e do Camilo, quando não tenho mais nada de interessante para ler.
EliminarMemórias de uma Gueixa - Arthur Golden
ResponderEliminarO Tumulto das Ondas - Yukio Mishima
Suzana Silva
Arrisco-me a dizer que tem razão. Boa tarde. De uma varanda de primavera...
ResponderEliminarQue curioso! Ainda hoje tive a oportunidade de me deliciar com um ''teaser'' postado no Instagram pela Assírio Alvim, que me deu uma enorme vontade de ler o livro. Não resisto a transcrever este belíssimo poema.
ResponderEliminarAO FIM E AO CABO
Não te separes de nada, a nada te juntes.
As coisas tomam a direcção que lhes é própria,
Da casa em chamas, aprecia a sua combustão,
repara como a matéria se transforma.
Que dom habitará o que é tocado pelo fogo?
Não esqueças o silêncio promontório,
crê que afinal a rebentação das ondas é calma.
A areia é que não sabe escolher
um lugar onde pousar.
Fico sempre muito satisfeita quando partilha poesia, aliás, vindo de quem vem, é uma honra...
Saudações,
Maria
Acabei de ler, "Luiz Pacheco, essencial", de António Cândido Franco (gostei) e estou a ler o "Caminho Imperfeito" de José Luís Peixoto.
ResponderEliminar(antes destes li o "Nervo Ótico", de Maria Gainza, sugerido por aqui, e gostei bastante...)
"LEVANTE-SE O RÉU OUTRA VEZ" - Rui Cardoso Martins
ResponderEliminar-o autor assistiu, ao longo de 20 anos, a mais de 700 sessões públicas de tribunal. Sobre elas o autor escreveu estas pequenas crónicas (no máximo 3 páginas cada uma).
Lê-se...
Não escrevesse bem Rui Cardoso Martins e seria um livro fraquinho.
Sem querer ser impertinente, pergunto: a partir do título do post supõe- se que digamos o que andamos a ler ? Se assim for, desculpai a irreverência da minha pergunta.
ResponderEliminarQuanto à poesia, gosto muito, muito. Sou, contudo, selectiva, não é poeta quem quer, é poeta quem é. E o poema transcrito ali mais acima não engana. Vou ler essa menina, com certeza.
Obrigada pela informação. Sou leitora de poesia. E tenho, e já li, a sua Poesia Reunida, Maria do Rosário Pedreira.
Não é obrigatório dizer o que anda a ler, mas geralmente os leitores do blogue gostam de partilhar a informação.
EliminarNão é obrigatório dizer o que anda a ler, mas geralmente os leitores do blogue gostam de partilhar a informação.
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